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sábado, 31 de dezembro de 2011

João Guilherme

Inspirado em uma história levemente real.

Eles estavam tentando, até com boa vontade, mas era realmente difícil. Não com aquilo na porta de casa, aquele imponente carro negro, reluzindo na noite e destoando da decoração e do figurino. Enquanto as casas da vizinhança ouviam todo tipo de música alta e alegre e os vizinhos se preparavam para o grande momento, aquela família aguardava a virada do ano procurando esconder o constrangimento que sentia por abrigar um carro de funerária em plena garagem. A culpa era do namorado da filha mais nova: ele trabalhava em uma capela e estava de plantão naquela noite. Defuntos, afinal, não esperam terminar os fogos na TV ou acabar o último pedaço de pernil para bater as botas. Alguém tinha de fazer o trabalho funesto e, para infelicidade daquelas pessoas, a noite era do pobre rapaz.

Não que a festa tivesse sido preparada com desleixo ou que houvesse algum motivo para tristeza. Muito pelo contrário. Todos passavam muito bem, obrigado, e havia enfeites por toda a casa. A TV fora posta em um lugar privilegiado para que as crianças se distraíssem até a chegada da meia-noite e os parentes acompanhassem a contagem regressiva. O banquete à mesa era algo esplêndido: carnes de todos os tipos (menos de galináceos, pois estas aves ciscam para trás e isto dá azar no ano novo), doces a perder de vista e bebidas à vontade. Mas tudo parecia sem gosto com aquela coisa estacionada.

O tio mais velho estava absolutamente revoltado:

- Este moleque só pode estar de sacanagem! Colocar um rabecão dentro de casa em plena noite de ano novo?

A mãe buscou amenizar a situação oferecendo o máximo de comida possível aos convidados. Mas sempre que metia os olhos na janela, se assustava e deixava um salgadinho cair no chão, o que não ajudava em nada.

A avó, matriarca da família, era a única a ver na cena um tanto macabra algo de bom:

- Sonhei que desta noite eu não passo... aquele caroço no meu pescoço aumentou um absurdo, vem cá ver - ordenou a um aterrorizado netinho.

A jovem, que tentava manter o namorado alheio aos comentários dos parentes, se encolhia um pouco mais na cadeira cada vez que era ser atingida por um dos muitos olhares de reprovação após ter estragado o réveillon.

A tia fofoqueira, cujo esporte favorito era deixar embaraçados todos os presentes nas reuniões familiares, desta vez fora compelida a não perguntar nada sobre um possível casamento entre os dois pombinhos.

Até que o imponderável aconteceu. Não era para ser agora, não a poucos minutos da contagem regressiva. Não, aquele carro, definitivamente, não deveria ter sido solicitado naquele momento.

Mas foi.

A filha mais velha, casada, dois filhos e grávida do terceiro, sofreu o que os livros de medicina chamam de amniorrexe, levando-a ao princípio do processo de eutócia. Enquanto ela se esvaía em água e seu pai entrava em estado catatônico, o marido se perguntava, inconformado: "Por quê, meu Deus? O médico falou que a criança só iria nascer depois do dia 15!”

É, mas o destino prega peças. Quem imaginaria que o menino ia escolher justamente a noite de ano novo para vir ao mundo? Justo quando todos estão ligando uns para os outros, desejando felicidades e congestionando as linhas telefônicas. Justo na hora em que chamar um número de emergência é tarefa das mais difíceis, a mulher resolve entrar em trabalho de parto.

Um parto mesmo foi convencê-los de que a única solução seria levá-la ao hospital naquele bendito rabecão. Eles estavam prontos para fazer todos os procedimentos na sala de estar mesmo. Só mudaram de ideia quando ela sofreu uma contração tão forte que quase fraturou a mão que estava segurando – a do marido, por acaso. Enfim, às favas com os maus agouros, a saúde da criança era mais importante. E, junto com o espocar dos fogos, o rabecão partiu desabalado em direção ao hospital, pronto para trazer mais uma vida ao planeta, pronto para fazer mais uma família feliz.

João Guilherme nasceu às 02h02 do dia 01/01, pesando 3,3kg e medindo 55cm. Absolutamente saudável e voraz em sua primeira mamada. Médicos e enfermeiros fizeram do menino o principal assunto naquele plantão. Afinal, quando o tenebroso carro preto parou na porta do hospital e dele saiu uma grávida em vias de dar à luz, o pensamento de todos os presentes foi basicamente o mesmo: "Só pode ser bom agouro".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Rapid Eye Yaw

A metade final desta estória.

Ela me olhava, eu retribuía. Não falávamos, só havia sorrisos. Será que ela me perdoaria por mentir? Não sei. A "câmera" se afastou com firmeza, enquanto eu me debatia desesperadoramente para ficar e assistir àquela cena. [Agonia - Se for a própria: boa saúde e longevidade.] Quando finalmente desisti, percebi que estava percorrendo todo o trem. A luz azulada, as pessoas cinzentas, cumprindo com perfeição seu papel de figurantes. Finalmente, o interior do trem escapa de meus olhos. Saíra para a noite escura. [Noite - Muito escura: tristezas. O sonho com noite revela que seus planos são perigosos.] O asfalto estava molhado, mas não chovia. Na longa estrada, as luzes dos carros percorriam friamente a trajetória melancólica imposta pela madrugada onírica. [Estrada - Se for de dia: felicidade. À noite: perseguição de superior ou rival.]

Quando vejo, estou dentro de um ônibus dando informações a uma velhinha e pedindo informações sobre como chegar ao Sesc Queimados a um homem com olhos estranhamente leitosos que, por conta da escuridão, tardiamente percebi que era cego. [Cego- É sinal de que deve tomar cuidado com negócios duvidosos.] Enquanto o cego balbuciava palavras sem o menor sentido, me afastei. Havia ficado com a impressão de que não é sensato pedir direções a um cego. Segui em direção ao motorista, enquanto o ônibus subia um viaduto. [Ônibus - Sucesso passageiro ou desejo de mudar de vida.]
Antes da conversa surreal com o motorista, algumas incongruências:
1 - Não existe Sesc em Queimados;
2 - Cegos são tão bons, quando não melhores, em dar direções quanto qualquer pessoa. Acredite, sei por experiência própria.
Para isso tenho também algumas explicações:
1 - Devo ter sonhado com Sesc pois ultimamente tenho precisado de uma piscina e uma biblioteca. O primeiro lugar que me veio à cabeça foi o Sesc e este deve ter ficado perdido nas profundezas do meu inconsciente. Queimados porque conversei com minha prima sobre uma oportunidade de estágio neste bucólico município.
2 - Tenho um amigo cego que ensinou o motorista de Táxi a chegar no ponto de seu ônibus (na Central do Brasil!) e seguiu viagem às 22h da noite pois tinha que ir a uma festa junina em sua cidade, Engenheiro Paulo de Frontein. A mim, só restou o papel de olhar boquiaberto. Dá-lhe Big Paulo!
Vocês sabem, em sonho a gente mistura tudo, logo as explicações que dei são plausíveis. Plausível não é o que vem agora:
- Por favor, o senhor pode parar no Sesc Queimados - Perguntei ao motorista.
- Poxa, era antes do viaduto - ele disse enquanto fazia uma curva bem longa e eu me segurava para não cair.
- Que droga... - lamentei - e que ônibus eu pego para voltar?
O motorista foi bastante prestativo e me disse o nome de todos os ônibus possíveis e onde descer. E emendou:
- Mas se o senhor quiser...
- Preciso ir à parada gay. [Homossexual - Recuperação de dinheiro perdido. Conversar ou ter contato com um: controle seus impulsos e paixões sexuais.]
- ...
- ...
Se meu sonho tivesse platéia, o silêncio do motorista e a expressão impagável e indescritível dele sria a claque para as risadas. Nunca saberei a continuação do "mas se o senhor quiser...", nem por que eu quereria ir à parada gay no Sesc Queimados, pois na "cena" seguinte, como em um filme, eu já estava na porta do ônibus, do lado de fora, ao lado de uma mulher (feia) que se dirigia a mim com um olhar piedoso enquanto o motorista lhe dava instruções:
- Ensine ao rapaz como chegar no Sesc Queimados.
A porta se fechou e o ônibus diminuía de tamanho enquanto ia desaparecendo na estrada. Tudo estava deserto. [Deserto - Perigo de rompimento amoroso. Pode ser também que amigos fiéis o socorrerão nos problemas.] Só estávamos eu e a mocréia, esperando um ônibus que não viria.
Acordo.
Volto à minha vida sem irmão gêmeo, sem mulher linda, sem mulher feia, sem parada gay nem Sesc Queimados. Só tenho um sonho movimentado (um sonho mesmo, não dois xD), um teclado e um blog. É o suficiente, por enquanto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Rapid Eye Movement

Fecho os olhos. Minutos depois (ou horas, não sei) eu os abro e surge defronte de mim uma estação de trem. Várias composições param e andam, num vaivém eterno [Trem - Se se vê passar um trem, é sinal de notícias, boas, se o trem é rápido e mostra vagões novos; más notícias, se aparecer lento, velho e sujo. É sempre sinal de algo novo na vida: viagem, empreendimento, separação]. E eu espero. Os trens só aparecem na direção oposta à que eu quero seguir. Finalmente encontro a mulher do qual meu irmão gêmeo falou. [Gêmeos - Indica de modo geral que a pessoa deve ter cuidado com conselhos de falsos amigos; as vezes as coisas parecem caminhar de uma forma e no fundo é o oposto, desconfie de conselhos] Era realmente linda. Era realmente fácil se apaixonar à primeira vista por ela. Meu irmão o fez ontem. Eu, hoje. [Mulher desconhecida: esperanças. Se ela o agradar: espere dias felizes. Feia ou rabugenta: mentiras]

Agora, percebo algumas incongrências, que não reparei naquele instante:
1 - Eu não tenho irmão gêmeo;
2 - Não costumo me apaixonar à primeira vista. Na maior parte das vezes, nem à segunda.
No entanto, para estas questões, tenho algumas explicações:
1 - Como não aparece em carne e osso, este irmão gêmeo foi provavelmente criado como personagem que meu "eu" do sonho revisitou em seus pensamentos. Sim, eu penso enquanto durmo. Você também, né?
2 - Recentemente eu realmente vi uma mulher linda no trem e ela demorou a sair dos meus pensamentos. Mas não era paixão. Na verdade eu pensava nela em situações bem pouco cristãs, mas acho que essa parte pode ser suprimida hehehe;

- Ela é linda e também está apaixonada por mim - ele me disse. [Amar - Se é você quem ama: pode sentir angústia. Ser amado: satisfações. Se for correspondido: você tem rival]
- Mas isso é errado, eu não posso encontrá-la em seu lugar - eu estava receoso. [Amor - Amor proibido: segredinhos. Em geral tem relação com frustrações e sonhos não realizados]
Meu irmão não se deu por vencido:
- Mas você precisa! Nós marcamos amanhã na estação, só que eu esqueci que eu tenho um jantar com a minha namorada.[Infidelidade - Às vezes, é aviso de obstáculos na vida amorosa]
Mau-caráter. Como pode dividirmos o mesmo DNA? Para completar a exibição de canalhice, ele finalizou.
- Só não vai se apaixonar por ela. Ela é minha. [Bigamia - Cometer bigamia: felicidade amorosa. Ser bígamo: boa vida conjugal. Não ser bígamo: muito dinheiro]
- Não se preocupe, eu vou a seu tal encontro, e nunca me apaixono à primeira vista... [Traição - Insegurança. Traição de amigo: surpresas. De amor: obstáculos]

E lá eu estava, como um bobo, observando a beleza dela. O seu sorriso. A forma como ela balançava os cabelos ao falar. Me sentia no céu por estar com ela e no inferno por enganá-la e também por quebrar a promessa que fizera ao meu irmão. Nos apaixonamos pela mesma mulher. Ele acabara de se tornar meu rival.

(continua...) - sempre quis escrever isso hehehehehe

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Betametasona

Senhoras e Senhores, Streptococcus pyogenes

A despeito de um título pouco convencional, inicio este post com um clichê clássico.
O corpo humano é uma máquina perfeita.
Perfeita e previsível.
Assim como um carro, coloque o combustível errado e as consequencias serão desastrosas. Tá bom, no nosso caso pode não ser tão desastroso, mas o carro tem o direito de morrer mais de uma vez.
Assim como o computador, se visitarmos locais perigosos estaremos expostos a vírus, vermes e outras ameaças. E o tratamento pode ser terrível em ambos os casos.

Como não tenho escritos neste mês de dezembro e não tenho vontade de açoitar-me por conta disto, aproveito este último dia do ano para delirar um pouco em companhia de meus amigos leitores. Delírios de uma mente febril. Sem trocadilhos/ironias/figuras de linguagem de poetas românticos ultrapassados.

De acordo com o meu horóscopo - Previsões 2008 - o mês de Dezembro fecharia "o ano com muita alegria e concretização das metas vividas". Estou doente, definitivamente nem um pouco feliz e sem sequer saber se vou conseguir me formar em 2011, conforme o previsto, pois corro perigo em uma quantidade assustadora de matérias. Pouparei vocês dos outros meses, para me poupar também de tão dolorosa leitura. Aliás, por curiosidade, li num jornal como seria meu ano de 2009. Não me lembro. Ainda bem.

Na verdade, 2008 foi um ano diferente. Meus pensamentos foram companhias que sempre estiveram comigo por esta estrada que eu carinhosamente chamo de vida. Me acompanhando e me atormentando. Me atormentando sim, pois minha mente é minha pior inimiga. Junto com as bactérias e o ácido acetilsalicílico. O AAS porque sou alérgico. Se vocês visitarem uma farmácia, verão que praticamente todos os remédios pra gripe, resfriado, tosse, dor na garganta e até mesmo antiácidos estomacais possuem o tal AAS, ou similares. Isso complica a minha vida de forma um tanto quanto notável. Bactérias são outras, que funcionam perfeitamente pra me causar males na garganta ou no ouvido, e são terrivelmente preguiçosas para fazer meu intestino funcionar como um reloginho, igual à propaganda (Minhas sinceras desculpas, esta foi absolutamente desnecessária, devia tê-los poupado). E minha mente... bom, quem me conhece e/ou lê este blog sabe porque minha mente é minha inimiga. Aliás, basta continuar a leitura e terão um maravilhoso aperitivo. Pois bem, enrolei e ainda não concluí. O ano de 2008 foi bastante diferente pois não tive muito tempo para que minha mente apresentasse suas dúvidas. Este foi um ano de muitas certezas, isso sim. Ou quase certezas, já que o Sr. Dúvida não pode mudar tão bruscamente assim.

Adendos:
1: "Meus pensamentos sempre estiveram comigo" talvez tenha sido a coisa mais redundantemente idiota que já escrevi em toda a minha existência.
2: Eu não chamo estrada nenhuma de vida, nem trato minha vida como uma estrada. Muito menos carinhosamente.
4: Ironias da vida. Ácido Acetilsalicílico funcionando como antiácido... vê se pode.
3: Alguém tem um paracetamol?

No ról de certezas, tenho certeza de que tenho amigos, e eles são mara. Os "novos" e os "velhos". Cada um com suas qualidades e defeitos. Tenho certeza também de que estou na profissão certa. Mesmo que um dia eu mude. Também estou certo de que não quero ter filhos. Não sei se suportaria ver miniaturas de mim, com alergia a poeira, comida e remédios, fazendo retrospectivas em blogs ao invés de passar o ano novo na praia. Faço isso também pelo bem da evolução. Meu DNA não é dos melhores. Outra certeza: Deus. Ou uma religião. Eu sempre disse que ser religioso ou ter fé não necessariamente implica ir a uma igreja. Logo eu não ia a igreja alguma. Minha opinião não mudou. Só descobri que ela não se aplica a mim. Eu preciso ir à igreja pra duvidar um pouco menos das coisas. Por fim, a última certeza: o Gato de Shrödinger. Quem vê The Big Bang Theory pode entender o que eu quis dizer. Ou não. Falando nisso, que seriado é esse? Perfeito!

Pra dar a este post algum sentido, arrisco-me a dizer que 2008 foi um ano legal. Tá bom, não foi um ano legal. Tá bom, foi péssimo, e não ajudou a dar um sentido a nada. Mas eu fui um pouco feliz, sim. Justamente por ter se tratado de um ano com poucas dúvidas e muitas certezas. Mesmo que muitas dessas certezas tenham sido desagradáveis, é melhor conviver com isso do que com um ponto de interrogação eterno. Que venham mais respostas para o ano que virá. Falando em ponto de interrogação, preciso saber se passei!!!!!

Ah, e era mentira. 36,9ºC não é febre hehehe. Foi puro ócio criativo da minha parte mesmo rs.

Este post é uma homenagem à grande substância e seus criadores, co-responsáveis pelo tratamento de cinco das cinco amigdalites que tive e de n das n crises alérgicas que se abateram sobre mim. Isso só em 2008. Inclusive as que me atingem desde o Natal.

Um ano de 2009 com muita saúde. E que no próximo dia 31 de dezembro tenhamos algo melhorzinho escrito nessas bandas.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Chega uma hora na vida...

Talvez seja o clima abafado, talvez seja o silêncio modorrento, talvez seja a umidade relativa do ar, talvez seja o nada, talvez sejam todos os grandes responsáveis, os grandes causadores, as grandes razões pelas quais inicio neste parágrafo, a profunda reflexão a respeito da vida, em todo o seu esplendor e desventuras. Na verdade, nem sei o que falar da vida, quanto mais fazer uma reflexão profunda. Talvez seja melhor deixar a vida onde ela sempre esteve. Hoje não vou falar de trem, quero que os repórteres se lasquem, vou continuar deixando os posts inacabados pra depois e não usarei o netbook que não possuo pra redigir estas palavras. Hoje é dia de falar de mim. Falar mal, sem dúvida, pra não perder o costume.

Sem dúvida falar mal dos outros é o quesito de excelência da Conspiração, conquistado com muita prática e que nos rendeu um baú cheio de histórias. Mas e se nós imaginássemos o futuro? Já estou meio cheia do passado.
Será que daqui a um ano nós estaremos mais uma vez escrevendo um post de aniversário?
Será que você ainda se lembrará de nós, desse blog?
Será que ele ainda existirá?
Será que ainda teremos histórias a serem contadas?
Será que estaremos felizes?
Será que a Conspiração ainda estará unida?
Eu não sei... Isso não é tão legal?

Por quê? Como? Onde? Quando? Com quem? Por que tantas dúvidas nos permeiam? Será por ser difícil conseguir conciliar tantos sentimentos contraditórios? A vida é assim. Uma vez li que todos temos a vida que pedimos a Deus. Ela é um troço esquisito, mas é apenas o que fazemos dela. Não podemos prever o futuro, nem nos atermos aos signos, nem determinar se seremos assim ou assado, temos apenas que deixar que ela nos guie pela mão e vê aonde tudo dará. Quem sabe não será num lugar legal. Quem sabe não seja melhor viver nosso presente da melhor maneira possível. As dúvidas continuarão, mas creio que a jornada será muito mais prazerosa.

Chega de perguntas para as quais não há respostas. É uma tendência cultural começar a questionar a vida antes da passagem do ano. As pessoas esquecem que é só uma maneira que a humanidade criou de formar um ciclo. Chega dessa vida de pseudo-vislumbre do futuro. Faça você o seu futuro. Ou continue esperando que algo maior mude sua vida...

Com os pontos de interrogação ainda de lado, hei de empregar o ponto final sem muita certeza do que afirmo, pois até o instante não sei como proceder diante de questões inevitáveis. E até se soubesse, o grau de compor uma afirmação convicta beiraria o zero absoluto. Certa vez ouvi que, ao final, grande parte do que fazemos não importa. Cada vez que medito sobre tal adágio, já misturado com tantos outros, imberbes ou já carrancudos que em mim se acoplaram e agora se confundem com os que convenho, vou contra minha natureza dúbia e tomo como certeza o que meus ouvidos receberam e meu cerne agregou. Mas sem anular a possibilidade de eu virar a esquina e a vida me mostrar que mais uma vez me enganei.

Discursos sobre a vida - sejam eles poéticos, românticos, epifânicos, viscerais, carnais ou de "pura sacanagem". O fim poucos comentam por ter medo, receio ou simplesmente não tocam no assunto por estar longe de acontecer, e viver o presente é o que importa. Mas é batata que o futuro nos aguarda logo ali, coladinho à vida, na realidade, ouso dizer que de mão dada com a Vida. Fora que é bem mais fácil falar dela, pois o fim é o fim e não se discute né?! A Morte é a certeza, confirmação de que alguém viveu lá. Bem ou mal? Não sei - mas é inquestionável que seu corpo jaz junto a Gaia [ou em alguma gaveta de necrotério].

Feliz 1 ano. =)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Histórias de um call-center

Minha irmã Rebeca Carolina trabalha numa empresa de telemarketing ativo.
*E o leitor pensa: Tsc tsc tsc... E tu de vagabundagem*
Mas então...
Ela vende PIC do Itaú, seja lá o que isso significa, e vende para o Brasil inteiro.
Numa tentativa de venda, segue-se o diálogo:

- Bom dia, senhor Fulano. O que o senhor faria com 75 mil reais?
- Eu contrataria dois matadores de aluguel para matar minha mulher e o amante dela, pois ontem os encontrei no motel, e a minha filha pequena ainda estava no quarto junto.

Pois é, Leitor. Histórias desse Brasil.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pra Não Dizer Que Não Falei Do Zé

Estou, eu, a Iinteresseira, voltando a minha casa depois de um querido encontro [*-*] Seguia por uma rua meio que escura num horário meio que ousado da minha parte passar por lá. Até que rompe um Zé [= um zé qualquer, um zé cu da vida - palavras da minha amiga sagitariana] no horizonte e...

Zé: Poderia me dá uma informação?

[off: interesseira com muito medo, pensando VÁRIAS coisas...]

Interesseira: Pode sim...

[off: pronto FUDEU TUDO]

Zé: Como eu posso chegar no

*pausa dramática*

FUNDO DO SEU CORAÇÃO...

Interesseira: rá!

*interesseira vira*

Zé: Que BELA informação.

Depois dessa, meus caros, eu simplesmente rir assim que cheguei à esquina da rua... E assim caminha a humanidade \o/

Repórteres. Again!!!

Hoje, um dia atípico - eu em casa, almoçando no sofá (!) e vendo tv (!!!) -, deparo-me com mais uma de um repórter.

Numa clara tentativa de chamar torcedores para o jogo do Brasil nessa noite, o repórter está no Maracanã mostrando o estádio (como se fosse algo novo para os cariocas ¬¬). Pois bem, não sabendo o que falar ou sofrendo de insolação pelo forte calor, o repórter mostra o cortador de grama. Isso mesmo, caro leitor. O cortado de grama (!!!!!!!!!!!), que estava estrategicamente posicionado para se mostrado.

Pergunto-me: até onde vai a falta de noção desses repórteres?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Próxima parada: fundo do poço.

Aviso: este post já está escrito há algum tempo, mas outros mais importantes/urgentes tiveram prioridade na fila. O que acabou sendo oportuno, pois ele acaba caindo em uma semana-chave.
Talvez aquela notícia bombástica sobre o um conhecido cantor tenha sido a mais bizarra de todas as coisas que já escrevemos. Não é nossa culpa, claro, se as pessoas fazem questão de exibir suas "excentricidades", pra usar educado eufemismo e não precisar recorrer a desaforos como "mediocridade", "pequenez", "insignificância". Por conta disso, achei que ficaríamos meses sem conhecer outro gracejo com o qual a vida normalmente nos brinda. Me enganei. O pior de tudo é que o fato ocorreu somente três dias depois do post do Idiota. Imagina o que nos aguarda?

A Conspiração se reuniu na semana passada. Fragmentada, mais uma vez, mas se reuniu. Não vou falar nada sobre o encontro pois não revelamos ao público nossos planos de dominar o mundo, visitar Petrópolis (A Psicopata foi... sem a gente ¬¬) e falar mal dos outros. Pularei essa parte e me dirigirei à volta, quase à meia-noite, na companhia de O Idiota e A Interesseira. Reclamei com eles que estava com muito sono. E não imaginava que era tanto. Quando desci, iniciei a longa caminhada até minha casa (o ônibus para longe) e, passando em frente a um bar, com música ao vivo, reparei que o cantor interpretava uma versão de 'How deep is your love', dos Bee Gees, em português. Achei engraçado. Até que eu prestei atenção no que ele estava cantando. Abaixo vai a transcrição. Perdoem a ausência de nomes (e números), mas o absurdo e o sono eram tão grandes que eu demorei a processar as informações.

O trecho que deveria ser assim:

"And you come to me on a summer breeze
keep me warm in your love then you softly leave
and it's me you need to show
how deep is your love

Is your love, how deep is your love?
I really need to learn"

Estava assim:

"Ele é o homem da educação,
saúde e transporte é (sic) a solução
é nele que eu vou votar
Fulano de Tal!

de tal, Fulano de Tal,
90.796"

10 Notas:
1 - Ele não se chama Fulano de Tal, nem tem número 90.796. Como eu falei, meu cérebro congelou no momento e eu não pude gravar sua identidade verdadeira.
2 - Esta também é uma "história real". Podia até se tornar uma série. A Psicopata ficou com o drama. Eu ficoi com a comédia. Ou é terror?
3 - Também não estava sonhando ou tendo alucinações, a despeito do meu sono.
4 - Por que alguém faria um jingle de candidato com uma paródia dos Bee Gees?
5 - Por que alguém cantaria este jingle num bar?
6 - Por que alguém cantaria este jingle num bar à meia-noite?
7 - Por que alguém dançaria ao som deste jingle num bar à meia-noite? (Talvez essa parte, sim, tenha sido alucinação, mas que eu vi gente... )
8 - Por que eu tinha que estar passando no exato momento em que pessoas cantavam e dançavam ao som deste jingle num bar à meia-noite?
9 - Se com menos de 20 anos eu já presenciei isso, imagina aos 60. Melhor repensar o título do post.
10 - Concordo com O Idiota, "Jesus está voltando". E com a Dari, "O nulo é cada vez mais uma tentação!"

Aos que ficam, tentem imaginar o jingle cantado no bar e comparem com isso. Respondam com sinceridade: qual a melhor versão? Um doce pra quem realmente encontrar algo "melhor" entre esses dois concorrentes.