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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Não vou, não.

Em 1996, aos 7 anos, tive meu primeiro contato direto com a "política". Na televisão, vi um candidato barbudo (não, não é quem vocês estão pensando xD) expondo para os eleitores seus projetos para melhorar o Rio. Um deles era o trem suspenso, sistema de transportes que rasgaria a cidade com composições moderníssimas, alguns metros acima do solo e estações de primeiro mundo. Não tive dúvidas: pra não esquecer e indicá-lo pra minha mãe (ela podia votar, eu não hehehe), anotei num papel o nome do candidato e o número, bem grandes. Luiz Paulo Conde, 25.
Santa inocência.
Eu não sabia que jamais esqueceria, pois este número seria martelado, junto com outros tantos por longos meses até os dias de todas as eleições desde então.
Santa inocência.
Eu não sabia que na eleição pra prefeito do Rio de Janeiro, habitantes de Nova Iguaçu - na época, meu município - não poderiam participar, pois já tinham seus próprios candidatos.
Santa inocência.
Eu não sabia que políticos faziam promessas. Pra mim eram projetos. Reais. Acontece que Conde foi eleito pelo PFL com a ajuda do antecessor César Maia e até hoje, o único trem suspenso do Rio é o que liga uma ponta à outra do Barra Shopping.
Santa inocência.
Eu não percebi que as coisas mudam. Quatro anos depois, a cidade mudou de prefeito. César Maia volta, não mais pelo PFL, mas pelo PTB. Conde muda de partido, vai para o PMDB. César volta para o PFL. O PFL muda de nome, vida DEM (Democaratas). O PSDB de Fernando Henrique deixa a presidência e entra o PT de Lula.

Só uma coisa nunca havia mudado: minhas convicções. Eu sempre quis ter um título de eleitor, pra poder votar em quem melhor se alinhasse com as minhas bandeiras e, principalmente, pra NUNCA votar nulo. Sempre considerei o voto nulo ou em branco uma fuga. De covardes, preguiçosos ou desinteressados. Quem vota nulo usa como argumento o fato de a política e, principalmente os políticos, estarem caindo de podres. Isso é verdade, ninguém nega. O que eu nego é o voto nulo como solução pro problema. Pelo contrário! O voto nulo é parte do problema. Político corrupto, populista, fisiologista se elege sem a ajuda de quem pensa em política. Basta um esquema do "uma mão lava a outra" com meia dúzia de gente que se diz líder comunitário pra conseguir uma votação expressiva de uma gente tão ignorante que pensa que cada rua porcamente asfaltada ou cada consulta marcada pra daqui a três meses em posto de saúde é favor. Não, não é! É obrigação. E ainda é malfeita. Mas e daí, o povo é feliz assim, né?
Aí que, quem tem o mínimo de senso de cidadania, prefere se omitir a procurar alguém diferente. Prefere não votar, pois não dá pra mudar "tudo isso que está aí." Eu não. Desde moleque eu prometi pra mim que sempre procuraria votar nos candidatos ou partidos que eu considerasse mais preparados. Nulo, nunca.


Santa inocência.

A política no Brasil está de tal maneira degradada - tenho minhas teorias sobre o porquê disso, mas o assunto é extenso e não será discutido aqui -, de tal maneira sem saída, que em minha segunda eleição eu me pego falando: "Vou votar nulo." Com bom humor, eu já dizia aos meus amigos: "Meu voto vai pro Machado de Assis". Ele mesmo, o escritor, que em toda eleição aparece como pseudo-candidato nas propagandas em que o TSE ensina a usar a urna eletrônica. Cara, é muito triste uma convicção pra uma vida inteira ir pro lixo em duas eleições. Eu sempre tive certeza do que fazer, mas em 2008 eu me vejo sem saída. Não existe outra opção, pois não existe candidato confiável.

A ficha cai de maneiras inusitadas. Um dia eu estava lendo notícias por aí, até que cliquei em uma coluna que trouxe um texto super didático, até clichê, sobre o voto em branco e sua inutilidade. E o texto fez cair a ficha.

AH! NÃO VOU, NÃO!!!!


Machado que me perdoe, mas meu voto será dele em uma outra oportunidade. Não vou ser vencido por "tudo isso que está aí." Prefiro votar no candidato errado a não votar. De político errado o país já tem um monte, se eu eleger mais um, é melhor que eu aprendo a votar certo na próxima. Mas nulo, não. Nem branco.

E antes que perguntem em quem eu voto, eu não digo. Primeiro porque eu ainda não tenho certeza. Segundo porque, mesmo se eu tivesse, eu não indicaria pra outros um candidato em quem eu não confie plenamente. Não é o caso de nenhum dos políticos que passam pela minha cabeça. Eu posso indicar qualquer coisa: banda de rock (Arctic Monkeys, Weezer, Franz Ferdinand, Red Hot são boas ^^), sugestão de passeio (centro do Rio aos sábados, Petrópolis...) e até mesmo novela ( cara, "A Favorita" é boa mesmo xD. Mostrou que revolução na teledramaturgia é uma trama bem escrita, não um monte de mutantes sem nexo). Agora, sobre esses candidatos eu me calo, e deixo pra "falar" em frente à urna.

Espero que este texto, nem tão didático, mas um tanto clichê, também te ajude a fazer cair a ficha.