segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Oi

Hoje é o aniversário do blog.
Dois anos.


Legal, não?
^^

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sangue, suor e lágrimas

Texto retirado do site da Revista Mundo Estranho. Para lê-lo todo, basta clicar aqui.

1. Quando você faz um machucado que ultrapassa a camada da pele - que mede de 1 a 4 mm -, vasos sanguíneos podem ser cortados. O sangue que se espalha pelo local contém várias substâncias, de glóbulos vermelhos (que transportam oxigênio) às plaquetas (responsáveis pela coagulação)

2. Imediatamente o organismo direciona mais plaquetas para a região e tem início a produção de fibrina - substância que só se forma no sangue quando um vaso é rompido. As plaquetas se juntam nas pontas dos vasos cortados e atuam como um tampão, parando o sangramento em alguns minutos. A fibrina age como a cola dessa união de plaquetas

3. A defesa da região leva cerca de três dias e é feita pelos glóbulos brancos. Essas células sanguíneas destroem seres estranhos que entraram no corpo pelo machucado - como bactérias. O processo de defesa deixa a ferida inflamada alguns dias. Nesse período também aparece a "casquinha" do machucado, que é simplesmente o sangue coagulado e ressecado

4. Após a ação dos glóbulos brancos, vem a limpeza geral. Entram em cena os macrófagos (um tipo de célula presente na pele), que "engolem" células mortas e as últimas bactérias que restaram. Ao mesmo tempo, cresce o fluxo de sangue na região, dando origem àquela vermelhidão típica de machucado. Com mais sangue, multiplicam-se as células na porção superficial da pele

5. A irrigação sanguínea extra também traz algumas células chamadas fibroblastos, que produzem um tipo especial de tecido: o colágeno. Aliado à multiplicação das outras células da pele, o colágeno forma novas fibras. São essas fibras que se juntam para fechar de vez a ferida, o que ocorre de fora para dentro do machucado

6. Cerca de duas semanas após o acidente, a ferida já está totalmente coberta com uma nova camada de pele. No máximo, dependendo da gravidade do corte e do organismo de cada pessoa, restará no local uma pequena cicatriz para lembrar o acidente

Uso o texto acima para dar alguma relevância ao fato de que quase perdi o dedo ao usar um estilete no dia de ontem. Também deixo aqui registrado o fascínio que tive ao conhecer o processo de sutura de uma ferida. Com exceção da aplicação de iodo para assepcia (fui à lua e voltei) e das injeções de Voltarem (minha nádega direita ainda dói), antitetânica (meu braço esquerdo ainda dói) e contra hepapite (meu braço direito ainda dói, mas essa eu só tomei porque já tava no posto mesmo, só aproveitei a viagem), achei muito legal ver minha pele sendo costurada pra que a fibrina e os seus amigos possam trabalhar com mais eficiência. Palmas para a Medicina! Vaias para o sistema de saúde, pois esvaí em sangue no hospital por mais de duas horas pra poder tomar os devidos pontos!

Acho que deu pra perceber que eu não tive infância e nunca precisei de pontos. Isso deve explicar minha empolgação. Só não coloco uma foto pra não espantar nossos leitores, que já não são muitos.

P.S.: Tô brincando, não corri o risco de ficar que nem o Lula. Foram só quatro pontos, mas como o corte foi profundo, sangrou pra burro =)

P.S.2.: O título do post, além da óbvia referência ao discurso de Churchill (não é inteligência, é google, tá? hehehe), também representa o momento do acidente: sangue, por causa do corte; suor, de nervoso, pois eu estava fazendo um trabalho, para entregar no mesmo dia; e lágrimas, que virão com a nota, já que o professor aceitou que eu entregasse o trabalho hoje hehehehe. Pelo menos o esforço foi reconhecido.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um post de dar sono

Tem uma coisa que eu acho muito engraçada. Vem desde os tempos do Ensino Médio, naquela escola bucólica, encravada na roça e chamada Cefet. É impressionante minha capacidade de sentir sono durante o dia inteiro (INTEIRO) e, quando os sinos badalam às 9 da noite, esse sono se evapora.

Outro dia, eu estava conversando com a minha mãe sobre crianças. Elas, quando querem dormir, choram. Pergunta: por quê? Não é muito mais fácil virar pro lado e aproveitar as horas de descanso vindouras? Minha mãe respondeu que elas costumam brigar com o sono. Como naturalmente perdem, começam a chorar. Legal, pergunta respondida. Mas me levou a outra: por que raios elas brigam com o sono? Isso minha mãe, que não é psicóloga, pediatra ou mãe-de-santo, não respondeu. O que me deu margem para pensar: talvez os bebês tenham medo de dormir. Fechar os olhos, encarar o vazio, a ausência de proteção. Realmente... elas dormem quando ninadas, se acalmam, fecham os olhos, param de enxergar, mas sentem um ser vivo as embalando. Ótimo. Segunda pergunta respondida. Terceira, pra finalizar meu rompante questionador: por que EU não consigo dormir na hora certa, meu Deus?????

Tá bom, a terceira pergunta não tem nada a ver com a primeira e a segunda, mas eu não me conformo de perder tempo pensando no sono dos bebês enquanto meu corpo está louco de cansaço, pedindo arrego e meu cérebro se recusa a colabrorar. Desliga aí, pô. Põe pelo menos em estado de espera! Aí o leitor deve pensar: poxa, esse cara deve passar horas pensando no aquecimento global, no programa nuclear iraniano, no desenvolvimento da rede de transportes para os Jogos Olímpicos Rio 2016...

Oi, você não leu esse texto? Você acha que alguém que discute com a mãe sobre o por quê do choro dos bebês sonolentos vai pensar em coisas edificantes como essas? Por favor, né. Na verdade eu até penso no aquecimento global: esse calor tá insuportável. Bingo! Deve ser o calor, derrete meu sono e meus neurônios. Por isso acaba de sair do forno um texto com essa qualidade. Quando eu achar uma causa pra minha insônia no inverno eu compartilho com vocês. Agora eu acho melhor dormir, pra ver se contenho esse fluxo de besteiras que eu tô escrevendo, e que estão resultando em um texto que está até me constrangendo de tão ruim huahuuhaauhauh

Só apertarei o botão de publicar em respeito aos minutos de sono que eu perdi pra escrever estes parágrafos. Prometo que tentarei fazer melhor da próxima vez.

Desculpe o mau jeito e até amanhã.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Rousseau e o apagão

É engraçado como as vezes nós percebemos os significados de maneiras inesperadas. Essa semana eu fiquei responsável por apresentar o livro “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens” do Rousseau na aula de Ciência Política.
Admito que li com muito má vontade, de forma nenhuma a leitura fluía e olha que esse era o autor que eu queria apresentar desde o inicio do curso. Mesmo porcamente terminei o texto e até achei interessante, mas eis que na noite do dia 11/10, essa última terça-feira, ocorreu um apagão em grande escala.
O Rio de Janeiro inteiro ficou sem luz, vários outros estados também, além do Paraguai. Na manha do dia seguinte com a iluminação restabelecida eu assisti os telejornais, CAOS.
Vários pequenas colisões no trânsito devido os sinais estarem desligados, assaltos, paralisação do funcionamento de trens e metrôs, pessoas presas em elevadores, pessoas que não conseguiam chegar em casa pois moravam no 23º andar e o elevador estava parado(foi só eu, ou mais alguém achou essa engraçada?). Isso só para citar alguns dos problemas menores.
Agora você, meu amigo leitor, deve estar se perguntando “ Do que essa garota está falando afinal? O que um assunto tem haver com o outro?” e eu te respondo, tem absolutamente tudo haver, era exatamente disso que o Rousseau estava falando, olha só:
Sobre o homem em estado natural, ou seja, antes de se organizar em sociedade ele escreveu: “Seus desejos não excediam suas necessidades físicas. Os únicos bens que conhece no universo são o alimento, uma fêmea e o repouso; os únicos males que temem são a dor e a fome.” E por isso esse homem era feliz, porque todas as suas necessidades eram saciadas e ele não precisava de nada que não pudesse ter.
Depois quando Rousseau vai falar do início da organização social humana ele diz: “ Nessa nova situação, os homens gozando de um tempo de lazer maior, dedicaram-se a obter vários tipos de comodidades desconhecidas por seus pais. [...] essas comodidades perderam com o hábito quase todo o seu deleite e aos mesmo tempo se degeneraram em verdadeiras necessidades, de modo que sua privação tornou-se mais cruel do que era doce a sua posse, e as pessoas sentiam-se infelizes de perde-las sem estarem felizes de possuí-las.”
O que Rousseau disse em 1755 se encaixa perfeitamente no que acontece hoje, a luz elétrica é uma comodidade que o homem se propiciou e que acabou por transformar-se em necessidade, a qual o homem se acostumou ater saciada que nem se importa mais. E então quando essa comodidade lhe é retirada ele sente a infelicidade. O mesmo pode ser aplicado quando ficamos sem internet ou celular.
Interessante não é? O que ele pensou faz mesmo sentido!

PS: Eu queria ter criatividade o suficiente para criar um título mais legal.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

o idiota?

Estava lembrando de quando eu pensava que o "vivo" no canto da tela da televisão informava a ausência de fatalidades na reportagem...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobre leituras e escritos

Incontáveis foram os momentos em que passou pela minha cabeça retonar à casa, sentar-me defronte ao teclado, deitar meus olhos sobre a tela em branco e divagar sobre todos os assuntos: a agenda cultural da semana, o casamento de Lula e Sarney (celebrado por Dilma Roussef e apadrinhado pelos fofos Collor e Calheiros), o desejo da minha mãe de me dar um irmão (um cãozinho shitzu), e por aí vai... tive uma ideia não escrita em praticamente todas as semanas recentes. De umas, farei proveito. De outras, até me esqueci. Em comum, o fato de que nenhuma saiu de mim para chegar a vocês. Por quê?

Eu poderia tentar enganá-los e enganar-me dizendo que são a faculdade, o trabalho etc. os reponsáveis pela ausência de todos os Conspirados aqui. Mas as férias já terminaram há tempos e a frequência de postagens continuou pífia. De minha parte, admito que tive tempo livre suficiente para escrever alguns posts curtos ou outros mais longos. Que meus rompantes-criativos-não-levados-à-frente não me deixem mentir. Também não deixei de acompanhar blogs. Não deixei de ler. E quanto mais lia, mais percebia que sou muito mais leitor do que escritor. Não se enganem, adoro este lugarzinho pra se falar mal dos outros, adoro os comentários sempre bem-humorados e adoro a pequena rede de amigos blogueiros criada. Mas, sei lá. Tem certas coisas que leio que me fazem desistir de escrever. Não pelo fato de serem ruins, pelo contrário. São tão boas que não me considero apto a colaborar, a confrontar, a participar.

São sintomas de três defeitos meus: a megalomania, a pouca auto-confiança, o egoísmo. Megalomania porque eu quero ser sempre o melhor. Se eu não for, não brinco. O problema é que eu, obviamente, não sou. E ainda bem que não. Se fosse, o mundo blogueiro estaria nivelado por baixo. Isso nos leva ao segundo defeito: como há gente muito melhor, tudo o que eu tentar fazer vai ser, no máximo, mediano. Pra que perder tempo fazendo algo mediano? Pouca auto-confiança. Pouca confiança na minha capacidade de aprendizado. Uma pessoa saudável começa mal e melhora, até ficar boa. Eu começo mal até desistir. Tem ainda o egoísmo. Assim como acontece com todo mundo, a leitura desperta o pensamento, o pensamento desperta a expressão. A expressão pode se desdobrar na escrita. A escrita atrai a leitura, e foi assim que ficamos mais inteligentes. Eu leio, eu penso, eu fico mais inteligente, mas não me expresso. Mau, muito mau. Sinal de que sou egoísta, não aceito dividir meu conhecimento. Egoísta e contraditório: se meus pensamentos me são tão preciosos, por que não pô-los à disposição para enriquecer o debate, para serem endossados ou desmentidos? Porque não tenho tanta confiança assim na 'preciosidade' deles. Ainda bem, né. Pelo menos tenho semancol. Só acho que tenho um pouco demais e isso me impede de crescer.

Aonde eu quero chegar com isso? É um anúncio de que vou parar de escrever? Não. Na verdade é justamente o oposto. Espero que, após expor o problema, eu possa expiá-lo e passar a me levar menos a sério, pra poder ser um leitor e um escritor mais saudável e agradável. Poder fazer o certo. Ler, pensar, expressar, e integrar o ciclo. É assim que todo mundo faz. Não sou melhor nem pior do que ninguém pra não querer participar do jogo.

Pra quem chegou até aqui, este é só um post-desabafo. Não há nenhuma revelação, nenhuma piadinha, nenhum link legal pra reparar seu desapontamento. É a só a constatação de uma situação, e as consequentes impressões retiradas da mesma. Agora, com licença. Vou ler um pouco.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sexta feira passada...

foi dia de comemoração, a conspiração se reuniu e foi celebrar o primeiro emprego do Esquisito, é claro que nós esperamos um mês e como o emprego era dele foi justo que ele pagasse a conta. Fomos a um restaurante de boa fama num shopping muito longe da minha casa, eu não gosto de admitir mas eu realmente moro longe de tudo, não importa o lugar que marcamos eu sempre vou demorar para chegar, mas vamos deixar isso de lado porque se não o Chato vai ficar me chateando com isso, e eu serei obrigada a falar do acessório à la Jack Sparrow que ele cisma em usar.

O Restaurante era ótimo, como era rodízio aproveitamos para encher o bucho, menos o Lerdo é claro que não quer perder o posto de desnutrido no grupo. Tinha música ao vivo com um cantor que segundo as palavras da Vilã conseguiu ser pior que o Rogério Flausino, é mas não sou eu que tenho todos os CDs do Jota Quest.

Em fim foi um ótimo encontro com comida, risada, lembranças, planos e comemoração. Parabéns ao Esquisito que agora é forte, rico e independente, praticamente irresistível.

domingo, 9 de agosto de 2009

Quem poderá nos ajudar???


Minha amiga Darinha, nossa leitora fiel, me relembrou de algo que eu já tinha dito a algum tempo, mas que continua sendo minha opinião e como faz muito tempo que eu não escrevo para o blog vou falar sobre isso.

O tema em questão são os super-heróis, eu me lembro que esse assunto surgiu numa conversa sobre Batman O cavaleiro das trevas, faz muito tempo que eu vi esse filme, mas o ponto ao qual eu quero chamar atenção é para a importância da figura do Herói, como alguém que trás esperança as pessoas.

Eu sempre pensei que esperar demais por um herói, um salvador da pátria era um grande erro. Em muitos casos isso ao invés de dar esperanças isso acomoda as pessoas * como se precisassem de motivos para se acomodar*.É tão mais fácil parar e esperar alguém que vai te salvar e que vai punir todo os vilões que te fizeram mal e que vai ensinar que o bem sempre vence e que a justiça esta ao seu lado.

Seria tão mais produtivo se cada um lutasse suas próprias batalhas, sejam elas pessoais ou coletivas, se cada um assumisse suas próprias responsabilidades. Mas sinceramente eu não vejo jeito disso acontecer, por que além de pessoas dispostas a esperar por um salvador existem pessoas que tentam assumir esse papel, mesmo que bem intencionados e realmente querendo conseguir uma melhora coletiva, não acredito que o mundo possa ser salvo assim.

Tornei-me uma pessoa descrente, será que tudo que eu escrevi nesse texto foi uma idiotice e que eu preciso mesmo acreditar em um herói?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Direto da Redação

Saúde: Tem algo de errado nessa tal gripe suína, os especialistas dizem que a taxa de mortalidade é a mesma da gripe comum. Mas todos os dias o alarde feito em torno da doença é maior. Pergunta: por quê? Afinal, a gripe do vírus A H1N1 está sendo subestimada ou superestimada?
Uma forma de saber seria divulgando o número de casos e mortes pela gripe comum também, mesmo que uma estimativa. Não dá pra comparar doenças sem conhecê-las por completo.

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Esporte I: O Botafogo venceu o Inter-RS no sábado com um placar de 3x2. Depois de três jogos em que saiu na frente e deixou o adversário empatar, o Glorioso quase manteve a sina ao permitir dois gols do time gaúcho em 18 minutos. Não fosse o gol de desempate de Alessandro, o alvinegro ainda estaria na zona de rebaixamento. Há que se destacar um fato, porém: mais uma vez a arbitragem prejudicou o Botafogo, marcando um pênalti não-existente. A diferença é que, desta vez, a equipe foi competente para vencer adversário e juiz. Contra Flamengo e Náutico, o Botafogo até jogou um pouco melhor que ambos, mas não superava a 'qualidade técnica' de árbitros e bandeirinhas.

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Esporte II: Desde a semana passada, temos assistido ao Mundial de Natação em Roma. E a história é sempre a mesma: muito ufanismo e pouca medalha. Não, não me entendam mal. Não estou cobrando de nossos atletas um desempenho similar ao de colegas americanos, australianos e franceses. A natação brasileira evoluiu imensamente nos últimos anos, mas ainda temos um bom caminho a percorrer. Meu recado é para a imprensa, que cisma em tratar o Brasil como potência em qualquer esporte. Isso está longe de refletir a realidade e cria um ambiente em que o próprio torcedor não admite uma derrota que, se pensada de forma sensata, era óbvia. Esse tipo de pressão prejudica o esporte... ou vocês acham que o Diego Hyppolito adorou ter sido chamado de amarelão depois da queda em Pequim. Ou vocês acham que o Guga morreu de felicidade na época em que, por conta de sucessivas lesões, ainda tinha que ouvir piadinhas de que estava bichado. Enquanto isso, nós assistimos aos nossos políticos defenderem o nepotismo e nosso presidente reivindicar tratamento diferenciado para brasileiros 'mais' e 'menos' importantes, enquanto deveriam estar investindo na formação de atletas e, acima de tudo, seres humanos.

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Tecnologia: Darei um voto de confiança ao Windows 7. Tenho o desprazer de utilizar máquinas com Windows Vista, capazes de fazer processadores dual-core e 4GB de memória parecerem pouco. Na verdade, a qualidade maior do Vista é fazer o usuário enlouquecer de fúria.
Mas (esse 'mas' volta depois)... a Microsoft demorou pra chegar a um bom sistema operacional. Até hoje eu lembro do sonzinho de inicialização dos Windows 95 e 98. Isso porque eu era obrigado a reiniciá-los tantas vezes que a musiquinha ficou na cabeça. Depois vieram o Me, o 2000, até que chegamos ao XP, o mais próximo que tivemos de um Windows bom.
Francamente, o XP é sim, um bom S.O. E isto ficou comprovado com o lançamento do Vista, que tem muitos avanços (o sistema de busca é ótimo), mas que só podem ser sentidos em computadores que ainda não foram inventados.
Mas... (olha o 'mas' aí!) a Microsoft é famosa por trabalhar na base da tentativa e do erro. Eles tentam, erram, consertam, erram de novo, consertam o conserto e, assim, vai construindo seu império. Portanto, meu voto de confiança para o Windows 7 vai pelo simples fato de que o Vista é um parque de diversões tão grande de erros, que os engenheiros mal terão por onde começar a consertar.

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Imprensa: As 'notícias' acima foram escritas depois de remoer uma discussão que tive com a minha mãe sobre a não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. Eu apoio a queda da lei, ela acredita que só o diploma pode garantir a boa qualidade da informação. Como parte de seu argumento, ela usou um artifício típico da imprensa: tentou manipular meu discurso para fazer parecer que eu era contra a educação superior. Tudo bem, eu faço o mesmo aqui e agora: manipulo o discurso dela pra fazer parecer que ela me acusou da forma como eu falei. Jornalismo é isso: parcial, opinativo, humano. Agora, o dado empírico: acabo de escrever textos jornalísticos, mesmo não tendo diploma de jornalista, mesmo sequer estudando jornalismo. Devo ser punido por isso? Vamos lá.
O maior patrimônio de um jornalista é sua credibilidade. Se ele realiza bem o seu trabalho, seu patrimônio aumenta ou se mantém intacto. Caso contrário, ele perde influência e pode até cair em desgraça. A faculdade de jornalismo ensina ao profissional os métodos de verificação e geração de notícias que permitam manter a relação de confiança com o leitor. Se o cara não tem essa bagagem, cedo ou tarde vai errar, e sua credibilidade sofrerá um golpe. Essa é a importância da faculdade: ensinar método, ética. Sem estes elementos, o jornalista não é competente e confiável.
E por que eu defendo a não-obrigatoriedade do diploma?
Porque não cabe ao governo decidir em quem eu devo confiar para receber uma informação. Sou eu, o leitor/espectador. Isso é liberdade de expressão em sua mais pura forma. Você leu o meu 'clipping'. Garanto a você que foi escrito com a maior sinceridade e parcialidade possível (parcialidade, sim). Se achar que foram notícias de qualidade, minha credibilidade aumenta e minha audiência também. Caso contrário, moscas para este blog.
Sem contar o fato de que diploma não é garantia de profissionalismo. Na era da internet, a gente vê como alguns 'grandes' jornalistas não são tão grandes assim. De muitos pequenos, então, nem se fala. O contrário também vale: o trabalho do Drauzio Varella é ou não jornalismo? É ou não um ótimo jornalismo? Usei ele como exemplo, mas há uma quantidade enorme de especialistas que conseguem traduzir perfeitamente para o grande público os assuntos com os quais tratam.

No meu caso, vale um pequeno parágrafo sobre minha breve carreira jornalística. Como tenho autocrítica, aviso de antemão que, se quiser fazer isso profissionalmente, cursarei a faculdade, obterei meu diploma e aprenderei como praticar o jornalismo da forma mais honesta possível. Não pela força da lei, mas em respeito ao leitor.

Boa noite.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Não!

O blog não morreu...









Só queria deixar isso claro

domingo, 31 de maio de 2009

O porta-vozes

Era muito propenso a frases de efeito. Sua cabeceira era lotada de livros de auto-ajuda e sabedoria chinesa. Sua inteligência e capacidade de resolver problemas eram condicionados à memória que tinha de frases impactantes e famosas. Justiça seja feita, neste quesito era catedrático. Quando a fábrica foi à falência, lembrou-se de Nietzsche: "O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte". Reergueu-se. Após anos de boemia, lembrou-se de Quintana: "Amar é mudar a alma de casa". Casou-se. Irritou suas colegas ao repetir Nelson Rodrigues: "As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado".

Mas era uma pessoa amável. Bom orador, tomava para si as responsabilidades coletivas. Discursou em pátios, organizou passeatas, liderou greves. Com a ajuda involuntária de Herbert de Souza:
A tecnologia moderna é capaz de realizar a produção sem emprego. O diabo é que a economia moderna não consegue inventar o consumo sem salário!

Conquistou o amor e o respeito dos filhos educando-os com base em sua filosofia:
Uma geração constrói uma estrada por onde a outra trafega.

E como trabalhou, e como construiu. Seus filhos se formaram, formaram outras famílias e veem o pai como uma espécie de bússola moral. Como diria Sócrates:
Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.

Até o dia em que ele descobriu a seguinte frase:
"A vida é boa". (Machado de Assis)
Reza a lenda que esta foi a última frase proferida pelo Mago do Cosme Velho, em seus minutos derradeiros após o sofrimento de um câncer na boca.

Frase tão simples o tocou tão profundamente, que decidiu fazer dela, também, suas palavras finais. Machado de Assis é genial até na hora de morrer. Como é possível alguém que vislumbre com tamanha clareza a aproximação do fim e consiga ter inspiração para abalar vidas?

Pois foi o que acabara de ocorrer. "A vida é boa", dizia todas as noites, antes de dormir. Nunca se sabe quando a Indesejável lhe faria uma visita. Quando teve o ataque cardíaco, fez tamanho esforço para dizer as palavras que por pouco não resistiu de fato. Foi assaltado, mas só sabia dizer "A vida é boa" para os bandidos que, irritados, deram-lhe chutes e tapas e só não o mataram em respeito às suas rugas e cabelos brancos.

Hoje, porém, os médicos estão desacreditados. Sua doença progride rapidamente. Os remédios já não controlam as dores e os filhos sofrem ao ver um grande homem definhando. Mas a admiração que todos no hospital têm por ele é a mesma que conhecidos de outros tempos tinham. Já não pode mais comer, já não pode mais respirar sozinho, já não pode mais se mover sem sentir dores, mas nunca deixa de dizer:
— A vida é boa.

domingo, 10 de maio de 2009

Pelo Avesso

Há muito, muito tempo guardo isso pra mim. Evito entrar no mérito da questão pelo simples motivo de que, por mais que eu esteja certo (e estou, não duvide), para os novos criadores de dogmas eu sempre estarei errado. Eu e uma corja de 'direitistas', 'reacionários', 'racistas' etc. para ficar nas ofensas acadêmicas.

Mas ontem foi a gota d'água. Estava eu na livraria, folheando uns livros, vendo o preço de CDs e DVDs (pela hora da morte) até que minha atenção se voltou para o nome de uma autora que gosto muito: Agatha Christie. O nome do livro era 'E não sobrou nenhum'. Até aí, nada demais. O estarrecedor era o que estava escrito em letras menores, quase como um subtítulo:

"Anteriormente publicado como 'O Caso dos Dez Negrinhos'".

Não, eu pensei. Deve haver um erro de redação aí. Talvez eles quisessem dizer "Publicado anteriormente a 'O Caso dos Dez Negrinhos'". Virei o livro e li a contracapa. Onde deveria haver:

"Dez negrinhos vão jantar enquanto não choveUm deles se engasgou e então ficaram nove"

Havia:

"Dez soldadinhos vão jantar enquanto não choveUm deles se engasgou e então ficaram nove"

As duas versões do livro da discórdia: em uma edição de 1981 e a nova, publicada no começo de 2009.

Incrédulo, larguei o livro na prateleira e parei para pensar a que ponto chegamos.

Para quem não conhece, este é um dos romances de maior sucesso da escritora, cujo título é inspirado em uma historieta infantil inglesa, onde cada um dos negrinhos do título acaba morrendo de forma brutal até que... não sobra nenhum. Bom, não vou discutir a adequação deste poema a crianças, mas o fato é que, Agatha Christie usou-o, sim, como fonte de inspiração para sua obra-prima. Lançado com o título original 'Ten little niggers' em 1939, enfrentou resistência nos Estados Unidos já em 1940, quando recebeu o nome 'And then there were none' para entrar neste mercado. Na maioria dos outros países, no Brasil inclusive, traduziu-se o título britânico. Até o ano de 2009, quando a praga do politicamente correto resolveu que a censura é a melhor maneira de alçar uma causa ao sucesso.

A América da década de 40 (me corrija, Psicopata, se eu estiver errado) era um país onde o racismo era política institucional, e os primeiros e tímidos passos em direção à igualdade racial estavam sendo dados. Em um ambiente como aquele, seria natural que termos como 'nigger', que ainda hoje é considerado um xingamento por aquelas bandas, fosse banido. O que não justifica a mudança do título aqui.

Será que ser chamado de 'negro' no Brasil também é xingamento? Ainda não (por enquanto, e pra algumas pessoas), mas o fato é que nós estamos andando para trás e colocando em prática aqui o racismo institucional. Às avessas, mas pronto pra gerar o mesmo ódio e intolerância que este tipo de política sempre gerou. Todo dia a gente vê uma cota aqui, uma ação afirmativa ali, não raro patrocinado pelo governo. Sempre com o argumento de que é uma forma de reparar o mal causado pelas elites burguesas ao bravo negro trabalhador.

Mudarão também a nossa cultura, o nosso folclore: com vocês, o Afrodescendentezinho do Pastoreio

Levar isto à arte, no entanto supera largamente os limites do tolerável. Nosso 'Boi da Cara Preta' virou 'Boi do Piauí' em algumas escolas, sabiam? Escolas! Daqui a pouco vão queimar livros. Vai acontecer uma nova Revolução Cultural, uma Revolução Cultural Racial. Mas os afrodescendentes (o termo 'negro' será proibido) continuarão a receber olhares desconfiados por onde passarem e as piadas racistas continuarão a ser contadas pelas mesmas pessoas que defendem a política racialista. Porque não ter preconceito no papel é muito fácil. Na vida real é mais fácil ser hipócrita.

Aliás, que raios de defesa dos negros é essa em que tudo relacionado à raça deve ser suavizado? Será que ser negro é algo tão abominável que se faz necessário o uso de eufemismos? Ah, pelo amor de Deus. Pior é ver que essa tendência é mundial. Digo, ocidental, pois no oriente médio os judeus e os muçulmanos estão mais preocupados em se aniquilar.

A única coisa boa dessa história é que, só vendo tudo virado pelo avesso é que podemos perceber que, pelo avesso, somos todos iguais. Esse tipo de absurdo nos faz observar o óbvio. E a noção do óbvio é o que mais faz falta no momento.

domingo, 26 de abril de 2009

Evitando a anarquia

Durante uma aula de Hitória do Brasil o professor cita o protesto ocorrido na Cinelândia pelas diretas já, é então que se segue o diáldo a aogo de duas alunas:
D.: -Eles podiam fazer esse protesto no Campo de Santana pra rememorar né?!
S.: -Ei, não ia caber tanta gente lá...
D.: -Ah, acho que ia sim...
S.: -Cara, não pode pisar na graminha, eu acho...
D.: -hã tá! [?] ...Mas não é um protesto??
S.: -Er.. é cara, depor o governo pode, mas pisar na grama já é anarquia poxa...

Obs: agradeço a Dari por trascrever o diálogo.
Obs2: Ok eu admito, a aluna 'S.' sou eu . Mas a graminha não é aliada do governo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A vida em dois pólos

E todo mundo já ouviu algum dia que tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim. Não só ouvi incontáveis vezes, como também usei de consolo para outros quando já não se sabia mais o que falar. Nesses momentos recorre-se à frases prontas e de efeito só para o silêncio constrangedor não agravar o drama da situação.

Mas isso se evidenciou para mim de uma forma que eu não gostaria. Pude compreender, tão claro como a operadora de celular, esse lado maniqueísta das coisas da vida.

A piadinha [uma das mais sem-graças que saíram do meu teclado em todo meu curto tempo de blogueiro] envolvendo o celular não foi em vão. Pois o lado bom do último acontecimento mais significativo da minha vida foi que troquei meu celular. Recebi uma mensagem, um spam da Vivo informando que havia ganhado alguns reais para trocar meu aparelho. E segundo a filosofia d'O Lerdo, "spans são reais, spans não existem no mundo das ideias". Sábias - e "forçadérrimas" - palavras que eu não esquecerei e que me fizeram comparecer a uma loja da operadora.

Eu até estava satisfeito com meu, agora antigo, celular. Tecnologia não me enche os olhos. Nem sei em qual MP estamos, visto que para mim até o 3 bastava. O arcaísmo do antigo aparelho não me deixa mentir. O recurso mais moderno que ele possui é uma agenda com capacidade de mil nomes. Sim, mil.

Resolvendo dar uma chance à modernidade, escolhi um celular já ultrapassado, pois quanto mais tecnologia um celular possui, maior será também o seu preço. E o bônus não me permitia muitas coisas. Bati o olho num Motorola. Câmera VGA. "É, ok, não é lá uma grande câmera, mas vai quebrar o galho. Dá pra fazer um ensaio sensual pocket version e mandar para o pessoal da Conspiração, assim poderão carregar minha sensualidade no bolso". Agenda... com mil nomes! "Já tô no lucro. Não tenho nada a perder". MP3. "Ê, poderei ouvir Keane em todos os lugares". Cartão de Memória de 1Gb - "Decidi!" - grátis com músicas da - "Será esse mes..." - Mallu Magalhães - "Ah, porra! Vai se fuder!".

Não tive escolha. Levei para casa um celular com músicas da pentelha. Como meus companheiros conspirados andam num momento de sabedoria, reflexão e luz, as últimas palavras d'O chato aqui no blog vieram ao meu encontro. Na verdade, eu sempre fui volúvel também, aí só bastou pensar por mim mesmo. "Vou ouvir essa praga. Quem sabe minha vontade de dar um soco em sua cara diminui? É, não seria justo apagar as músicas sem ouvi-las".

Respiro fundo. 1, 2, 3. Play. Ouço uma bateria com uma batida até agradável. Bato o pé no chão no mesmo ritmo. "You know you've got, babe". Os pés ficaram estáticos. Gelei. Ao imaginá-la cantando esses versos, não sei se o enjôo aumentava pelo que via ou ouvia. Já verde, aguentei até a metade, e avancei a faixa. E avancei novamente, sem hesitar, esperando que ânsia de vômito seguisse o sentido inverso. Terceira música. Cheguei na tal da "Tchubaruba". Por convenção mundial, esse título é terrível, mas o instrumental inicial me deixou com coragem de ouvir mais um pouco. A voz de filhote ganso gripado já era ouvida. E para minha surpresa, eu gostei da música. Cheguei ao fim em bom estado de saúde.

Próxima música. "É darei mais uma chance". O nome é "O preço da flor", a única com título em português. Quando ela entoou "Qual o preço dessa flor... que vem"... Não sei expressar o que senti, é complexo demais. O horror, o horror. O exemplo de algo que não deve ser gravado, não deve ser ouvido. Aí comecei a relembrar do seu retardamento evidenciado no programa Altas Horas e tirei o fone.

Declaro publicamente minha aversão à pentalha da Mallu Magalhães. Mas deixei "Tchubaruba" no celular caso dê vontade de ouvir...

terça-feira, 21 de abril de 2009

I just give it a try...

De uns tempos para cá, alguns de meus amigos (a.k.a Conspiração) relatam certa volatilidade das minhas opiniões, a qual eu discordo completamente, e quero, através desse post, discutir isso.

Raul Seixas, que Deus o tenha, disse uma vez “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” muito sabiamente em uma de suas músicas. Não sou fã do Raul e muito menos me importo onde é que ele esteja agora, porém, como preciso de alguma coisa para basear meus argumentos, usarei suas palavras.

Aqueles dois versos expressão bem minha opinião quanto ao, como posso dizer, meu aperfeiçoamento de ideias – tratado por alguns como falta de personalidade. Tal falha de caráter está relacionada, a meu ver, a falta de critério ao incorporar conceitos novos ou a total edição dos já formados, o que, de fato, não acontece comigo.

Sou a favor da antropofagia modernista – aquela ideia de mastigar o que o homem produz, engolir o que se adequar a você e cuspindo o que não - pois acho muito saudável adicionar novos pontos de vistas aos meus de forma crítica. Isso me faz crescer, ou pelo menos deveria.

Então, caros amigos, parem de me perturbar quando eu passo a usar o Twitter depois de descobrir suas funcionalidades, uma vez que o achava inútil; ou quando eu passo a gostar de Guitar Hero após jogar com guitarra (o que faz uma grande diferença), apesar de ter dito a priori que não gostava; ou qualquer outra vez que mudar de ideia em relação a algo, pois não o faço sem um motivo próprio. Ao invés disso, copiem a minha mania de sempre dar uma segunda chance as coisas.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Era uma vez...

Era uma vez uma menina que percebeu que sua casa estava muito silenciosa, já era noite então resolveu procurar sua família. Percebeu que sua mãe e irmã estavam na rua e seu pai dormindo no quarto, quando ela estava fechando a porta, escutou a voz dele, ainda bastante sonolento, dizer:
- Que cara branca é essa garota? Passou algum creme?
- Não pai meu rosto é assim mesmo. – respondeu ela antes de fechar a porta.

sábado, 11 de abril de 2009

O Guia do Mochileiro da Baixada

"Fala aí, eu queria uma mochila com muitos³ compartimentos!"

Não, não é um post turístico. Mas depois de quase quatro horas andando nas lojas e shoppings da cosmopolita Nova Iguaçu, sinto-me em condições de opinar sobre mochilas de subgrifes e lojas que vendem tais objetos tão importantes para nossa sobrevivência.

Esta fábula começou há dois anos, quando percebi que a mochila caríssima (para os meus padrões) que eu havia comprado era de uma qualidade decepcionante. Pelo preço que paguei, eu substituiria o decepcionante por ultrajante. Não citarei a devida marca pois ainda adoro seus produtos (menos as mochilas) e acredito que este fato isolado foi apenas um momento infeliz do meu relacionamento com a loja.

Você deve, então, se perguntar por que eu fiquei dois anos com uma mochila se, já nos primeiros dias ela dava sinais de que não suportaria ser usada pelo ser mais desastrado do mundo (supondo que esse ser seja eu). É que, ao contrário dela, aguentei bravamente as trocas de zíperes, as costuras e os remendos. Mas chegou um momento em que não dava mais. Seria de crueldade sem par submetê-la a outra cirurgia para consertar o maldito bolso da frente.

Então, há duas semanas fui procurar uma mochila nessas lojinhas de rua. Aquelas você deve evitar passar em frente, caso contrário, os vendedores te puxam pra dentro e te tratam como amigos de infância, tipo:
- Coé, irmãozinho! Não quer ver essa super-bermuda estampada, não? - ele diz, mostrando uma daquelas figuras de ilusão de ótica em formato de bermuda.
Apesar de ir contra meus valores e princípios, essas lojas têm muitas mochilas de boa qualidade, e era disso que eu precisava.
O vendedor me mostrou uma muito boa, perfeita para minhas necessidades e com um preço bom. Só havia um problema: sem grana e o limite no cartão quase estourando. O jeito era esperar:
- Sabe como é, cara, eu vou dar mais uma volta e qualquer coisa eu apareço. - pra não dizer: "Sou pobre, me paga um lanche?"
- Pô, irmãozinho. Corre que essa é a última.

Engraçado que quando a gente fala que vai dar mais uma volta eles sempre mandam essa de "a última". Só que ele não estava mentindo. Quando eu voltei a mochila perfeita já não estava lá. Tudo bem que eu só voltei depois de duas semanas, mas isso não exclui a possibilidade de aquela ter sido realmente a última. O que fiz? Fui ao shopping procurar mais. Entrei numa loja conhecida, onde já havia comprado uma mochila, mas quando estava na sexta ou sétima série. A vendedora, muito simpática, me mostrou vários modelos. Todos legais, todos dentro do meu orçamento, mas nenhum igual à mochila perdida. Até que ela, meio hesitante, falou:
- Vendemos também as multimarcas, que você deve saber que são mais caras.
Foi a minha vez de hesitar:
- Tudo bem, eu queria dar uma olhada.
Eu detesto coisas de pseudogrifes, tipo Billabong, Reef etc. Primeiro porque são caras, segundo porque são espalhafatosas, terceiro, porque são caras e espalhafatosas. Mas ela me mostrou uma mochila que conseguia ser melhor que a minha favorita anterior, preta, compacta, muitos compartimentos, de uma marca pouco conhecida chamada Element. Perfeita. Preço:
- 180 reais.
Não estava em meus planos. Ela reparou:
- Mas posso ver um desconto aqui pra você.
"Legal, vai pra 170...", pensei. E ela volta:
- Te dou 30% de desconto no dinheiro!
Não consegui esconder minha surpresa. Ela reparou:
- Ainda fica meio pesado?
O desconto me seduziu, mas eu não queria demonstrar:
- É, um pouco, e eu não queria mochila de marca, chama muito a atenção, sabe? Eu vou andar com ela pra muitos lugares e talz... acho que vou dar mais uma volta aqui por aí...
- Você pode procurar, mas vai acabar voltando. - ela disse, e eu me assustei.
Só faltou dizer: "Seu destino está traçado..."

Realmente, 30% de desconto era tentador. Com isso, o preço da mochila cairia para um valor aproximado ao que eu havia pago pela mochila velha. Não era vantagem nenhuma, mas ao menos cabia no meu orçamento.
Com os 30% na cabeça, visitei dezenas de outras lojas de tchutchuca, com mochilas iguais às bermudas e os vendedores tentando me convencer:

- Poxa, essa daqui tem muitas divisórias.
"30%"

- Essa é de ótima qualidade.
"Não adianta procurar, você não vai encontrar melhor"

- Poxa, super-discreta, essa estampa hipnótica, cheia de listras, pontos, xadrez, ilustrações é preta-e-branca, dá pra usar em qualquer lugar.
"Consigo esse desconto, mas só pra hoje"

Quando eu cheguei na loja mais tchutchuca de todas, percebi que atingira o fundo do poço. Uma vendedora me recepcionou, enquanto a outra ficou na porta dançando funk. Ambas devidamente vestidas para matar, ou seja, jeans apertados, aquelas blusas tomara-que-caia que têm as formas dos seios, não sei explicar direito. Enfim, bem potranca mesmo. Elas me mostraram as mochilas e eu, cada vez mais desconfortável com o ambiente e com a música, disse que nenhuma delas atendia às minhas necessidades.

Dei o braço a torcer. A menina estava certa. Reconheci minha derrota e retornei ao campo inimigo. Desta vez quem se surpreendeu foi a legião de vendedores. Tentando disfarçar, ela disse: "Eu falei que você não encontraria melhor."
Enquanto eu entrava na loja pra pagar o produto e levar a mochila, entreouvi um trecho de uma conversa entre a gerente e um outro vendedor:
- ...jeitinho humilde...
- É, cara de morador de Austin.

Foi quando caiu a ficha:

CARA DE POBRE!

Era óbvio que eles me deram 30% de desconto porque acreditaram que eu não iria levar. Safados!!! Me trataram bem, esperando que eu comprasse uma pulseira, pelo menos, e resolveram brincar com os meus sentimentos uhauhahaauauhauha. Minha mente diabólica começou a funcionar alucinadamente, eu sentia necessidade de me divertir com aquilo.
Enquando a vendedora embrulhava a mochila, ia falando:
- Você tem que ver que nem sempre a gente pode se ligar no preço...
- É, eu sei, mas já tive várias mochilas de marca que não resistiram nada - dei o golpe certeiro.
- Você tem que ver que nem sempre a gente pode se ligar na marca...
- Nem fala, eu tenho um monte delas em casa que hoje estão completamente acabadas. Elas não prestam, a gente paga um preço alto esperando levar qualidade e só se decepciona. Por isso eu decidi que só compraria mochilas baratas.
- Mas essa é boa, você viu, né? - Percebi um tantinho de desespero, ao ver que a compra seria realmente efetuada, e o playboyzinho de Nova Iguaçu iria lhe roubar parte da comissão.
- Não, essa é perfeita.
- Ai, que ótimo - Quase chorando...

A caixa, assim como eu, ficou surpresa ao conhecer o valor do desconto:
- Trinta por cento?
- É, ele é cliente VIP.

E assim eu levo uma mochila boa, com um desconto ótimo, e ainda termino sendo chamado de cliente VIP.

Toda essa fábula pra dar uma dica de ouro aos leitores-consumidores, sobre como se portar em uma loja:

Entre com cara de pobre, saia com cara de rico.

Mesmo você não sendo nem uma coisa, muito menos outra. O que importa é que você termina o dia numa felicidade de dar gosto.

segunda-feira, 30 de março de 2009

100 ideias

E ele demorou pra chegar, e a gente pensou, e a gente opinou, e a gente se animou... e no final, o esperado post 100 não saiu como o esperado (nem de longe). Ainda bem que sempre teve o plano B pra ajudar no impasse. Beleza, quem sabe no 200.

Nem sempre a gente pode fazer o quer, mas pode-se dizer que foram 100 posts bem vividos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Saiu ontem nos jornais...

"Carro de Glória Maria é roubado no Rio de Janeiro"

A manchete foi capa dos jornais Meia-Hora [claro!] e O DIA, e provavelmente do EXTRA e do Expresso também, mas apenas os dois primeiros eram vendidos no Japeri que eu peguei para ir à faculdade. Não só a Glória Maria teve seu carro roubado no Rio de Janeiro recentemente. E fico bobo como isso pode ganhar espaço na primeira capa do jornal. Ok, ela é uma pessoa pública. Ok, as editoras querem vender e, ao estampar o rosto de desespero e desconsolo da repórter poucos centímetros abaixo do nome do jornal, ocorre um acréscimo de vendas da publicação, sobretudo nos ramais Japeri, Santa Cruz, Belford Roxo e Saracuruna - ou seja, todos -, uma vez que inúmeros trabalhadores adquiriram o jornal apenas para saber o que se sucedeu com a ex, porém eterna, apresentadora da sua "revista eletrônica semanal" Fantástico. Ao lerem a notícia, vem a decepção. Seu carro foi roubado, mas quem passou por todo o terror psicológico foi apenas seu motorista; ela se encontrava no dermatologista. O que me faz perceber que nunca vi uma manchete de jornal tão precisa e verdadeira. O sensacionalismo poderia tentar a uma frase mais atraente, como "Glória Maria, além de despachada do Fantástico, sofre instantes de terror no Rio de Janeiro" ou, se fosse no Meia-Hora ou Expresso, "Ladrão safadão aterroriza ex-apresentadora do Fantástico!". Mas em prol de um jornalismo íntegro e que acima de tudo respeita seus leitores, resolveram vender a notícia corretamente. Foi apenas mais um roubo entre tantos ocorridos no mesmo dia. Chegou novamente sua vez de ter um patrimônio levado por algum filho da puta - lamentável -, mas para quê tanto murmúrio? E ela já pegou o Gerard Butler. A vida não é feita só de bons momentos.

Nota: Eu não comprei o jornal. Li maiores detalhes na internet.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Auto-estima em 2:23

Às vezes a vida fica difícil, né? Não vemos uma saída para os problemas e dá uma vontade imensa de desistir. Não o faça!!!! Quando sentir-se mal, lembre-se das palavras do mestre Chico e anime-se:

"Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
"
(Até o fim - Chico Buarque, 1978)

Em Chico Buarque.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Supino reto, 15kg. Três séries de 12.

1º sinal - Algo vai mal: sua mãe te chama pra fazer exercícios físicos;
2º sinal - Sim, tem algo realmente mal: você faz exames caseiros de IMC e porcentagem de gordura e descobre que está na categoria de subdesnutrido, no jargão profissional;
3º sinal - Fim do mundo: você se vê num vídeo e percebe que, se estivesse ventando, voaria. E se estivesse de noite, você estaria usando um pijama com uma listra só.

E assim, eu fui parar na academia: lugar onde as pessoas cultuam o próprio corpo, suam loucamente, olham uns pros outros com inveja/cobiça/luxúria e ainda encontram tempo pra fazer exercícios físicos.

Antes de iniciar minha jornada, que já dura dois meses (sem muitos resultados visíveis), entrei na sala do médico para fazer alguns exames: pois é, estou realmente subdesnutrido, mas graças à academia, descobri que também tenho escoliose sinixtro-convexa, hiperlordose cervical, pés abdutos, inclinação leve da cabeça para a direita, entre outras tantas desregulagens. Valeu, academia!

Depois deste banho de auto-estima, iniciei as aulas com um professor muito gente boa que, prontamente, ensinou os movimentos de cada exercício que eu deveria fazer. Isso todos os dias, porque eu nunca decorava. Posso utilizar meu cérebro pra várias coisas, mas a região responsável por movimentos e coordenação motora ainda é um campo a ser desbravado.

Dez minutos de bicicleta depois, não sei se eram minhas pernas, meus pulmões ou meus ouvidos os que mais doíam, porque aguentar o revezamento música eletrônica - axé - trilha de novela é mais cansativo que uma maratona. Por isso eu levei meu MP4 nas aulas seguintes. Aproveitei o período de carnaval e coloquei sambas-enredo pra escutar. É legal porque como quase todos os sambas têm uma divisão entre versos e refrões parecidas, fica mais fácil calcular quanto tempo falta pra série terminar.

Na esteira, porém, o samba não é muito indicado. Afinal, ele foi feito pra sambar, não pra correr. Nesse caso eu indico rocks alternativos bem dançantes, estilo Arctic Monkeys.
Tá, já esses foram feitos pra dançar, não pra correr, mas vai por mim, funciona direitinho sim ^^.

Depois do aquecimento, vem a musculação em si, onde eu me sinto um pouco ridículo por arfar no levantamento de pesos de 4kg. Mas é só olhar pro lado e ver aquele tio fazendo exercícios pros glúteos que eu percebo que pelo menos eu tenho senso do ridículo.

Por volta de 40 minutos depois, série terminada, vem a parte mais humilhante: o alongamento. Humilhante porque os professores nos colocam em cada posição que me faz lembrar aqueles caras do canal de kama-sutra, digo, vale-tudo. E porque eu também não sou bom em alongamento. Sequer consigo encostar a mão na ponta dos pés sem dobrar os joelhos. Quanto ao primeiro problema, eu tentei uma solução: procurar uma professora e me alongar com ela. Depois que ela quase me partiu no meio, eu parei com essa besteira de escolher hehehe ^^"
Com o professor o embaraço é maior, mas a dor é menor.

Enfim, como vocês devem ter percebido, estou exultante nesta fase da minha vida. E ainda tenho dois meses a frequentar, pois paguei adiantado (IUPIII!!!). Agora eu tenho que me retirar, pois só escrevi esse texto como modo de postergar minha ida. Mas não dá mais pra enrolar, né? Até depois do açaí.

Abaixo, o que nossos amigos Conspirados estão achando da minha nova empreitada.

'Eu também estou fazendo exercícios. Não vê que eu já estou com ombros?'
O Chato, tão iludido quanto eu.


'Gosto de você magrelinho desse jeito.'
A Psicopata, obrigado pela parte que me toca.

'Legal, agora você pode conversar com O Esquisito sobre academia, levantamento de pesos etc.'
A Vilã, sem o menor tom de deboche.


'Quanto é? (...) Que caro!'
O Esquisito, me dando apoio.

'Se ele é uma gracinha assim, imagina quando ficar gostoso?'
O Idiota, prefiro não comentar... ¬¬

' (...) '
A Interesseira, enquanto apalpa meu "peitoral" (põe aspas nisso)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Assim dizia o poeta...

"O ano só começa depois do Carnaval."

E pra nós, ano novo é vida nova (recorrendo a outra frase feita), visual novo e novidades pela frente. Esperem sentados.

Conspiração. Conspirando mais do que nunca.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

[ você não sabe de nada ... ]

Ou você desiste dos seus amigos nerds [okei!], falsos [???] e infantis [hã?!] [a interesseira pensa: que me fazem rir, me divertem, me amam, e gostam de mim como eu sou]

Ou fica comigo
“Conhecedora” da vida com apenas 20 anos, experiente [!!!], que já foi maltratada pela vida e só quer te ajudar julgando seus outros amigos, por ser SUA SALVADORA e tudo que você é hoje é por minha causa [a interesseira pensa: que quer me mudar, me afastar dos meus amigos que me aceitam].
HuuuuuuuuuuuuuuuuuuuM
Creio que quero meus supostos amigos falsos, que são extremamente alegres e tristes cada qual na seu momento, e que são inteligentes SIM! \o/

*momento piegas*
AMO VOCÊS, MEUS CAROS
SEMPRE ESTARÃO NO MEU CORAÇÃO.

Bjão
Cuidem-se

Ps: E foi assim que é uma amizade de 5 anos acabou >.<
Uma velha amiga jogando a outra contra os demais amigos.

E mais uma vez...

- E você bebeu?

- Sim, bebi.

- Mas evangélico não pode beber não!

Ô, cacete! Pode me deixar em paz e não questionar o que faço da minha vida? Tá que eu não quero ir para o inferno, mas não são suas indagações que evitarão isso.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Assassinaram o Carnaval, é Carnaval o ano inteiro.

Começou assim: Nos primórdios da civilização, nossos ancestrais egípcios festejavam a época da colheita, que promovia a fartura e a fertilidade nas cidades à beira do Nilo. Mais tarde, os gregos mantiveram a essência do festejo, acrescentando outros elementos inocentes, como bebedeiras, bacanais, e todo tipo de prazer despudorado e ilimitado. Desfiles ocorriam pelas ruas, a euforia tomava conta das pessoas, escolas fechavam as portas, escravos eram temporariamente alforriados, a liberdade era total.

Depois, Nosso Senhor Jesus Cristo (para os que são cristãos, obviamente) foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus e transformou este acontecimento na data mais importante do calendário cristão, religião praticada atualmente por aproximadamente 2 bilhões de pessoas.

Estes parágrafos aparentemente desconexos não teriam relação alguma, não fosse o sincretismo religioso que a evolução da sociedade proporciona. As festas pagãs que começaram há seis milênios foram recebendo influências de povos e épocas distintas e existem até hoje, conhecidas pelo nome milenar de carnaval. Já a ressurreição de Cristo é comemorada na mesma época em que os judeus comemoram sua libertação do Egito e a passagem para a terra prometida. Além da data, ambos os fatos recebem a mesma denominação: páscoa.

Ocorrida no primeiro domingo depois do primeiro equinócio do ano, normalmente em março ou abril, a Páscoa é precedida por um período de penitências e privações, uma forma lembrar o sacrifício de Jesus para salvar a raça humana e dar-lhe a oportunidade de viver no Paraíso ao lado de Deus. Este período, chamado quaresma, como o próprio nome sugere, dura quarenta dias (quarenta e seis, pra ser mais preciso). O início da quaresma coincide justamente com a festa da carne, o carnaval.

Só pra deixar as coisas claras: eu, cristão, comemoro a páscoa em abril. Antes disso, passo quarenta dias fazendo jejum de vários tipos de bebidas e alimentos e pago penitências por meus pecados. Antes disso, eu sei que tem uma festa chamada carnaval, conhecida pelo liberou geral. Eu posso beber o que quiser, comer o que e quem quiser, extravasar (como diz certa cantora de... carnaval) todos os sentimentos reprimidos pela pesada mão da Igreja etc. Sejamos sinceros. É juntar a fome com a (literal) vontade de comer. O carnaval é agregado ao calendário cristão, como um festejo que antecede o "retiro espiritual" que é a quaresma, cujo ápice acontece no fim da Semana Santa.

Resumo porco: eu, cristão, aproveito o tal carnaval pra barbarizar, já que eu vou passar por quarenta dias de sofrimento na tentativa de salvar essa minha alma pecadora. Mais humano que isso, impossível.

Pulemos então aos dias de hoje. A Idade média chegou ao fim, a quaresma mudou, o carnaval mudou, mas a sensação de "liberdade" que ele proporciona ainda é palpável na maioria dos foliões. Aí eu pergunto: que liberdade? O que a gente pode fazer no carnaval que não pode fazer na quaresma ou em qualquer outra época do ano? Num devaneio surrealista, se fosse na Idade Média, ver a rainha da bateria peladona no carnaval seria uma atitude típica da festa. Pessoas fazendo sexo louca e irresponsavelmente também. Comilanças e bebedeiras seriam o símbolo de uma data.

Mas hoje isso é comum todo dia. A gente não faz mais jejum na quaresma. A gente não se empanturra só no carnaval. A rainha da bateria não causa furor se aparecer peladona no carnaval porque ela já faz isso o ano inteiro. O carnaval é, hoje, só mais um feriado prolongado. Com a pequena diferença de que as pessoas tentam ser um pouco mais indecentes que no resto do ano uhahuahuahuahua. Mas é um pouco, só.

Antes que me interpretem equivocadamente, eu não estou fazendo uma crítica puritana. Somente uma reflexão. Não quero uma volta da quaresma e da Idade Média. Posso não ser um entusiasta dessa pretensa "liberdade" pós-moderna, mas sei bem o valor do carnaval que temos. Meu problema não é o Carnaval, pelo contrário, é o resto do ano. É essa "liberdade" carnavalesca que inventaram e te obrigam a exercê-la nos 365 dias e 6 horas da translação em torno do sol. É preciso beber como se fosse carnaval, se drogar como se fosse carnaval, fazer sexo como se fosse carnaval. Caso contrário, você não é livre. É um oprimido, um reprimido. Ah, pro inferno essa gente! Isso sim é repressão. Se eu sou livre, posso escolher não viver essa existência vazia travestida de subversão contestadora. Isso colava na década de 60, hoje não cola mais.

Dito isto, hoje tiro o meu chapéu de bamba pra alguns evangélicos que eu conheço. Eles pecam o ano inteiro, e aproveitam o carnaval pra fazer o tal retiro espiritual. Isso sim é ser subversivo de verdade. Boa folia pra quem chegou até aqui.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O meu leãozinho

Conforme o tempo passa me certifico que fiz pelo menos uma escolha certa na vida, o nome do meu cachorro. Eu estava na quarta série, minha mãe trabalhava fora e minha irmã era muito pequena para ficar sob os meus cuidados, ou seja, eu ficava boa parte do dia sozinha em casa, até que ele veio para minha vida e eu decidi que seu nome seria Simba, igualzinho ao filme ao filme o Rei Leão.

Nunca poderei me esquecer daquele tempo, ele era tão fofinho, comia na minha mão, quem diria que ela faria jus a um nome de leão. Mas o tempo passa e com ele o meu bebê cresceu e se tornou um cãozinho um tanto temperamental.

Por ser da raça poodle ele precisa ser tosado com certa freqüência e foi assim que ele acabou ganhando fama no bairro, vamos dizer que não são todos os pet shops que aceitam tratar do meu bichinho, atualmente apenas um trata dele e apesar dele ir dopado (nossa como me dá peninha quando ele fica dessa forma) eles nunca conseguem terminar o serviço e sempre deixam a parte do focinho por fazer.

Essa última vez foi o cúmulo, ele voltou totalmente barbudo, ele está parecendo um comunista, mas não quero um filho comunista, então acho que agora ele ganhou a sua tão merecida juba.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Brevíssimo colóquio na Avenida Rio Branco

- Vocês não se desgrudam, né?
- Nós somos amigos de verdade.


PS: Acho que é como na música do Pink Floyd:
"Together we stand, divided we fall"
(Hey you)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"Porcaria"

Às vezes até eu mesmo me surpreendo com minha capacidade de ser ridiculamente idiota. Mas ainda que seja um grau supostamente alarmante de idiotice, como se minha mente estive num estado anacrônico em relação ao meu corpo, essa é uma das poucas coisas que não tenho a menor vontade de mudar em mim. E olhe que nem todo mundo reage bem a esse meio jeito... melhor não defini-lo, pois "quem se define, se limita", como diz qualquer bissexual em estado inicial de autodescoberta. Falando nisso, ontem assisti um filme chamado Save Me que me deixou deveras confuso. É, acho que realmente há duvidas na mais absoluta certeza. Mas não é nesse ponto que quero divagar. Então, consigo viver bem com essa minha mania - que não é bem uma mania - de fazer jus a minha alcunha aqui do blog. Porque mesmo as coisas não estando muito bem na relação eu-comigo-mesmo, ainda consigo rir toda vez que vou ao dentista. O elevador do prédio da minha dentista são desses que falam. Há uma voz feminina que vem de algum lugar daquele cubículo e informa o andar em que o elevador se encontra parado. Tempos atrás, o transporte parecia da década de 20 [em escala temporal] e um caixote de fim de feira em proporções elevadas [em escala de risco de vida para os usuários do elevador], mas ele nunca deixou de falar. Subo e paro no quinto andar. "Quinto andar", sou informado e reajo indiferente quanto a isso. Na hora de descer, ao chegar no último destino possível, a voz informa - "Portaria". Só que, devido ao meu cérebro, a mensagem chega em meus ouvidos como "Porcaria", e eu acho a maior graça nisso. Até porque eu sempre esqueço que aquele negócio fala e eu sempre me surpreendo - com o elevador e comigo mesmo. Mas imaginar um elevador puto da vida, falando "porcaria", é realmente engraçado. Ou idiota. Nha, tanto faz. O importante é achar graça nisso tudo - aposto que qualquer autor de livro de auto-ajuda concorda comigo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Receita para férias medíocres

Começando pelo ingrediente principal, troque o dia pela noite. Mas não em prol de baladas, passeios noturnos com amigos, diversão, não, nada disso. Sua madrugada precisa ser um reflexo de tudo que você faz durante o dia, ou seja, nada. Isso gera um ciclo vicioso, você se verá aprisionado nesses costumes de tal forma que não conseguirá se livrar deles, o que é óbvio. Vejamos. É mais que provado, comprovado e atestado que não fazer nada cansa. Permanecendo nessa atividade árdua durante todo o dia, seu corpo, juntas e músculos serão afetados por leves dores - geralmente fruto de uma posição predominante em suas horas diárias, isto é, sentar em frente ao computador -, daí surge a necessidade de descanso. Muito merecido, sem dúvidas - não fazer nada requer muito esforço físico e mental, como já pode ter percebido. A questão é que dormindo sempre [e "sempre" nunca foi usado com tanta ênfase] após às 3 horas da manhã, que pode ser tanto 3h10m como 4h50m, torna-se impossível para o cérebro enviar o comando para teus membros realizarem tais ações como abrir as cortinas do quarto, desligar o ar condicionado [porque o calor é seu companheiro fiel nas férias] e, principalmente, levantar da cama, não antes de 11h30m. O período da manhã será extinto da sua vida, mas não se preocupe, você ganhará a madrugada.

Madrugada é um período para poucos, para valentes, não para perdedores que ficam com sono e vão dormir cedo - o que, sinto dizer, não será o seu caso, você vaga como zumbi em sua casa por ser um vagabundo e por acordar já em direção à mesa da cozinha para almoçar [pão será um alimento cada vez mais raro em sua dieta diária, diga-se de passagem]. Você se tornará dono da casa, terá poder, reinará no melhor silêncio, o qual nunca é tão intenso em outros períodos do dia. Caso divida o quarto com seu querido irmão, aproveite os dias em que ele passará as noites fora: você pode ler no conforto da sua cama, entre edredon e travesseiros, pois terá o domínio sobre a lâmpada do seu quarto, sem se preocupar
se seu irmão acordará com a claridade da luz; você pode entrar em sites impróprios para menores de 18 anos - que tanto quer acessar durante o dia e não pode por motivos óbvios - e se divertir com sua opção favorita de vídeos safadinhos - só certifique se a porta está fechada e a caixa de som do computador desligada para evitar possíveis constrangimentos com seus pais, que, vez ou outra, podem ameaçar seu reinado noturno ao acordarem para aquela ida típica ao banheiro.

Mas tome cuidado! A fome que pode se apoderar repentinamente de você na madruga é ainda mais incontrolável que a de qualquer outro período do dia; portanto, não descarte a possibilidade de retornar à faculdade com uns quilos a mais, até porque exercício físico [com exceção daqueles realizados quando seu irmão não dorme em casa] é definitivamente algo inexistente em suas férias. Outro ponto patológico importante é o da insônia. Você fará promessas de dormir cedo constantemente, frases como "Hoje eu dormirei antes da 1h!" ou "Hoje irei sair do computador cedo para ir dormir" comporão seus pensamentos mentirosos que nem você mesmo acredita. Quando essas palavras não tem mais valor, quando ler em plena 3h da manhã não tirá o sono de seu repouso num outro hemisfério bem longe do seu, é provável que esteja desenvolvendo uma insônia crônica, típica de períodos longos de recesso. Mas calma: a cura para a doença oriunda do regresso às suas atividades normais, que te deixará cansado de verdade, acarretando numa necessidade real de ir pra cama mais cedo.

Se orkut, e-mail, twitter, msn e afins não são suficientes para ocupar seu tempo na internet, é recomendável ter um blog - ou dois, em alguns casos. Postando diariamente, o número de visitas na sua página aumentará favoravelmente, fazendo de você uma futura estrela do meio blogueiro - se não conseguir tanto, ao menos 15 minutos de fama virtual terá conquistado. Seu ego inflará, fazendo até pensar que seu tempo no computador nem foi tão inútil assim. Pura ilusão. Coloque os pés no chão, dê uma olhada no número de comentários do seu último post e verá que seu blog continua em seu falido estado inicial.

Olhe para o alto e agradeça a Deus por gostar de cinema, só assim você terá algum objetivo nas férias. E não apenas um, mas sim duas metas a serem alcançadas! Isso num vazio existencial de proporção galáctica ganha um sentido imensurável que você não faz idéia. Alegre-se por finalmente ter atingido a tão sonhada média de mais de um filme por dia no mês de janeiro, mas não se contente com a uma mera conquista mensal: fevereiro já chegou e tente fazer ainda mais bonito com seus filmes - levando em conta que o mês tem menos dias e sua média pode ser ainda maior. Empolgante, não? Mas nada supera a corrida para conferir todos os filmes do Oscar. Sentir-se mais gabarito que o José Wilker e menos estúpido que o Rubens Ewald Filho - o que não é difícil, vale dizer - com teus comentários bem mais precisos e coerentes sobre a cerimônia te garante um grau de importância invejável - por poucos, ou ninguém, acredito, mas satisfação pessoal também é importante.

Pule, solte fogos e comemore quando - finalmente! - seus amigos da faculdade resolverem ir aquela adorável boate, que além de te trazer lembranças inesquecíveis, é sempre um ambiente promissor. Pegue uma ou duas - e pare por aí senão fica vulgar - pessoas do seu gênero preferido - ou o que esteja com abstinência já há um tempo - e enjoy. Melhora a auto-estima, faz bem para a pele e por mais que acorde no dia seguinte se dando conta que tudo não passou de uma noite e continua sem o desejado amor da sua vida, o momento terá sido bom o suficiente para te fazer sorrir durante a semana. Caso vá além de um/uma na festa, não seja burro e pegue o telefone do/da que mora no seu estado - esqueça o/a de São Paulo -, pois sempre é útil quando você bebe um pouco mais e a carência assola em níveis incontroláveis. Mas se devido às circunstâncias só tenha conseguido o telefone da pessoa de São Paulo, marque com ela antes que volte à sua cidade e, ao menos uma vez, vá ao cinema sem se importar com o filme. No saldo final, dará conta que ir à boate foi a melhor coisa que fez nas férias.

Depois da euforia da noite, retorne para casa. Obviamente, não era isso que você queria, mas contente-se. Contente-se com a pouca paciência que está tendo com seus pais, contente-se com conversas via teclado com seus amigos, contente-se com as poucas visitas ao seu blog, contente-se com as poucas vezes que seu irmão não dorme em casa e deixa você ao léu do prazer individual, contente-se, principalmente, com a falta de possibilidade de passar as férias num outro estado ou país. Volte para casa, volte a somente ver filmes e ficar na internet. Volte para a madrugada tão agradável e ociosa. Suas férias serão inesquecíveis, pode apostar.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Não por acaso

Hoje vi um filme cujo título é o mesmo do post. É um filme bem bacana, até dei um sorrisinho no fim. Não tenho gabarito para falar sobre filmes e odeio contar seus enredos (e que me contem também ¬¬), e por isso não farei nem um nem outro. Quero falar sobre outra coisa. Quero falar sobre destino, ou o seja lá como você o chame.

"Quem" é de fato esse senhor? Até que ponto ele é determinante em nossas vidas? Quando um acontecimento pode ser dito como resultado de uma escolha, uma eventualidade ou pré-determinado por um Ser Superior? Essas questões sempre me atormentam, pois acredito no livre-arbítrio assim como no Ser Superior. E é tão antagônico pensar:
"Eu tenho livre-arbítrio para fazer minhas escolhas, a vida é minha e faço o que bem quiser dela, mas o Ser Superior sabe o que é melhor para mim".

Minha intenção não é filosofar a fundo sobre algo tão maior para minha percepção humana - falha e unilateral -, mas às vezes me pergunto se o Ser Superior tem mesmo nosso destino já traçado. Será que nada do que faço é fruto do meu pensamento e das minhas decisões? Será o livre-arbítrio apenas um embuste para nos entreter?
E somos bombardeados o tempo todo com histórias do tipo "era para ser", "estava escrito nas estrelas" et cetera. Enredos de livros e filmes (reais ou ficcionais) nos "ajudam" muito a ter uma visão de que 0 destino nosso é este ou aquele, e fica tão difícil imaginar o contrário.
Por exemplo na sequência Antes do Amanhecer & Antes do Pôr-do-sol, como não acreditar que Celine e Jesse foram feitos um para o outro? Ou em A Lista de Schindler não acreditar que o seu destino era aquele? Que se não fosse ele, não seria ninguém mais?
Como não se deixar levar pela velha fábula de que "era o destino"?

Não sou de pregar ou impor minhas crenças aos outros, acredito que cada um é cada um. Sei que todo e qualquer ser pensa de uma determinada forma e respeito MESMO nossas diferenças. Não é porque meu semelhante pensa diferente de mim que isso significa que um pensa certo e o outro não. São as diferenças que nos aproximam e faz com que a humanidade - de certa forma - evolue. Mas será que pensamos diferente pelas nossas experiências de vida, pela nossa visão de mundo? Ou será pela vida já traçada de cada um?
Eu não sei. Você sabe?

Apesar de querer muito uma resposta sobre minhas dúvidas e saber que (talvez) nunca as obterei, não me deixo abater. Vou levando minha vida da melhor maneira que posso, acertando aqui, errando ali e torcendo para que o que eu mereço seja o que eu quero, pois no fim creio que obtemos apenas o que merecemos. Nada a mais, nada a menos.
Sei que o Ser Superior não é tão cruel com O pintam e gosto de pensar que quando Ele nos cria e nos manda para esse mundo, faz uma pergunta:
- O que você deseja?
E no fim, recebemos de acordo com nossa postura diante da vida que nos foi dada.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Mistério resolvido

Um dos meus sonhos secretos - que deixa de ser secreto agora hehehe - é ter uma loja que venda camisetas com frases. Mas enquanto o sonho não se realiza ou o Lerdo não topa ser meu sócio, fico vendo camisetas alheias. E hoje vi uma muito legal no corpo do meu professor do curso de inglês. Não é nada "Ó, que frase", mas queria compartilhar. Ela explica porque Eva fez o que fez.

A camiseta era amarela e tinha um contorno de uma maçã roxa no peito, e nas costas a seguinte frase, também em contornos roxos:

"Adam lived in theory while
Eve only wanted some action"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Rapid Eye Yaw

A metade final desta estória.

Ela me olhava, eu retribuía. Não falávamos, só havia sorrisos. Será que ela me perdoaria por mentir? Não sei. A "câmera" se afastou com firmeza, enquanto eu me debatia desesperadoramente para ficar e assistir àquela cena. [Agonia - Se for a própria: boa saúde e longevidade.] Quando finalmente desisti, percebi que estava percorrendo todo o trem. A luz azulada, as pessoas cinzentas, cumprindo com perfeição seu papel de figurantes. Finalmente, o interior do trem escapa de meus olhos. Saíra para a noite escura. [Noite - Muito escura: tristezas. O sonho com noite revela que seus planos são perigosos.] O asfalto estava molhado, mas não chovia. Na longa estrada, as luzes dos carros percorriam friamente a trajetória melancólica imposta pela madrugada onírica. [Estrada - Se for de dia: felicidade. À noite: perseguição de superior ou rival.]

Quando vejo, estou dentro de um ônibus dando informações a uma velhinha e pedindo informações sobre como chegar ao Sesc Queimados a um homem com olhos estranhamente leitosos que, por conta da escuridão, tardiamente percebi que era cego. [Cego- É sinal de que deve tomar cuidado com negócios duvidosos.] Enquanto o cego balbuciava palavras sem o menor sentido, me afastei. Havia ficado com a impressão de que não é sensato pedir direções a um cego. Segui em direção ao motorista, enquanto o ônibus subia um viaduto. [Ônibus - Sucesso passageiro ou desejo de mudar de vida.]
Antes da conversa surreal com o motorista, algumas incongruências:
1 - Não existe Sesc em Queimados;
2 - Cegos são tão bons, quando não melhores, em dar direções quanto qualquer pessoa. Acredite, sei por experiência própria.
Para isso tenho também algumas explicações:
1 - Devo ter sonhado com Sesc pois ultimamente tenho precisado de uma piscina e uma biblioteca. O primeiro lugar que me veio à cabeça foi o Sesc e este deve ter ficado perdido nas profundezas do meu inconsciente. Queimados porque conversei com minha prima sobre uma oportunidade de estágio neste bucólico município.
2 - Tenho um amigo cego que ensinou o motorista de Táxi a chegar no ponto de seu ônibus (na Central do Brasil!) e seguiu viagem às 22h da noite pois tinha que ir a uma festa junina em sua cidade, Engenheiro Paulo de Frontein. A mim, só restou o papel de olhar boquiaberto. Dá-lhe Big Paulo!
Vocês sabem, em sonho a gente mistura tudo, logo as explicações que dei são plausíveis. Plausível não é o que vem agora:
- Por favor, o senhor pode parar no Sesc Queimados - Perguntei ao motorista.
- Poxa, era antes do viaduto - ele disse enquanto fazia uma curva bem longa e eu me segurava para não cair.
- Que droga... - lamentei - e que ônibus eu pego para voltar?
O motorista foi bastante prestativo e me disse o nome de todos os ônibus possíveis e onde descer. E emendou:
- Mas se o senhor quiser...
- Preciso ir à parada gay. [Homossexual - Recuperação de dinheiro perdido. Conversar ou ter contato com um: controle seus impulsos e paixões sexuais.]
- ...
- ...
Se meu sonho tivesse platéia, o silêncio do motorista e a expressão impagável e indescritível dele sria a claque para as risadas. Nunca saberei a continuação do "mas se o senhor quiser...", nem por que eu quereria ir à parada gay no Sesc Queimados, pois na "cena" seguinte, como em um filme, eu já estava na porta do ônibus, do lado de fora, ao lado de uma mulher (feia) que se dirigia a mim com um olhar piedoso enquanto o motorista lhe dava instruções:
- Ensine ao rapaz como chegar no Sesc Queimados.
A porta se fechou e o ônibus diminuía de tamanho enquanto ia desaparecendo na estrada. Tudo estava deserto. [Deserto - Perigo de rompimento amoroso. Pode ser também que amigos fiéis o socorrerão nos problemas.] Só estávamos eu e a mocréia, esperando um ônibus que não viria.
Acordo.
Volto à minha vida sem irmão gêmeo, sem mulher linda, sem mulher feia, sem parada gay nem Sesc Queimados. Só tenho um sonho movimentado (um sonho mesmo, não dois xD), um teclado e um blog. É o suficiente, por enquanto.

domingo, 18 de janeiro de 2009

meio escuro

Deitado na cama continuava nu sem sentir o desejo de me cobrir por completo. Deixava apenas uma parte do lençol de brancura inibida pelo tempo e uso cobrir os meus pés mornos. Não sentia vontade de me levantar de mexer a pálpebra dos olhos, se estivesse vestido iria me despir pois era prazeroso minha pele sentir o algodão das roupas de cama disposta entre dois pequenos móveis erguendo dois abajures, um com a lâmpada queimada. Ainda não trocaram a lâmpada eu pensei. Ainda não trocaram a lâmpada ela disse ao me ver tentando acender o abajur com a lâmpada queimada movendo somente o braço esquerdo em direção ao objeto, mantendo cada músculo restante estacionado na minha canseira. Havia acabado de sair do banheiro, demorou lá os longos quinze minutos de costume lavando cada parte sentida tocada melada pela minha boca agora fechada, meus lábios pareciam apenas um e o esforço aparente de separá-los podia ser comparado ao esforço real de me separar dela.

Vi seu busto arrepiado pela inócua brisa que invadia a nossa sala de pecado e tornava-se cúmplice dos nossos instintos, como cada pedaço de pano que nos tocava e compactuava com nosso libido como cada poltrona cada tapete cada porção de barro pintada e esculpida como vaso, só eles tomavam ciência da animalidade contemplada por fantasiosos olhares que a nós se dirigiam mas sem inibir nossos movimentos constantes desprovidos de monotonia. Cada segmento redondo de sua carne seguia num balanço rítmico e belo em direção a cama e foram depositados ao meu lado, como tudo estava em sua coreografia habitual e não esperava surpresas retornei meu olhar à parede infiltrada nas arestas mais distantes da cama. Não se passaram ainda pelo meu ouvido o som do isqueiro sendo aceso que sua mão direita confortava enquanto seus dedos esquerdos erguiam o cigarro futuramente amaciado pelos seus lábios já limpos e sem o sabor do meu falo que se encontrava sossegado como eu, mas meu olfato antecipara o bom cheiro da fumaça que agora sim ia ocupando a sala.

Sua boca traçada e pintada com perfeição exalava a névoa cinza translúcida cheirando ao forte aroma do cigarro e ao doce paladar de seus lábios concentrados naqueles movimentos repetidos, o intenso e contraído instante de tragar encontrava sossego na calmaria orgástica de expelir o fruto do fumo. Meu estado também era uma intensa hibernação física e mental, como um rio conturbado que antes se debatia e rebatia em si compondo uma orquestra de ruídos confusos e agora deságua taciturnamente no mar encontrando seu repouso efêmero, um conforto inadiável oriundo do meu gozo, para onde minha carne necessitava retornar como um filho pródigo com saudades do colo do pai. Deu a última e melhor tragada no miúdo cigarro que fora reunido ao amontoado de cinzas acomodadas no cinzeiro ao lado do abajur de lâmpada queimada. Ainda não trocaram a lâmpada eu pensei. Ainda não trocaram a lâmpada ela disse ao derramar com um esforço suave seus seios desnudos sobre meu peito para apagar a outra lâmpada acesa com seu braço alongado ao máximo. Para então regressarmos ao pandemônio do meu prazer.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Você conhece esse cara?


Seu nome é Dolph Lundgren, nasceu em 3 de novembro de 1959, na Suécia. Foi aluno do Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo, é mestre em engenharia química pela Universidade de Sydney e recebeu uma bolsa de estudos para o MIT (Massachusetts Institute of Technology), renomado instituto onde estudaram vários ganhadores do Premio Nobel.

No entanto isso não era o suficiente para Dolph, ele queria mais, o seu sonho era se tornar o pior ator que Hollywood já viu, e foi exatamente isso que ele fez.. Abandonou sua promissora carreira como cientista e mergulhou fundo no mundo da 7ª arte, pena que não se afogou.

Estreou no filme 007 na mira dos assassinos, mas ganhou fama*por assim dizer* com sua participação no quatro longa da série Rocky, ele representava o lutador sovietico Ivan Drago, que sem piedade assassina o amigo de Rocky, que decide então voltar a treinar para poder vingar essa morte.


A filmografia do cara é longa todos no melhor estilo Chuck Noris de ser, por falar nele, o nosso amiginho Dolph bateu o recorde do grande mestre, tronando–se o maior assassino de Hollywood com nada menos do que 662 mortes no seu currículo. Lundgren também participou de “grandes” *reparem nas aspas* adaptações, como Os Mestres do Universo, onde ele era o homem que tem a força, He-man e a também Justiceiro que surge de quadrinhos de mesmo nome da Marvel Comics.

Mas o filme que me chamou atenção para o grande talento do ator *cof cof* foi , bem na verdade eu não me sei o nome, mas a cena que eu vi ficou marcada, era protagonizada por Lundgren e uma menina com mais ou menos 8 anos. Essa menina acabou de ter os pais assassinados, e o personagem de Lundgren foi a única família que lhe restou, se não me engano era tio dela. Foi realmente comovente a menina chegando na casa dele, lhe dando um grande abraço e ele demonstrando a mesma emoção de uma pedra ou uma porta.

Se alguém reconhecer esse filme, por favor, me informe o nome ok?

O que eu realmente me pergunto é porque alguém aparentemente inteligente, que fala 5 idiomas(sueco, inglês, espanhol, alemão, francês) se presta ao papel de ator de 3ª categoria em filmes de 5ª? E sabem o que é o pior? A minha mãe simplesmente ADORA filmes desse cara....

Bônus
Eu selecionei os elementos mais bizarros da filmografia de Dolph:

O grande Anjo negro
Estranhas mortes levam agente do FBI e seu parceiro a descoberta inusitada: um alienígena de 2 metros de altura injeta heroína em suas vítimas e depois usa um método especial para retirar a substância de seus corpos.

O Último Comando
Após o grande terremoto, a Califórnia é separada da costa oeste dos EUA e transforma-se numa ilha sem lei. Cabe a um capitão do Exército, uma capitã da Força Aérea e um especialista em armas da Marinha a difícil tarefa de civilizar o lugar.

Retrograde
Em 2204, Los Angeles está devastada. Homens e mulheres sofrem um flagelo sem precedentes depois da explosão de um meteoro contaminado. Para salvar a humanidade, guerreiros são enviados ao passado, 200 anos antes, a fim de tentar evitar a tragédia. No caminho, parte da equipe do comandante John Foster se rebela. Inicia-se uma batalha dentro da nave. Na Antártica um grupo de cientistas estuda o local quando fragmentos de meteoro começam a cair. Agora, presente e futuro dependem da bravura de John. Só ele poderá salvar a Terra.

O Missionário
Com sede de vingança e pronto para fazer justiça, Dolph Lundgren dirige, escreve e estrela*que isso eim???* esta versão moderna de um velho oeste repleto de ação e que irá te impressionar.

Obs: Eu não assisti a esses filmes apenas copiei a sinopse.