quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Rousseau e o apagão

É engraçado como as vezes nós percebemos os significados de maneiras inesperadas. Essa semana eu fiquei responsável por apresentar o livro “Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens” do Rousseau na aula de Ciência Política.
Admito que li com muito má vontade, de forma nenhuma a leitura fluía e olha que esse era o autor que eu queria apresentar desde o inicio do curso. Mesmo porcamente terminei o texto e até achei interessante, mas eis que na noite do dia 11/10, essa última terça-feira, ocorreu um apagão em grande escala.
O Rio de Janeiro inteiro ficou sem luz, vários outros estados também, além do Paraguai. Na manha do dia seguinte com a iluminação restabelecida eu assisti os telejornais, CAOS.
Vários pequenas colisões no trânsito devido os sinais estarem desligados, assaltos, paralisação do funcionamento de trens e metrôs, pessoas presas em elevadores, pessoas que não conseguiam chegar em casa pois moravam no 23º andar e o elevador estava parado(foi só eu, ou mais alguém achou essa engraçada?). Isso só para citar alguns dos problemas menores.
Agora você, meu amigo leitor, deve estar se perguntando “ Do que essa garota está falando afinal? O que um assunto tem haver com o outro?” e eu te respondo, tem absolutamente tudo haver, era exatamente disso que o Rousseau estava falando, olha só:
Sobre o homem em estado natural, ou seja, antes de se organizar em sociedade ele escreveu: “Seus desejos não excediam suas necessidades físicas. Os únicos bens que conhece no universo são o alimento, uma fêmea e o repouso; os únicos males que temem são a dor e a fome.” E por isso esse homem era feliz, porque todas as suas necessidades eram saciadas e ele não precisava de nada que não pudesse ter.
Depois quando Rousseau vai falar do início da organização social humana ele diz: “ Nessa nova situação, os homens gozando de um tempo de lazer maior, dedicaram-se a obter vários tipos de comodidades desconhecidas por seus pais. [...] essas comodidades perderam com o hábito quase todo o seu deleite e aos mesmo tempo se degeneraram em verdadeiras necessidades, de modo que sua privação tornou-se mais cruel do que era doce a sua posse, e as pessoas sentiam-se infelizes de perde-las sem estarem felizes de possuí-las.”
O que Rousseau disse em 1755 se encaixa perfeitamente no que acontece hoje, a luz elétrica é uma comodidade que o homem se propiciou e que acabou por transformar-se em necessidade, a qual o homem se acostumou ater saciada que nem se importa mais. E então quando essa comodidade lhe é retirada ele sente a infelicidade. O mesmo pode ser aplicado quando ficamos sem internet ou celular.
Interessante não é? O que ele pensou faz mesmo sentido!

PS: Eu queria ter criatividade o suficiente para criar um título mais legal.

6 comentários:

Dari disse...

ééé Rousseau era muito clarividente! E ainda bem que vc não conseguiu apresentar o livro na terça né? Só assim poderá ilustrar bem com esse exemplo na próxima aula... xD
e se o professor estiver sob efeito de substâncias tóxicas como da ultima vez, será melhor ainda...
Mas enfim, ainda acho que vc só gostou e entendeu rousseau por causa da minha brilhante atuação no seminário de Brasil III, eu acho!

A Pscicopata disse...

Seminário de Brasil III, vc naum falou só sobre raça??

O Lerdo disse...

Se Rousseau tivesse nascido no século XX seria um nerd aficionado em novas tecnologias ou um vendedor da feira hippie de ipanema...

prepare-se, psicopata. Você vai ganhar um 10 nesse trabalho

mi disse...

pensei a mesma coisa q vc.. coitado do meu irmão que teve q dormir me ouvindo explicar Rousseau, afinal n tinha mais ng pra desabafar!!

A Pscicopata disse...

É o Vini sempre paga o pato!

Ingrid Costa disse...

Muito bom !