Atraso - obrigado, Deus, só assim não perdi a viagem. Nuvens. Minas Gerais. Gerais das Minas. Texto no ônibus - e eu não sabia que se podia rir tanto escrevendo um texto. Matheus. Caipirinha forte pra caralho. Tentativa de assalto. japerifeelings. John Lennon. Michelle - e eu ainda não me masturbei ouvindo essa música. Bêbado. Muito bêbado. Ressaca maldita. Velvet. Fazendo alok na Velvet e achando que tá comandando a boate inteira. Ciro. Heineken. 2666. Taxista fofo que não cobrou passagem. Taxista oportunista. Albergue. Camilla frustrada e quase chorando. Nescau. Morre, diabo. Vive, deusa. Cláudia. Santa Cláudia. Ah, Xuxa! Aleijadinho. Pedra sabão. Noiva brega na Pampulha. Água de coco. Love Today. Câmera foda d'O Lerdo. Fotos incríveis com a câmera foda d'O Lerdo. Amigos. Oi? Paço. O Passo. Jazz. Ladeiras. Muitas ladeiras. Janta com música ao vivo. Desafinado. Igreja. Andar. Segurança gatinho e chato. Guia dentuço e fofinho. Escravos. Moedas. Sotaque. Salgadinho. Salgadinhos de graça só para mim. Menstruada. Dinheiro indo embora. Significa. Ryca. Mary Poppins. Dormir de cueca. Museus. Faculdade roxa. Praça. Decoração de Natal. Salada de frutas. Helicóptero do Papai Noel - ou bichinho de Avatar. Caminhão da Coca-cola. Sandy e Junior. Djavan no barzinho. Cinema legal. Pizzaria cara. Orelhão com cadeira. Shopping. Ônibus pequeno. Calça roxa. Vergonha alheia. Papai Noel na janela. Foto antiga. Mentir sobre onde mora. Luz barroca. Quarto muito bagunçado. Docinhos ruins viciantes. Comida mineira.
Hoje. Lembranças.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O diário acabou.
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Diário de Minas #2
DIA 1 – 15:35
Porra, eu tomei um banho! Quando você deixa de ser criança, percebe que banho é uma das melhores coisas do mundo. Estou temporariamente num quarto só pra mim, o que significa que eu tenho liberdade. E isso quer dizer que eu deitei nu na cama e foi, basicamente, tudo o que eu mais desejava naquele momento. Não exatamente ficar pelado, mas deitar – o tirar a roupa foi apenas uma consequência de estar sozinho.
Não sei o que será de hoje. No momento só penso em um prato de comida na minha frente. Estou faminto.
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Diário de Minas #1
“Eu não tenho controle sobre mim.” Foi isso que disse à Dariana enquanto o ônibus se dirigia para Ouro Preto. Mas mal partira da rodoviária. A viagem seria longa, um novo e inócuo caminho havia de ser descoberto pela larga janela do automóvel – ou não, porque estamos todos com sono, e nessas horas, a paisagem vai se escurecendo, mas não que esteja anoitecendo, nossos olhos que se fecham e repousam.
Camilla e Suellen – ambas carregam dois éles em seus nomes, mas não que isso faça alguma diferença nesta viagem – acompanham algum filme nas poltronas laterais. Mas não sei qual. Só sei que enquanto escrevo estas palavras, que surgem de modo incontrolável e saem de meus dedos como se fossem donas de si mesmas, Belo Horizonte se esvai pelo canto dos olhos.
Não é tão diferente de uma cidade comum. Não é tão diferente do Rio. Dariana concorda ao meu lado, para ela tudo também está comum demais. Diferente de quando as leves nuvens se misturavam ao verde pulsante da paisagem admirada pelo avião.
Mas se Belchior teve medo e segurou a mão de outrem, a gente segue como João Gilberto. Feliz, feliz seremos nesses dias que nos esperam.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Quando a gente se engana
Hoje eu estava no ônibus e entraram dois caras negros. Um mais novo, meio jovem-adulto, outro mais velho, só adulto mesmo. Os dois eram negros e tinham cara de bandido. O que é ter cara de bandido? Achei suspeito, gelei, fiquei tenso. O mais novo tinha uma mochila, que foi posta na frente para que passasse pela roleta. E eu esperei ele colocar a mão na mochila e gritar Isso é um assalto!. Eu gelei de novo. Não estava com a menor disposição de ser assaltado naquele momento. Mais do que em todos os outros. Era mais a cara de ladrão que a cor. Fiz toda a viagem e desci do ônibus com todas os pertences e dinheiro que estava ao subir. E pensei Cara, você é preconceituoso pra caralho!
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Err...
Odeio pessoas que me encontram e perguntam "Oi, tudo bem?". Bem, eu não as odeio por isso, mas depois do meu simpático "Sim, tudo bem. E com você?", eu gostaria muito de ouvir outra pergunta que não seja "E como vai a faculdade?". Fico muito tenso quando logo no início da conversa a pessoa vem com essa pergunta, porque 1) ela está sem assunto e não tem o que falar e 2) ela sabe que eu também não tenho assunto - e ela, de fato, está certa. [Aliás, só por curiosidade, que tipo de conversa interessante, ou no mínimo longa, pode surgir com tal indagação?] Eu, muito eloquente, respondo com um "Legal!". E depois de um breve silêncio que se segue, reafirmo com um "Muito legal!". Mas já era, ninguém fala mais nada depois disso. O que poderia ser dito, né verdade? Nada mais que um "Que bom." E é geralmente isso que elas comentam. Então, me ajudaê, deve haver uma resposta melhor pra isso.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
E a família, como tem passado?
Sou extremamente medroso e covarde. Dentre meu farto acervo de defeitos, medo e covardia andam latentes ultimamente. Esse não é um post auto-depreciativo. Minhas qualidades são ainda mais recorrentes e também vivem se afirmando em meus dias, dariam um comentário ainda maior que esse, o qual não irá se alongar devido aos trabalhos que preciso terminar para amanhã e só me forcei a postar para, enfim, escrever, coisa que não faço há muito tempo e tenho sentido muita falta. Quer dizer, escrevi sem parar na última prova da faculdade. Minha caneta parecia autônoma e meu cérebro cooperava, finalmente. E o texto de consulta sobre meu colo também dava uma força. Mas digo escrever no blog. Ou nesse ou no outro. Resolvi por esse porque, bem, coitado, ele ainda existe? Tenho o desejo de postar quase sempre, tornar o blog quase pessoal, mas divido, ou melhor, quase divido com outros pessoas. Aí monopoliza. Escrever tipo "hoje tive um dia muito legal. fiz isso, aquilo outro e mais aquela outra coisa. e percebi que se deve viver cada dia como se fosse o último." ou "não paro de pensar no fulaninho de tal. hoje ele piscou pra mim e eu quase me derreti". Blog tipo de mulherzinha, que fala da vida e ninguém lê. Um blog corriqueiro, pessoal e chato. Posso? Tenho adiado todos os meus problemas. Eu tinha que ligar para uma pessoa a fim de resolver um pepino no qual me meti - ou me meteram. Ao invés de fazer imediatamente a ligação, eu ouvia Lady Gaga, ficava enrolando, fazia qualquer outra coisa sem esquecer que precisava estar com o telefone na mão solucionando o pepino. Adiar não dá jeito. Só piora. Eu tenho muita vergonha de falar em público. Extremamente muita vergonha, por ser gago - sim, eu sou gago, mesmo que ninguém acredite - e possuir uma certa deficiência em formular uma linha de raciocínio que seja clara para outra pessoa além de mim. Numa aula, semana passada, a professora dividiu a turma em duplas, e cada dupla tinha que explicar para o restante da turma sobre um determinado tema da matéria. O que fiz? Saí da sala, esperei lá fora, mijei, bebi água vinte vezes, mijei de novo, bebi mais água, voltei para a sala, com todas as duplas já formadas. Busco terminar as coisas, não necessariamente resolvê-las. Mas me juntei com uma dupla, falei tudo sobre o tema em questão e uma das integrantes, a qual escreveu tudo que eu tinha dito, fez a apresentação oral. A professora, bem, não acrescentou nenhuma informação. Ao menos burro não me senti. Só medroso e covarde mesmo. E eu não gosto dessas coisas.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010
O que não mata, fortalece
A gente aprende que tudo tem sua primeira vez. Uma vez você ouve isso de alguém. Na vez seguinte, você está repetindo para outra pessoa. É uma ótima maneira, inclusive, de se conformar com certas situações.
Lembro de quando meu irmão foi assaltado pela primeira vez e levaram seu celular super moderno - que, dentre outros recursos, permitia se comunicar com pessoas à longa distância, mas ele mal acabara de pagar as primeiras prestações –, lamentei menos pelo furto do que por sua sorte ter chegado ao fim. Em outras palavras, demorou tempo demais para ele ser assaltado pela primeira vez. Eu, com dois anos a menos de vida, já sofri dois assaltos e ainda corri com o policial pela Presidente Vargas atrás do bandido. Mas o primeiro foi dentro do ônibus, o ladrão estava armado e levou meus nove reais. Não deu para saltar no ponto e correr atrás dele.
Não me recordo, obviamente, da quando falei a primeira palavra. Minha mãe só diz que custou, demorando três anos para começar a falar “direitinho”. Talvez isso explique minha ótima retórica. Minha cinefilia deu seu primeiro passo numa sessão de O Rei Leão e a primeira peça que assisti, ainda que não num teatro, foi O Mágico de Oz - muito tardiamente, vale dizer. Só não faço ideia do primeiro livro lido nem do primeiro show.
Lembro do meu primeiro beijo, num jogo de verdade e consequência, um selinho na menina que era apaixonada por mim e eu, apaixonado por ela. E lembro do meu primeiro beijo de verdade, no sofá da casa de uma amiga, na menina que era apaixonada por mim e eu não era apaixonado por ela. Fiquei nervoso e ao som da batida do meu coração, eu babava, ela babava, e, para resumir, foi um péssimo começo. Recordo, e não dá para esquecer, da minha primeira transa. E vamos começar um novo parágrafo para mudar de assunto.
Teve a primeira vez que me masturbei, a primeira vez que gozei, minha primeira ida à boate, à montanha-russa, meu primeiro acidente, meu primeiro estágio, o primeiro jogo que assisti no Maracanã, meu primeiro porre – de vinho, que me deixou com a boca roxa de tanto vomitar -, meu primeiro trago, a primeira vez que criei um blog e a primeira vez que acabei com um, minha primeira briga na escola – mentira, era muito frouxo para isso -, meu primeiro celular, minha primeira ida ao motel, meu primeiro zero na prova e meu primeiro dez, minha primeira recuperação, meu primeiro vestibular.
E meu primeiro toco, por que não? Foi ontem. Estou para terminar alguns trabalhos, mas não consigo me concentrar. Parei para compartilhar esse episódio com a internet e me sentir mais leve. Só queria parar de rir de nervoso e acabar com a vontade de enterrar minha cabeça toda vez que me lembro da cena. Ainda estou me recuperando, afinal, a gente não está preparado para levar o primeiro toco aos 21 anos de idade. Bem, tudo tem sua primeira vez. Só resta esquecer que algumas "primeiras vezes" podem ser evitadas.
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domingo, 17 de janeiro de 2010
Além do Arco-Íris
Eu nunca gostei de angu. Sempre preferi purê de batata. Talvez não há nenhuma ligação entre os dois pratos, a não ser o fato do meu irmão não gostar de purê de batata e preferir angu. Então aqui em casa, dia de angu, também era dia de purê de batata. Angu é meio nojento, meio mole, meio autônomo, se mistura com o arroz e chega num instante que não se come nem mais angu nem mais arroz. Como-se angu com arroz, tudo misturado. E como gosto da comida bem dividida no prato, prefiro purê de batata, que permite controlar melhor o que me sirvo.
Marrom não é cor. Marrom, bege, marfim ou qualquer cor cor-de-terra. Parece que falta luz. Parece ausência. E são normais, sem identidade. Tecidos com esses tingimentos são opacos, sapatos com essas tonalidades deixam tudo muito sério, coisa de adulto. Adulto velho. Aí também não gosto. Sempre preferi cores de verdade, cores que são cores. Olhe para o vermelho e veja como ele se identifica sempre radiante em qualquer ocasião. Ou o amarelo, roxo, coral. Com pouca luz, elas se destacam. Com muita luz, elas refletem ainda mais. O marrom não. Parece sempre meio sem graça onde quer que vá.
Também nunca gostei muito de mulher. Sempre me pareceu que faltava alguma coisa ali. E quando rolava revista de mulher pelada na escola, eu não vi a menor graça naquilo que meus coleguinhas comentavam com tanta vontade. Hoje eu entendo que aquela vontade se chama tesão. Mas eu fingia que sentia também a mesma coisa. Não sei se colava, mas fingia. Quando tinha alguma cena de quase-sexo na televisão e ocorria do meu pai estar assistindo comigo, me lembro que me perguntava "Queria ser ele ou ela?". Para mim, eu respondia "ela". Para ele, eu achava melhor não responder nada.
Não faço a menor ideia porque acabei por preferir purê de batata a angu, vermelho a marrom, homem a mulher. Mas foi ao longo dos anos. Certas coisas apenas foram parecendo melhores que as outras. E ponto.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
o idiota?
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
"Why so serious?"?
É, realmente para isso não é preciso diploma de graduação.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
A vida em dois pólos
E todo mundo já ouviu algum dia que tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim. Não só ouvi incontáveis vezes, como também usei de consolo para outros quando já não se sabia mais o que falar. Nesses momentos recorre-se à frases prontas e de efeito só para o silêncio constrangedor não agravar o drama da situação.
Mas isso se evidenciou para mim de uma forma que eu não gostaria. Pude compreender, tão claro como a operadora de celular, esse lado maniqueísta das coisas da vida.
A piadinha [uma das mais sem-graças que saíram do meu teclado em todo meu curto tempo de blogueiro] envolvendo o celular não foi em vão. Pois o lado bom do último acontecimento mais significativo da minha vida foi que troquei meu celular. Recebi uma mensagem, um spam da Vivo informando que havia ganhado alguns reais para trocar meu aparelho. E segundo a filosofia d'O Lerdo, "spans são reais, spans não existem no mundo das ideias". Sábias - e "forçadérrimas" - palavras que eu não esquecerei e que me fizeram comparecer a uma loja da operadora.
Eu até estava satisfeito com meu, agora antigo, celular. Tecnologia não me enche os olhos. Nem sei em qual MP estamos, visto que para mim até o 3 bastava. O arcaísmo do antigo aparelho não me deixa mentir. O recurso mais moderno que ele possui é uma agenda com capacidade de mil nomes. Sim, mil.
Resolvendo dar uma chance à modernidade, escolhi um celular já ultrapassado, pois quanto mais tecnologia um celular possui, maior será também o seu preço. E o bônus não me permitia muitas coisas. Bati o olho num Motorola. Câmera VGA. "É, ok, não é lá uma grande câmera, mas vai quebrar o galho. Dá pra fazer um ensaio sensual pocket version e mandar para o pessoal da Conspiração, assim poderão carregar minha sensualidade no bolso". Agenda... com mil nomes! "Já tô no lucro. Não tenho nada a perder". MP3. "Ê, poderei ouvir Keane em todos os lugares". Cartão de Memória de 1Gb - "Decidi!" - grátis com músicas da - "Será esse mes..." - Mallu Magalhães - "Ah, porra! Vai se fuder!".
Não tive escolha. Levei para casa um celular com músicas da pentelha. Como meus companheiros conspirados andam num momento de sabedoria, reflexão e luz, as últimas palavras d'O chato aqui no blog vieram ao meu encontro. Na verdade, eu sempre fui volúvel também, aí só bastou pensar por mim mesmo. "Vou ouvir essa praga. Quem sabe minha vontade de dar um soco em sua cara diminui? É, não seria justo apagar as músicas sem ouvi-las".
Respiro fundo. 1, 2, 3. Play. Ouço uma bateria com uma batida até agradável. Bato o pé no chão no mesmo ritmo. "You know you've got, babe". Os pés ficaram estáticos. Gelei. Ao imaginá-la cantando esses versos, não sei se o enjôo aumentava pelo que via ou ouvia. Já verde, aguentei até a metade, e avancei a faixa. E avancei novamente, sem hesitar, esperando que ânsia de vômito seguisse o sentido inverso. Terceira música. Cheguei na tal da "Tchubaruba". Por convenção mundial, esse título é terrível, mas o instrumental inicial me deixou com coragem de ouvir mais um pouco. A voz de filhote ganso gripado já era ouvida. E para minha surpresa, eu gostei da música. Cheguei ao fim em bom estado de saúde.
Próxima música. "É darei mais uma chance". O nome é "O preço da flor", a única com título em português. Quando ela entoou "Qual o preço dessa flor... que vem"... Não sei expressar o que senti, é complexo demais. O horror, o horror. O exemplo de algo que não deve ser gravado, não deve ser ouvido. Aí comecei a relembrar do seu retardamento evidenciado no programa Altas Horas e tirei o fone.
Declaro publicamente minha aversão à pentalha da Mallu Magalhães. Mas deixei "Tchubaruba" no celular caso dê vontade de ouvir...
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Saiu ontem nos jornais...
Nota: Eu não comprei o jornal. Li maiores detalhes na internet.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
E mais uma vez...
- E você bebeu?
- Sim, bebi.
- Mas evangélico não pode beber não!
Ô, cacete! Pode me deixar em paz e não questionar o que faço da minha vida? Tá que eu não quero ir para o inferno, mas não são suas indagações que evitarão isso.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
"Porcaria"
Às vezes até eu mesmo me surpreendo com minha capacidade de ser ridiculamente idiota. Mas ainda que seja um grau supostamente alarmante de idiotice, como se minha mente estive num estado anacrônico em relação ao meu corpo, essa é uma das poucas coisas que não tenho a menor vontade de mudar em mim. E olhe que nem todo mundo reage bem a esse meio jeito... melhor não defini-lo, pois "quem se define, se limita", como diz qualquer bissexual em estado inicial de autodescoberta. Falando nisso, ontem assisti um filme chamado Save Me que me deixou deveras confuso. É, acho que realmente há duvidas na mais absoluta certeza. Mas não é nesse ponto que quero divagar. Então, consigo viver bem com essa minha mania - que não é bem uma mania - de fazer jus a minha alcunha aqui do blog. Porque mesmo as coisas não estando muito bem na relação eu-comigo-mesmo, ainda consigo rir toda vez que vou ao dentista. O elevador do prédio da minha dentista são desses que falam. Há uma voz feminina que vem de algum lugar daquele cubículo e informa o andar em que o elevador se encontra parado. Tempos atrás, o transporte parecia da década de 20 [em escala temporal] e um caixote de fim de feira em proporções elevadas [em escala de risco de vida para os usuários do elevador], mas ele nunca deixou de falar. Subo e paro no quinto andar. "Quinto andar", sou informado e reajo indiferente quanto a isso. Na hora de descer, ao chegar no último destino possível, a voz informa - "Portaria". Só que, devido ao meu cérebro, a mensagem chega em meus ouvidos como "Porcaria", e eu acho a maior graça nisso. Até porque eu sempre esqueço que aquele negócio fala e eu sempre me surpreendo - com o elevador e comigo mesmo. Mas imaginar um elevador puto da vida, falando "porcaria", é realmente engraçado. Ou idiota. Nha, tanto faz. O importante é achar graça nisso tudo - aposto que qualquer autor de livro de auto-ajuda concorda comigo.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Receita para férias medíocres
Madrugada é um período para poucos, para valentes, não para perdedores que ficam com sono e vão dormir cedo - o que, sinto dizer, não será o seu caso, você vaga como zumbi em sua casa por ser um vagabundo e por acordar já em direção à mesa da cozinha para almoçar [pão será um alimento cada vez mais raro em sua dieta diária, diga-se de passagem]. Você se tornará dono da casa, terá poder, reinará no melhor silêncio, o qual nunca é tão intenso em outros períodos do dia. Caso divida o quarto com seu querido irmão, aproveite os dias em que ele passará as noites fora: você pode ler no conforto da sua cama, entre edredon e travesseiros, pois terá o domínio sobre a lâmpada do seu quarto, sem se preocupar se seu irmão acordará com a claridade da luz; você pode entrar em sites impróprios para menores de 18 anos - que tanto quer acessar durante o dia e não pode por motivos óbvios - e se divertir com sua opção favorita de vídeos safadinhos - só certifique se a porta está fechada e a caixa de som do computador desligada para evitar possíveis constrangimentos com seus pais, que, vez ou outra, podem ameaçar seu reinado noturno ao acordarem para aquela ida típica ao banheiro.
Mas tome cuidado! A fome que pode se apoderar repentinamente de você na madruga é ainda mais incontrolável que a de qualquer outro período do dia; portanto, não descarte a possibilidade de retornar à faculdade com uns quilos a mais, até porque exercício físico [com exceção daqueles realizados quando seu irmão não dorme em casa] é definitivamente algo inexistente em suas férias. Outro ponto patológico importante é o da insônia. Você fará promessas de dormir cedo constantemente, frases como "Hoje eu dormirei antes da 1h!" ou "Hoje irei sair do computador cedo para ir dormir" comporão seus pensamentos mentirosos que nem você mesmo acredita. Quando essas palavras não tem mais valor, quando ler em plena 3h da manhã não tirá o sono de seu repouso num outro hemisfério bem longe do seu, é provável que esteja desenvolvendo uma insônia crônica, típica de períodos longos de recesso. Mas calma: a cura para a doença oriunda do regresso às suas atividades normais, que te deixará cansado de verdade, acarretando numa necessidade real de ir pra cama mais cedo.
Se orkut, e-mail, twitter, msn e afins não são suficientes para ocupar seu tempo na internet, é recomendável ter um blog - ou dois, em alguns casos. Postando diariamente, o número de visitas na sua página aumentará favoravelmente, fazendo de você uma futura estrela do meio blogueiro - se não conseguir tanto, ao menos 15 minutos de fama virtual terá conquistado. Seu ego inflará, fazendo até pensar que seu tempo no computador nem foi tão inútil assim. Pura ilusão. Coloque os pés no chão, dê uma olhada no número de comentários do seu último post e verá que seu blog continua em seu falido estado inicial.
Olhe para o alto e agradeça a Deus por gostar de cinema, só assim você terá algum objetivo nas férias. E não apenas um, mas sim duas metas a serem alcançadas! Isso num vazio existencial de proporção galáctica ganha um sentido imensurável que você não faz idéia. Alegre-se por finalmente ter atingido a tão sonhada média de mais de um filme por dia no mês de janeiro, mas não se contente com a uma mera conquista mensal: fevereiro já chegou e tente fazer ainda mais bonito com seus filmes - levando em conta que o mês tem menos dias e sua média pode ser ainda maior. Empolgante, não? Mas nada supera a corrida para conferir todos os filmes do Oscar. Sentir-se mais gabarito que o José Wilker e menos estúpido que o Rubens Ewald Filho - o que não é difícil, vale dizer - com teus comentários bem mais precisos e coerentes sobre a cerimônia te garante um grau de importância invejável - por poucos, ou ninguém, acredito, mas satisfação pessoal também é importante.
Pule, solte fogos e comemore quando - finalmente! - seus amigos da faculdade resolverem ir aquela adorável boate, que além de te trazer lembranças inesquecíveis, é sempre um ambiente promissor. Pegue uma ou duas - e pare por aí senão fica vulgar - pessoas do seu gênero preferido - ou o que esteja com abstinência já há um tempo - e enjoy. Melhora a auto-estima, faz bem para a pele e por mais que acorde no dia seguinte se dando conta que tudo não passou de uma noite e continua sem o desejado amor da sua vida, o momento terá sido bom o suficiente para te fazer sorrir durante a semana. Caso vá além de um/uma na festa, não seja burro e pegue o telefone do/da que mora no seu estado - esqueça o/a de São Paulo -, pois sempre é útil quando você bebe um pouco mais e a carência assola em níveis incontroláveis. Mas se devido às circunstâncias só tenha conseguido o telefone da pessoa de São Paulo, marque com ela antes que volte à sua cidade e, ao menos uma vez, vá ao cinema sem se importar com o filme. No saldo final, dará conta que ir à boate foi a melhor coisa que fez nas férias.
Depois da euforia da noite, retorne para casa. Obviamente, não era isso que você queria, mas contente-se. Contente-se com a pouca paciência que está tendo com seus pais, contente-se com conversas via teclado com seus amigos, contente-se com as poucas visitas ao seu blog, contente-se com as poucas vezes que seu irmão não dorme em casa e deixa você ao léu do prazer individual, contente-se, principalmente, com a falta de possibilidade de passar as férias num outro estado ou país. Volte para casa, volte a somente ver filmes e ficar na internet. Volte para a madrugada tão agradável e ociosa. Suas férias serão inesquecíveis, pode apostar.
domingo, 18 de janeiro de 2009
meio escuro
Vi seu busto arrepiado pela inócua brisa que invadia a nossa sala de pecado e tornava-se cúmplice dos nossos instintos, como cada pedaço de pano que nos tocava e compactuava com nosso libido como cada poltrona cada tapete cada porção de barro pintada e esculpida como vaso, só eles tomavam ciência da animalidade contemplada por fantasiosos olhares que a nós se dirigiam mas sem inibir nossos movimentos constantes desprovidos de monotonia. Cada segmento redondo de sua carne seguia num balanço rítmico e belo em direção a cama e foram depositados ao meu lado, como tudo estava em sua coreografia habitual e não esperava surpresas retornei meu olhar à parede infiltrada nas arestas mais distantes da cama. Não se passaram ainda pelo meu ouvido o som do isqueiro sendo aceso que sua mão direita confortava enquanto seus dedos esquerdos erguiam o cigarro futuramente amaciado pelos seus lábios já limpos e sem o sabor do meu falo que se encontrava sossegado como eu, mas meu olfato antecipara o bom cheiro da fumaça que agora sim ia ocupando a sala.
Sua boca traçada e pintada com perfeição exalava a névoa cinza translúcida cheirando ao forte aroma do cigarro e ao doce paladar de seus lábios concentrados naqueles movimentos repetidos, o intenso e contraído instante de tragar encontrava sossego na calmaria orgástica de expelir o fruto do fumo. Meu estado também era uma intensa hibernação física e mental, como um rio conturbado que antes se debatia e rebatia em si compondo uma orquestra de ruídos confusos e agora deságua taciturnamente no mar encontrando seu repouso efêmero, um conforto inadiável oriundo do meu gozo, para onde minha carne necessitava retornar como um filho pródigo com saudades do colo do pai. Deu a última e melhor tragada no miúdo cigarro que fora reunido ao amontoado de cinzas acomodadas no cinzeiro ao lado do abajur de lâmpada queimada. Ainda não trocaram a lâmpada eu pensei. Ainda não trocaram a lâmpada ela disse ao derramar com um esforço suave seus seios desnudos sobre meu peito para apagar a outra lâmpada acesa com seu braço alongado ao máximo. Para então regressarmos ao pandemônio do meu prazer.
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Até semana passada
Até semana passada eles falavam em casamento. Eu a ouvia idealizando a cerimônia, tão empolgada porque já havia pensado tudo nos mínimos detalhes e o resultado estava como sempre desejou. Se toda a preparação da festa tivesse que começar no instante em que sua voz chegava a mim com a profunda euforia de alguém imensamente feliz e decidida, não haveria indecisão do que preparar para os convidados - que já esperavam, com a mesma certeza do casal, um casório em breve.
Até semana passada eles sabiam onde iam morar. Tinham visto a casa, que parecia ficar bonita. Não estava construída, mas uns sussurros de já dar entrada no patrimônio não era boato. Até vi rolando com um deles um papel de imobiliária. Com qual eu não me lembro, mas isso não faz diferença.
Até semana passada havia amor de verdade. E era de verdade, eu não o sentia por eles, mas posso afirmar com veemência. O sentimento ainda existe, não duvido, mas a questão agora não é essa.
Até semana passada não sabia que o tamanho da tristeza em mim seria grande ao saber dos fatos, até porque esses fatos eram inimagináveis. E cada dia mais eu quero viver tudo que eles viveram, os planos que sonharam juntos e principalmente do sentimento que zelavam pelo o outro. Tudo que anseio para mim está em processo de degradação por eles - e por muitos.
Até semana passada a vida era injusta. E bem, ela continua assim. Feliz Natal.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
cinema pé-de-serra
Passeando pelo site Cinema em Cena a fim de descobrir a data de estréia do novo trabalho de Michel Gondry, Be Kind Rewind, um dos poucos filmes para 2008 que ainda anseio assistir no cinema - além de As Duas Faces da Lei [De Niro + Al Pacino], A Lista [Hugh Jackman + Ewan McGregor - apesar do filme parecer uma bomba], Queime Depois de Ler [Coen + Coen] e, obviamente, High School Musical 3 [auto-explicativo].
Sim, o último foi uma piada... Bem, não exatamente. Acho que me renderei e no fim das contas verei, um pouco envergonhado, HSM3 no cinema. Eu precisava confessar e agora sinto-me mais leve. Relevem, eu adoro musicais. Curti bastante o primeiro, que desce bem por conta dos números musicais se relevarmos o roteiro clichê-do-início-ao-fim, elemento o qual na segunda obra acaba pesando em demasia, tornando-a bem ruim, apesar das boas seqüências musicadas. Mas não quero me imaginar sozinho numa sala repleta de crianças, menininhas-chatas fãs do Zac Efron e Vanessa Hudgens, adolescentes falando durante a sessão - e se cantarem as músicas em coro junto com os atores durante a exibição, eu me retiro.
Mas não havia a informação que procurava no site. En-tre-tan-to, uma outra informação veio até a mim. Nem um pouco relevante quanto a que procurava. Aliás, tem sim sua relevância: nos prevenir com antecedência, depois de passarmos por um estado de medo e pavor. Portanto, faço um bem a você que está lendo este post, pois, se nada der errado [como Deus existe, dará], dia 18 de setembro de 2009, entrará em cartaz no cinema mais próximo a sua casa:
Os Sonhos de Um Sonhador - A História de Frank Aguiar
Você não leu errado: o cãozinho dos teclados ganhará um longa metragem. É de comover. Eu sei que 2 Filhos de Francisco foi um tremendo acerto, um dos filmes brasileiros mais notáveis dos últimos anos, mas... Frank Aguiar? Pergunto-me se é imprescindivelmente necessário tal produção e o que ela mostrará na tela grande. Haverá uma cena dele agredindo sua ex-namorada? O terceiro ato revelará os bastidores de Brasília, já que nas horas vagas é lá onde "trabalha"? Será que a trilha sonora terá uma faixa da Bethânia cantando "Lavou, tá nova"? E o título é de uma inspiração suprema. Ô céus!
Não consigo me manisfestar mais, ainda estou em estado de choque. É esperar para ver. Ou não.
Agora, se virar moda de vez, ferrou! E ainda reclamam dos filmes da Xuxa...
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A foda, a Amy e o meu cérebro
Conversa via MSN.
O assunto: a voz da Amy Winehouse.
O que pensei em dizer: "A voz dela é foda demais né?"
O que resolvi dizer: "A voz dela é demais né?"
O que digitei e enviei: "A foda é demais né?"
É... acontece.
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domingo, 13 de julho de 2008
Na mesma
Semana passada, cheguei ao meu 20º aniversário - e percebo o quanto esses números são relativos.
Idade só tem valor para entrar em boates ou permitir que assista a determinados filmes no cinema.
Idade só indica se você irá para o Instituto Padre Severino ou para alguma penitenciária.
Idade te permite fazer carteira de motorista.
Idade só tem valor no papel.
Cheguei à casa dos 20. Há um tempo atrás, para mim, ter 20 anos era sinônimo de maturidade, responsabilidade, trabalho, pessoa séria e com relacionamento afetivo estável. Ok, eu me equivoquei em partes, mas são imagens que formamos quando somos crianças. Os grandes pareciam grandes demais - e eu, por mais que me achasse um tanto maduro para os meus 15 anos [santa ingenuidade!], ainda era um adolescente que freqüentava a escola e me masturbava compulsivamente com revistas pornográficas encontradas um certo dia pelo meu pai em cima do armário do banheiro.
O sexo solitário continua - ainda que dosado - e com ele muitas outras coisas. Continuo sem barba e magrelo. Continuo dependente de um monte de coisas e pessoas. Meus sentimos permanecem ainda mais instáveis e confusos. Ainda sou repreendido pelas besteiras que faço. Continuo sem ter o melhor a dizer quando alguém pede para conversar. Ainda não estou preparado para um relacionamento sério - e permaneço receoso quanto a isso. As pessoas ainda falam para eu sair da posição onde me estacionei. Continuo inseguro para chegar em alguém desconhecido e puxar conversa. Ainda me divirto com as minhas piadinhas sem graça. Ainda faço brincadeiras infantis e tomo decisões imaturas. Continuo respondendo aos meus pais. Ainda assisto O Rei Leão e falo junto com os personagens. Ainda gosto da Xuxa. Ainda não sei o que devo fazer da minha vida. Continuo demorando para tomar decisões. Ainda me sinto pequeno e menor a muitas pessoas a minha volta.
Eu até mudei, mas permaneço o mesmo. Serei o Jefferson para o resto da vida. Serei um idiota até o último momento. Não que eu faça questão...
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