quinta-feira, 10 de julho de 2008

Você vai morrer. Daqui a 80 anos.


- E então, Doutora - perguntou apreensivo - como estão meus exames?
A médica listou os resultados para o paciente, que tentava esconder seu estado de desolação e perplexidade:
- Hemácias, ok. Linfócitos, ok. Colesterol, perfeito. Triglicérides, maravilha. Nada de anormal no resto, nem nos exames de fezes e urina.
Divertida, completou:
- Você é mesmo sangue bom.
- Mas... mas... e minhas dores no peito... na... na cabeça?? Meu cansaço?? - Ele não podia suportar a idéia de que estava tudo bem. Não! Não estava!!! - Acho que minha próstata...
A médica teve de interromper:
- Já que você é tão apressado, procure um proctologista e faça o exame. Daqui a dez anos.
Ele não podia aceitar. Como dez anos para alguém que não tinha a certeza do dia de amanhã?
- Eu te passei um check-up completo - ela continuou - e você demonstrou estar com a saúde perfeita. Se depender dela você vai morrer, sim (finalmente ele levantou a cabeça com atenção). Talvez em 80 anos.
Incrédulo, ele falou:
- Você me disse o mesmo no ano passado.
Ela desistiu de lutar inutilmente. Limitou-se a responder:
- Setenta e nove, então.
Ele se levantou, irritado. Só teve tempo de ouvir:
- Espere! Acho que você precisa de um tratamento.
"Finalmente falamos a mesma língua", ele pensou. Sentou-se mais uma vez, e se preparou para ouvir com atenção. No entanto, recebeu da médica apenas um cartão.
- Este é o endereço de uma psicóloga de confiança. Você é hipocondríaco.
Radiante, ele perguntou:
- E é grave?
- Gravíssimo. Você não faz idéia - respondeu a doutora, com um largo sorriso.
Levantou-se de um salto. "Então sou mesmo doente", refletiu aliviado. Antes de deixar o consultório, fez um último pedido à medica. Esta, mais que depressa, receitou:
- Dissolva um comprimido por dia em um copo d'água.
Finalmente saiu da sala. Feliz, a despeito das notícias tão ruins. Entrou na drogaria mais próxima do consultório e saiu, alegremente, com um frasco de vitamina C.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Desculpe-me, pai

Está aberta a temporada da corrida pelo dinheiro fácil.

Já estão circulando aqueles carros de som com musiquinhas de candidatos a vereador e prefeito. Além de agravar a poluição sonora, elas são de extremo mal-gosto e bregas.
Já estão suspensas nas casas as plaquinhas [algumas nem fazem jus ao sufixo por serem quase um outdoor] com o rosto do candidato e seu número, o qual você acabará decorando de tanto avistá-lo em algum poste.
E daqui a pouco começa o horário político - o mais útil, já que ora pode garantir algumas risadas.

Talvez por ser a primeira vez em que voto, mas nestas eleições estou completamente incrédulo a todos. Minha vontade é votar em branco para tudo, pois entregarei meu voto para alguém que não fará nada pela cidade e ficará rico por conta disso. Sim, realmente é nisso em que acredito. Só em pensar que lá vêm eles mais uma vez com aquela verborragia hipócrita a fim de conquistar dinheiro - eles realmente não querem outra coisa - sinto-me fadigado.

Hoje, meu pai me pediu para votar em candidatos conhecidos dele, para dar "uma força". O que ele ganha com isso? O que eu ganho com isso?! É... Não devo atender ao seu pedido.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A Persistência da Memória

Ando com medo das horas. As últimas cinco vezes que olhei para o relógio do computador, marcava as seguintes horas:

22:22
22:32
23:23
23:32
23:45

Há tempos isso vem acontecendo.

Os números podem falar?


Em tempo: Ouvindo muito Simon & Garfunkel. É simplesmente muito bom.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Afogar-se em risos.

Estou desobedecendo a uma combinação que nós, Conspirados, fizemos no decorrer deste blog: "espere pelo menos um dia pra postar depois que um amigo conspirado escrever." No entanto, já quebramos várias promessas que fizemos (ainda bem) e o que faço só servirá para quebrar também um recorde. Nunca estivemos tão verborrágicos. Três posts num dia é uma marca a se comemorar efusivamente. E eu não poderia mais esperar para compartilhar com todos aquele que é, talvez, o meu vídeo favorito. Sim, críticos, é da Yui. Podem reclamar que eu não ligo.



O nome da música é Laugh Away (a tradução você vê no título do post), do último disco dessa que é a japa mais linda do mundo e talz, e vocês sabem o resto. A música já não é mais novidade e ela já produziu vários outros clipes mais recentes. Mas este tem a incrível capacidade de me deixar completamente feliz. Não que eu não consiga sorrir todo dia ou que viva de mau humor, mas são poucas, pouquíssimas as coisas que me fazem sentir bem, mas bem de verdade. Guardadas as devidas proporções, uma delas é... não, não vou falar isso pra não encher demais a bola de certo grupo de pessoas que freqüenta este blog, mas acho que dá pra entender. Outra, desde pouco tempo atrás é esse clipe. Não sei japonês e ainda não me interessei em ver a tradução da música. E acho que nem vou tentar. Talvez não me faça afogar em risos, como o título sugere. Mas isso pouco me importa. Já consegui o que eu queria com ela. Um sorriso. Vários, na verdade.

Críticos, a vocês mais uma vez. Assistam o clipe só pra dizer: "Não achei nada demais". É muito provável, quase certo, que aconteça. Talvez até tenham razão. Talvez eu esteja procurando em qualquer coisa o que me faça sorrir. Mas eu não acho que isso seja mau. Pelo contrário. Acho muito bom afogar-se em risos de vez em quando, principalmente quando não temos motivos tão fortes. O sentimento fica muito mais puro.

Peço desculpas ao meu amigo Idiota por desobedecer "À Regra", mas acredito que serei perdoado. Primeiro, porque eu falo da Yui xD. Segundo, porque eu tenho achado seus posts um tanto tristes, acho que esse assunto deve limpar um pouco as nuvens sobre sua cabeça.

Até o próximo post.

"I'm [not] happy again"

A chuva acabou de cair muito forte. As casas daqui da frente ganharam um filtro esbranquiçado na minha visão e o som que ouço não é mais só o da música que toca no computador.

É barulho de água caindo na telha.
É barulho de água caindo dos canos.
É barulho de água caindo nas árvores.

Eu não quero fazer poesia. Quero dizer o quanto é ruim sair de casa desta maneira. Abrir guarda-chuva, fechar guarda-chuva, coloca-lo num saco plástico para não molhar o que está na mochila, molhar a bainha da calça, molhar o All Star, molhar a mão - o que aumenta o frio... Coisas chatas, muito chatas pelas quais não quero passar, mas preciso porque uma prova de História da Arte Clássica me espera na faculdade.

O tempo de eu escrever isso foi o tempo da chuva voltar a cair moderadamente. Pararei de escrever e que a chuva siga o meu exemplo: pare [de cair].

- Toc Toc. - Quem é?

Acho que sofre de T.O.C. Cada vez que entro no Orkut me conscientizo mais disso.

A ligação do meu transtorno com o Orkut é este ser o causador da minha obsessão. Eu devo me logar por dia no site, no mínimo, umas... 15 vezes? 25? Por aí. Às vezes menos, às vezes mais, às vezes muito mais. Isso me preocupa. Não é falta do que fazer no mundo real e nem excesso do que fazer na internet. Apenas sento em frente ao PC e lá vou eu clicar no botão do Orkut que se encontra na minha barra de favoritos do Firefox - nesta altura do campeonato precisava ser prático - para ver se tem scraps novos, fuxicar profiles alheios, visitar algumas comunidades... Enfim, coisas nada relevantes [não em excesso] que ocupam grande parte do meu dia quando me encontro entre as quatro paredes do meu quarto.

Algumas causas para isso eu imagino quais são - e antes que digam, sim, falta de sexo é uma delas. Eu quero tratamento.

Mas há algo um pouco confortante. Quando me ausento durante um tempo do PC, desde que tenha algo [interessante] para fazer, não sinto efeitos colaterais pela minha ausência deste mundo azul e branco. Não devo ser um caso perdido.

Acabo de perceber que preciso me ocupar nestas férias...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Prêmio Multishow 2008 [Comentários]


Procurando um canal na televisão para assistir enquanto jantava - os únicos momentos em que ligo a TV é na hora das refeições pois comer no silêncio me incomoda de certa forma -, caí, para variar, no Multishow, o qual tinha acabado de iniciar a transmissão de seu prêmio da música brasileiro que há 15 anos [para a minha surpresa] ocorre. Bem, mesmo não comentando o Oscar deste ano aqui no blog [ó, que lástima!] e não tendo votado no Prêmio [ó, que lástima! [2]], é válida uma observação de um espectador não-ouvinte de quase nenhum dos concorrentes ao prêmio.

Lázaro Ramos no comando da premiação estava nitidamente querendo ser engraçado o tempo todo - pelos menos, ele confessou em tom de brincadeira em certo momento estar perdendo tempo "falando um monte de bobagens". De fato, ele tem razão. O que foi ele "ligando" para a Marina Lima, a qual estava a alguns metros do palco com um microfone na mão - que não funcionou de imediato [huhuhu, adoro quando isso acontece] - pronta para anunciar os indicados da próxima categoria?! Acredito que a intenção era diferenciar a forma de apresentar os indicados, mas... era preciso isso? Além de muito sem graça, constrangedor. Entretanto, confesso ter gostado da piadinha sobre o nome das bandas. Foi mais uma tentativa de se fazer rir; a mim pelo menos conseguiu por um sorriso no rosto. Bom sinal.

E eu gargalhei na apresentação das indicadas ao prêmio de Melhor Cantora. Antes da câmera pegar um closer das indicadas, ainda da platéia, era mostrada convidados desconhecidos muito semelhantes [algumas demais, outras de menos] a elas. Sim, isso foi engraçado, pois se não me engano, a da Ivete Sangalo e da Ana Carolina eram travestis. hihi

O homenageado da noite foi Lulu Santos, que até então não era muito do meu agrado, mas percebi enquanto a apresentação de suas músicas por outros cantores o quanto Lulu tem músicas que eu sempre gostei bastante ["Tempos Modernos", oras!]. Acho que o problema era meio pessoal... Suas últimas palavras de agradecimentos: "E quer saber, eu acho que mereço a homenagem!". Eu concordei.

Entre umas câmeras filmando o sapato, fios no chão e bastidores em horas inoportunas e uma entrada muito repentina de Lázaro Ramos para anunciar o fim da premiação [o que todos já sabiam], os premiados com o Prêmio Multishow foram os seguintes:

Melhor Clip | Charlie Brown Jr - "Pontes Indestrutíveis"
Entre NX Zero, Pitty, Capital Inicial e CPM 22, não creio que a vitória do Charlie Brown tenha sido um mérito. Mas a questão é o clip, não a banda. Pois é... Não vi nenhum clip concorrente e sou feliz por isso. =)

Melhor Show | Ana Carolina - "Dois Quartos"
Assisti duas vezes ao vivo a esse show e é o DVD musical que mais assisto. Preciso dizer algo mais? Eu só vibrei na hora e gostei de ver a Aninha no palco - linda, para variar. =)

Melhor DVD | Multishow Ao Vivo - Ivete no Maracanã
Justo independente dos fracos concorrentes [Pitty, Zelia Duncan...]

Melhor CD | Maria Rita - "Samba Meu"
Por coincidência, hoje comentei com um amigo que o CD da Maria Rita "de sambas" é muito bom, desses que se ouve do início ao fim sem adiantar uma música. Se CPM 22 ou Pitty ou Capital Inicial ganhassem... ai ai...

Revelação |
Strike
Cuma?

Melhor Grupo | NxZero
Os outros indicados: Charlie Brown Jr., CPM 22, Jota Quest, Natirruts... Err... próxima categoria, por favor.

Melhor Música | Vanessa da Mata - "Boa Sorte/Good Luck"
Essa música grudou na minha cabeça - e na de um monte de gente - por um boooom tempo. Justo, apesar de preferir "Tá perdoado" da Maria Rita.

Melhor Instrumentista | Radamés Venâncio (Ivete Sangalo)
Sei lá!

Melhor Cantor | Di Ferrero (NxZero)
Neste momento, qualquer reputação do prêmio cai ladeira abaixo. O problema da categoria Melhor Grupo se repete aqui: não há nenhum candidato bom. Aliás, há sim: Samuel Rosa, do Skank, tá acima da média - com esforço. Não gosto de Caetano Veloso [nem um pouco =)] e Dinho Ouro Preto e Chorão seria redundante qualquer comentário.

Melhor Cantora | Ivete Sangalo
Obviamente, queria que Ana Carolina ganhasse [ou Maria Rita - Claudia Leitte e Vanessa da Mata, a qual detesto, corriam por fora], mas qualquer prêmio que a Ivete ganhe é merecido.


Um prêmio de música brasileira [!] onde o vencedor de umas das principais categorias da noite é o vocalista do NX Zero... O pior [ou não] é saber que quem votou nele foi o público...