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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 3a - Anos 2000)

Já leu???
Introdução
Anos 80
Anos 90a
Anos 90b
Anos 90c




Esqueçam o terrorismo. O Youtube foi o grande perigo da década.

Claaaaaro que foi tudo planejado. A série sobre música ruim foi adiada para coincidir com o fim da década, que outra razão poderia ser? O que parecia (reitero, parecia) ser um esquecimento ou abandono (não esqueci nem abandonei, ok? Certo?) na verdade se provou um acerto, visto que só chegando ao fim da década para podermos analisar o panorama de modo a não esquecer nenhuma daquelas vozes abençoadas que tentaram nos enlouquecer nestes anos 2000. Assim como nos anos 90, esta década terá seus ícones da música ruim expostos em três etapas, a começar por esta.

Assim como em todas as outras áreas, a internet foi decisiva para que o vírus da falta de noção se espalhasse pelos lares brasileiros. Por um lado isto foi ótimo, pois gente muito talentosa apareceu no mundo inteiro graças à divulgação na rede. O filtro que as gravadoras e distribuidoras impunham também enfraqueceu bastante. Temos acesso ao trabalho de artistas que demorariam anos para sair do eixo EUA-Europa ou que sequer apareceriam nestas terras. Por outro lado, nem tudo são flores no reino da internet: assim como há o trigo, também há o joio, e parece que a galera não soube separar isso muito bem...

Podemos dividir os artistas da internet em alguns tipos:
- os bons, que fazem sucesso - inclua-se neste grupo exemplos como a banda inglesa Arctic Monkeys, que teve o álbum de estreia mais vendido da hisória da Grã-Bretanha (superando até os Beatles) e começaram em programas de compartilhamento de arquivos;
- os bons, que não fazem sucesso - vide os milhares de verdadeiros artistas que fazem covers de músicas famosas e, infelizmente, não têm tanto reconhecimento. Falarei deste grupo em uma oportunidade mais apropriada;
- os ruins, que não fazem sucesso - o menos perigoso de todos os tipos, afinal, é ruim e ninguém ouve mesmo;
Não me estenderei nos grupos citados acima, pois meu foco é música ruim e que tenha alguma repercussão. Não tô aqui pra chutar cachorro morto. Não ainda. Portanto, tratemos dos artistas que alcançam algum sucesso com suas músicas se não constrangedoras, nauseantes. Na música ruim que faz sucesso há dois subgrupos - os que se levam a sério e os que não se levam a sério. Os que se levam a sério normalmente ficam deslumbrados demais com seus 15 minutos de fama, se acham talentosos e nem imaginam que os 'fãs' só acham tudo muito engraçado e ridículo. Já o outro grupo sabe que é engraçado e ridículo, e por isso mesmo tenta a sorte na maior cara de pau. Palmas para estes, pelo menos pela coragem.
Querem três exemplos? Voilà.

Atenção nos links e nesses figuras: o primeiro é um clássico exemplo de um cara de pau que só queria aparecer na net e acabou parando até na TV. Os segundos foram um pouco mais ambiciosos. Sem perder o ar de galhofa, apareceram em várias versões no rádio e na TV (nota: só para lembrar, o de amarelo não é O Lerdo, ok?). Já a terceira é a típica sem noção que acha que é mesmo linda e absoluta e não percebe que a gritaria dos 'fãs' é brincadeira hehehe

Vocês pensam que tecnologia é só internet? Nem pensar! Como diria Regina Casé, há um Brasil a ser descoberto, e um Brasil que descobriu a facilidade que é ter um computador em casa e equipamentos de gravação mais acessíveis. Falo, meus queridos, da Periferia, com "P" maiúsculo, que nos oferece o que há de mais inovador e, principalmente, mais precário em termos musicais. Dos gêneros importados às legítimas criações nacionais, os rincões brasileiros exibiram na década uma vasta produção de música ruim. Atenção, não estou questionando a legitimidade destes movimentos. Pelo contrário. O Sudeste não tem condições nem o direito de monopolizar o cenário musical brasileiro. Ou seja, cariocas e paulistas: música ruim não é exclusividade de vocês!!!
Que tal falar em termos objetivos?

Esses já são clássicos. Conquistaram o Brasil com sua música profunda e envolvente e seus cabelos esvoaçantes, como as belas madeixas da moça de terno nesse vídeo aqui. O lado bom é que as letras de duplo sentido continuam, mas eles nos poupam das danças vulgares. Melhor ainda: se a Joelma continuar a cabeça desse jeito, um dia ainda vira o cérebro ao contrário e nos dá um pouco de paz.

Enfim, o terceiro vértice da revolução tecnológica da música ruim. Este existe há mais tempo que os outros, mas nesta década aumentou sua influência. Falo da incrível capacidade que os autores e diretores de novela têm de achar músicas dando sopa e transformá-las em grude nos ouvidos. Vale aqui uma menção honrosa à Glória Perez. Da América às Índias, ela é o retrato perfeito de alguém que escolhe a dedo a trilha sonora do nosso mau humor. Música ruim não é exclusividade da trilha internacional. Se pagode e forró, ritmos genuinamente brasileiros, já são ruins, os de novelas então, são ainda piores, pois conseguem atingir o fundo do poço em duas categorias. Quase tão ruim quanto estes modismos étnicos são os artistas 'lançados' em trilhas de novelas. A música é rasa, mas tem no DNA o genótipo da equação mediocridade/sucesso. Resultado: um beijo dos protagonistas num dia de audiência alta leva a musiquinha infame às paradas de sucesso. Mas não se engane. Tudo é muito efêmero e cruel. Depois do último capítulo, os artistas caem num ostracismo de dar dó e ninguém (ninguém mesmo) lembra que as músicas um dia existiram. Tudo porque estão mais interessados na trilha sonora da vez, nas bugingangas e bordões dos personagens da nova novela.
Duvida? Te desafio a lembrar dessas aqui.

Novelas: durante oito meses vemos clichês culturais, violência (na foto - ao corpo, no link - aos ouvidos) e apelação regados com uma trilha sonora inesquecível. Inesquecível porque é martelada à exaustão em nossas cabeças. O pior é quando elas influenciam a criação de outras pérolas, como essa aqui.

Bom, chegamos ao fim da primeira parte. Ainda há muita década a lembrar. E uma nova década pra escutar. Espero que tenhamos menos dores de ouvido com as músicas ruins. Mas que soframos o suficiente pra eu fazer uma nova retrospectiva em 2020. Feliz 2010's!

sábado, 16 de agosto de 2008

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 2c - Anos 90)

Já leu???
Introdução
Anos 80
Anos 90a
Anos 90b

Clica à vontade que o post já começou bombando!

"Remexa-se saudavelmente com Macarena"... e com a Conspiração também.

Mais um ciclo vai se fechando nesta "série de três posts". Depois de um texto divertido (de fazer, pelo menos) mas inadequado sobre anos 80, de um post correto mas chato (de fazer de novo) sobre parte dos anos 90 e de um que finalmente conseguiu entrar nos eixos, também sobre a década passada, finalmente vou terminar esta segunda fase do meu "projeto de pesquisa" (linguagem de faculdade pra quem já tá estudando hehehe). Espero que seja melhor ainda. Falo do texto, as músicas são as porcarias de sempre, claro.

Depois do trio das trevas, que mereceu um post exclusivo com justiça, fecho a década com o resto. Resto mesmo, aquelas modinhas que volta e meia aparecem sem nenhuma pretensão. Só vêm pra provar que definitivamente "a humanidade não deu certo", como diz um certo blogueiro que é quase uma unanimidade por aqui, mesmo que ele não saiba xD.

Por isso eu volto no tempo, na virada da década pra trazer de volta a lembrança da dança proibida. Sim, senhores. A lambada. O ritmo caliente como o inferno, contagiante como uma doença, que tomou conta do país e virou até filme americano. Aliás, a lambada foi como uma peste pro mundo todo. Se hoje os gringos crêem que as mulheres brasileiras são todas vagabundas e os homens são como argentinos com rabo de cavalo e cafajestes com camiseta regata justinha, agradeçam à lambada (e às prostitutas brasileiras no exterior). Por causa da carreira internacional deste ritmo quente, nada como um vídeo de uma terra distante pra provar que o problema da música ruim não é exclusividade tupiniquim. Definitivamente.

No vídeo e na foto:

- Olhos puxados?
- Olhos puxados e olhar sensual???
- Olhos puxados, olhar sensual e roupas sumárias??????
- Olhos puxados, olhar sensual, roupas sumárias e corpos suados????????????????
- Agora imagina todos os japinhas dançando isso juntos... uma explosão de prazer!


- MENÇÃO HONROSA -

A lambada teve vários nomes de destaque (Beto Barbosa que o diga), o que é melhor pra espalhar o terror por mais frentes de combate. Normalmente é isso o que a maioria faz. Portanto merece uma salva de palmas aquele que vence o desafio de emplacar um sucesso, colocar uma música nas paradas e, ainda por cima, se espalhar pelo mundo - tudo isso sozinho. Falo da dupla espanhola "Los del Rio". Sua Macarena conseguiu a proeza de torná-los o maior êxito musical solitário da história. Significa que apareceram com a mesma sutileza com que caíram no ostracismo. Por isso, o patrono desta série, Latino, entrega à dupla o prêmio de Menção Honrosa por serviços prestados contra nossos ouvidos. E braços, e cabeça, e bunda e... Êêêêê Macarena... AAAIII!!!
O vídeo tá lá em cima e, de quebra o manual de instruções. Não vá errar.

Pra que nossos artistas brazucas não fiquem enciumados, vou falar e mostrar vídeos de uma turma que canta em bom português. Tá, nem tão bom assim, mas não podemos esperar muito dessa gente. Influenciado pela música pop estrangeira, em especial a americana, surgiu um grupo de "artistas" que trazia uma batida bem dançante, estilo moderninho, letras pífias e voz idem. Mas eles faziam sucesso. Não sei como, mas faziam. O Vinny, por exemplo, com aquela voz de locutor de motel, é o maior exemplo de como a seleção natural ainda não é 100% eficiente, mesmo depois de bilhões de anos. Quem ouviria Vinny em sã consciência? (hehehe) Você, leitor, e não adianta negar. Eu também, apesar de não ter sido um dos meus favoritos. Falando em favorito, se tinha uma banda que não era mesmo a minha favorita era a tal de P.O.Box. A voz do cara era chata, o estilo deles era ridículo e as músicas tinham um gosto muito duvidoso. Mas hoje, ouvindo algum som deles, vejo que vão servir pelo menos pra animar festas "Ploc 90", quando estas aparecerem (se bem que devem mudar de nome
pra "Bubbaloo 90", pq o chiclete da década foi outro).



Não Veja, Pense:
- Ele diz que tá apaixonado. Pela bunda dela, né?
- Ele diz que é ouvir o P.O.Box tocando no CD é demais. Na bunda dele, né?

- "Eu e você, rolando altos loves numa loja de artigos de R$1,99".



Pra finalizar a participação brasileira na década, venho falar de um grupo musical que, assim como os da Macarena, apareceram e sumiram de cena de forma abrupta. Uma diferença é que os Mamonas Assassinas sumiram porque morreram. Isso é mau. Outra diferença é que eles eram bem melhores do que a média, sabendo fazer um rock de ótima qualidade com letras anárquicas e extremamente engraçadas. Isso é bom. Digo... nem tão bom, porque o sucesso deles foi tamanho, que trouxe de carona uma turma que não era tão engraçada e muito menos fazia um som decente. E o pior é que eles grudavam na cabeça tanto quanto os Mamonas. Rodolfo e ET, por exemplo, eram um atentado ao bom gosto só pelo fato de existirem. Outros artistas obscuros também batalharam e tiveram seus 15 minutos de fama. Tiririca então, nem se fala. O cara ainda existe e bate ponto toda semana no Tom Cavalcante. Sem cantar, graças a Deus. Aliás, sem cantar ele é até mais engraçado.

Tiririca nem se fala, se assiste.

- Eu não seria tão cruel em colocar vocês pra ouvi-lo cantando.
- Mas sou suficientemente cruel a ponto de mostrar isso.

- A voz tremida do Gugu tá o máximo. Resume bem o clima da situação.




Por fim, meninas, preparem seus corações. Eles invadiram as paradas do Conspirando e vieram com seus ares angelicais, suas caras de cachorros molhados, e suas coreografias modernas e sensuais, para arrasar corações e mentes alheias. Vamos admitir, tímpanos nem tanto, porque as vozes (muitas vezes dubladas) não eram tão ruins. Mas o conjunto da obra supera qualquer vantagem que eles pudessem ter. Sim, óbvio, falo das boy bands, das cantoras virgens e do pop/rock internacional em geral. Depois da onda Menudo, Dominó, Tremendo e Cia, que alienou nossas mães ou irmãs mais velhas, nossa geração foi brindada com Backstreet Boys, Five, N'Sync, Hanson, Spice Girls, Cristina Aguilera e Britney Spears. Falar da música deles é chover no molhado. Nunca prestou, a gente sabe, mas ouvia do mesmo jeito. Então vamos falar mal por falar. Praticamente todos eles tentam fazer as pazes com o sucesso, promovendo revivals, gravando discos inéditos, fazendo merdas e se entupindo de drogas... fora raras exceções, não adianta. O tempo deles já passou. E eles deviam agradecer, porque o tempo nem devia ter chegado.



Fique com o melhor do pior:


- Eu já gostei disso... você também? Diz que sim, pra eu me sentir um pouquinho melhor.
- Eles são o American Dream. Então tá explicado?
- Essa dança da cadeira já virou um clássico.



Fase 2: Completa. Vou dar um descanso longo pra vocês digerirem tudo isso. Espero que fiquem ansiosos (ironia mode:ON)

domingo, 27 de julho de 2008

De volta para o futuro*

Oi galerinha, estou de volta depois de um longo período afastada, como todos sabem meu pc estava enfermo e eu impossibilitada de participar dos nossos encontros virtuais. Muitos poderiam dizer:
- Você já ouviu falar em lan house?
E eu vos respondo:
-Já, e para os assuntos inadiáveis de fim de período foi o recurso que me restou, mas realmente não gosto muito de ir à lan house não, essa história de contagem regressiva de tempo me deixa nervosa.
Mas vamos ao assunto do post, que até tem haver com o que eu estava falando, para que o meu computador pudesse voltar, eu fui obrigada a arrumar o quarto, mas não se espantem, ele ainda está bagunçado. Só que nessa pseudo-arrumação eu achei um artefato meu que há muito tempo eu não via, a minha máquina de escrever. Sim, sim eu tive um desses artefatos arcaicos, ta certo que eu nasci no século passado, mas não faz tanto tempo assim.
Como as coisas mudam rápido neh? Ainda me lembro da minha felicidade em ganhar a minha máquina de escrever de verdade (por que antes eu tinha uma de mentirinha) e agora ela está sem utilidade guardada lá em cima do guarda roupa e eu aqui “ datilografando “ no meu teclado aliviada porque meu pc voltou e já posso postar no meu blog, abrir meu email,ver meu orkut , teclar no msn.....
Num piscar de olhos ficamos totalmente dependentes dos computadores e da internet, como disse o meu tio na última festinha de família:
-“Antigamente todo mundo queria derrubar o sistema, mas agora se o sistema cai uma horinha todo mundo já reclama.”

*O nome do post foi sugerido pelo Chato

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 2b - Anos 90)

Já leu???
Introdução
Anos 80
Anos 90a

A explosão do funk: explosão demográfica, claro.

Adivinhem, caros leitores. Cá estou, com sono. Mas por que não consigo dormir? Ora, por qual outro motivo? Está acontecendo uma festa na minha rua. Tocando justamente nossos estimados "estilos musicais", objetos de estudo desta série.

Pergunte se tocou algo diferente de funk, forró, pagode, sertanejo, axé, calipso. Claro que não. Música ruim serve pra isso mesmo: encher a p%$#örra do saco dos vizinhos.
Tirando isso, ela não serve pra mais nada. É sério.

Imagina agora uma festa (de rua ou de casa mesmo) com Chico Buarque. Não rola, nem na época da ditadura. Quem quer ouvir Chico Buarque faz sozinho, ou com um grupo pequeno de amigos. Porque quer ouvir mesmo, não quer somente um fundo musical pra rebolar, beber ou conversar. Já a música ruim é perfeita, porque ela é tão ruim que ninguém presta atenção. A não ser na hora marcada pra todo mundo dizer "Crééééuuu" ou pra segurar e amarrar o "Tchan, Tchan, Tchan, Tchan, Tchan". Eu já provei desse veneno. Tentei fazer um tracklist com minhas músicas favoritas pra tocar no meu aniversário. A festa ficou parecendo um velório. Não é porque tudo o que tava na lista era bom, não. É por que faltou o melhor do pior. Faltou, claro, funk, axé e pagode. Hoje eu aprendi. Minhas festas não têm mais música.


Aonde eu quero chegar com isso? Ao funk, senhores, pra começar com uma pancada. Um pancadão, pra ser mais preciso. Eu andei pesquisando sobre o funk dos anos 90 (O da década atual vem num próximo post. *OFF: tá tocando Créu agora na festa, velocidade 5 \o/*). Vi uns clipes, relembrei de umas músicas, conheci outras. E, cara, tem coisa muito boa. Sem brincadeira, isso aqui pode não ser muito rico na letra, nem na melodia. Também não posso dizer que concordo inteiramente com a mensagem. Só que é uma canção forte, que faz refletir. E, putz, isso é raro, mesmo na maioria das músicas desses medalhões da MPB. Eu não tô dizendo que toda manifestação musical é obrigada a trazer um sentido, um "algo a dizer", mas o início do funk carioca foi promissor nesse sentido.
Aí eu pergunto: o que deu errado? Resposta: quem disse que alguém quer refletir? O pessoal quer ir até o "Chão, chão, chão" (*tá tocando isso agora*). Certo domingo, DJ Marlboro disse no Faustão (sempre ele) que o funk é a expressão do favelado, é a mensagem do morro pro asfalto, embebida de cultura e significado. Aí a gente entra no site dele e vê a divulgação de uma gaiola das popozudas da vida. Peraí, essa é a expressão do favelado? Essa, da foto aí de cima??? Eu acho que não. Ele também deve achar mas, como não é bobo, fala o que agrada às famílias e aos pseudo-intelectuais e faz o que agrada a quem interessa: quem compra os discos (piratas na maioria) e paga os ingressos do baile (lembrando que as damas são grátis até meia-noite).


O clipe ao lado é um caso exemplar, pois:

- A letra não é idiota nem idiotizante...
- Mas a mulherada só rebola...
- E o Mc só se anima pra valer quando o Silva morre...

- Dá pra entender?


Cara, reparei em como eu fui condescendente com o funk!!! Será que é o pancadão na cabeça?
Bom, preciso de outro estilo pra descontar (*risada cruel no momento*). O escolhido é o segundo elemento do trio das trevas, apelido carinhoso que eu dei para a tríade funk-axé-pagode.

Se no início, o funk flertava com a causa social, o axé já tem a mediocridade no DNA desde antes de nascer. Lembra do fricote?
Como toda evolução que se preze, o axé conseguiu elevar a idiotia um degrau acima. Um ou mais. Seus "vixe, mainha", "ê, danada", " vai réméxendo, vai" conseguiram provar que o ponto alto das letras eram as vogais: "aê, aê, aê, aê, ê, ê, ê, ê, ôôôôôôôôôôô".
Legais mesmo eram as danças, que viraram moda. Estavam em todas as casas e, principalemente, todas as academias. Com roupas insinuantes, as mulheres dançavam sem parar nas famosas aulas de lambaeróbica. (* Caraca, tá tocando Araketu agora xD*). Uma professora de matemática (minha favorita, por sinal ^^) confessou que já tentou fazer essas aulas pra emagrecer. Não ficou muito tempo. E durante o pouco tempo que ficou, se recusava a colocar o dedinho na boca, pois isso lhe faria reduzir uns 10 pontos no Q.I. toda cada vez.

No vídeo, veja:

- Primeiro, o Jacaré... (não consigo imaginar o que escrever)
- Depois, o resto... e tire suas conclusões.
- Minha conclusão: acho difícil alguém descer tão baixo...
- Ainda bem que haviam as bundas, senão as pessoas se dariam conta do absurdo que é esse tal de axé


Só sei que eu tenho um passado não muito feliz com esse estilo, e conheço muitas pessoas que tentam trazê-lo à tona. Saibam que não conseguirão.

Agora, tá tocando pagode (Alexandre Pires ou SPC, sei lá...) na festa da minha rua. Isso quer dizer que ela está próxima do final. Pois toda festa tem seu final anunciado quando começam as músicas de corno. Essas são pros bêbados chorarem (e dormirem), os casais se beijarem (e saírem pra um local mais reservado), e os donos da festa começarem a varrer tudo, tenha gente na festa ou não.
Porque o pagode é um estilo fim-de-festa por natureza. A melodia é lenta, as letras denotam uma dor-de-cotovelo desgraçada e não é preciso estar sóbrio pra entender, porque qualquer pau d'água compreende (e compõe) aquelas maravilhas que rimam "amor" com "dor", "paixão" com "coração" etc. Ou seja, uma roda de pagode já começa desanimada. E não se enganem, os caras podem estar rindo e batucando, mas aquela música não consegue deixá-los felizes. Não é possível.

O pagode tem um lado bom: é que ninguém leva a sério (só os pagodeiros). Por causa disso aparecem pérolas do You Tube como essas:


Baseados na música "Marrom Bombom", do grupo "Os Morenos", temos quatro exemplos do que se pode fazer com o pagode.

- Humor negro
- Humor escrachado
- Humor coletivo
- Humor involuntário

Quase acertei. Depois do pagode ainda rolou um forrozinho rápido. E fim de festa. Pra eles e pra mim.

Até o próximo post, pois ainda não acabou (infelizmente pra vocês).

Leia também:
Anos 90c

quarta-feira, 23 de julho de 2008

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 2a - Anos 90)

Já leu?
Introdução
Anos 80

Não se esqueça dos links, hein. Eles estão espalhados tanto nas figuras quanto no texto.


O bom senso foi barrado no baile

Parece até cara-de-pau da minha parte ("...não, Lerdinho, imagina...¬¬") retomar a série que tá abandonada desde fevereiro. Nem vou me dar ao trabalho de enumerar o inumerável, ou seja, os motivos que fizeram essa série tão promissora esperar cinco (!!!) meses por sua continuação. Então, vou combinar com meus amigos leitores: vamos fingir que estamos em fevereiro, no máximo, março. É uma tarde quente de verão, quando só pensamos em tomar um sorvetinho ou uma cerva (pra quem gosta), e eis que surge o post tão esperado. OK? Prossigamos, então.
Pra quem não acompanha o blog desde aqueles tempos remotos, antes podem dar um pulinho aqui e depois aqui.

Voltemos à lista das piores músicas das últimas décadas. Sobre os anos 80, eu só tinha testemunhos reais (minha mãe, por exemplo hehehe) e virtuais, o que eu me lembrava de ter visto nos programas de TV sobre a época e os resquícios que essa cultura deixou.

Agora eu me aventuro num terreno conhecido. Minha infância foi vivida nos anos 90 e, como todos sabem, nossas melhores memórias estão situadas na infância. Exceto a memória musical, é claro. Confesso que vivi o melhor do pior da música noventana (neologismo meu, perdão ^^). Por causa do meu conhecimento de causa, o post ficará enormemente grande e terá que ser dividido. Fiquem então com a primeira parte da segunda parte. Só quero lembrar que não é injustiça com os anos 80. Eu sei que foi muito pior que os 90, mas eu conheço muito pouco e não sou historiador pra fazer esse tipo de pesquisa (nem recebo pra isso hehehehe).

Aproveito também pra sinalizar uma mudança na condução desta "pesquisa". Confesso que me diverti muito fazendo o último post e que gostei bastante do resultado. Mas ficou parecendo que eu queria falar mais dos clipes do que do movimento musical. Claro que os clipes merecem todo destaque possível, já que sua qualidade compete de igual pra igual com as músicas. Mas a partir daqui vou falar mais de música/estilo/artista do que do vídeo. Sem abandonar os vídeos, claro.

Recomeçando...

A década de 80 levou consigo o comunismo, a hiperinflação, o Menudo e uma penca de bandas de rock brasileiras, que cairiam no ostracismo e retornariam com força nos anos 2000 para as chamadas festas Ploc. Mas se alguém esperava um refresco, a década de 90 se mostrou um desastre em termos musicais. Ainda bem que ninguém esperava um refresco.

O que o pessoal esperava mesmo era o Domingão do Faustão, programa favorito das famílias brasileiras, e que sempre trazia uma miríade de vídeocassetadas, pegadinhas e artistas promissores da música sertaneja. A fórmula é simples: pegue um par de matutos do interior de São Paulo ou Goiás, mude seus nomes - se um se chama Roberval e o outro Julicleison, ambos viram Tonhão & Tunico, pronto,- vista-os com ternos e chapéus de caubói e pronto, temos uma dupla sertaneja. Nem precisa ter aulas de canto, porque caipira já sabe cantar naturalmente, e sempre do mesmo jeito (um canta com voz aguda e sofrida, mesmo se a música for alegre e o outro canta falando, ou fala cantando). Veja só no vídeo logo abaixo.
Hoje o sertanejo não faz mais sucesso nenhum, só o Leonardo aparece no Faustão, mas eu acho que o apresentador faz isso de sacanagem com o público. E volta e meia aparece uma dupla repetindo a mesma fórmula de músicas com letras maliciosas cantadas num tom de velório. Não, não dá mais certo.

Repare no vídeo: Leandro e Leonardo - Paz na Cama

- Olhe o Fantástico de novo, dando aquele gás pra nossa música popular.
- Na destreza e, principalmente na alegria de ambos em frente às câmeras.
- Na produção: os fade-ins, os efeitos e, principalmente o casal protagonista


Esse vídeo me fez lembrar da época em que eu me vestia igual ao meu pai e o obrigava a imitar Leandro & Leonardo em frente À TV. Eu era o Leonardo, claro, e meu pai imitava o Leandro direitinho...

A gente percebe que as coisas não estão legais quando as modelos de comportamento de nossas crianças aparecem na TV em trajes sumários, no auge da adolescência falando com uma voz infantilmente sexy e, pior, quando elas resolvem cantar. Eu aceitei sofrer tentativa de assédio sexual pela pinta da Angélica na minha infância, aceitei que a Eliana falasse sobre o que faz com seus dedinhos e até mesmo aceitei que a Xuxa deixasse menininhos alisarem os peitos dela no começo de sua carreira. Mas não posso perdoar esse trio por detonar meus ouvidos e neurônios e não deixaria meus filhos sob a tutela dessas babás. Pra vocês terem uma idéia do que eu tô falando, sabe-se que hoje a Xuxa é uma mãe exemplar (cof, cof...), mas esconde um passado que, além de pedófilo, é satanista. E a Eliana, depois de tentar êxito no ramo do entretenimento adulto (não me interpretem mal, hein...) resolveu jogar tudo pro alto e mandar todo mundo ...

Dá uma olhada nesse: Angélica - Vou de Táxi
- A voz sexy
- As tomadas da câmera pelo seu corpo juvenil
- Se não fosse ridículo, seria excitante.
- O saxofonista
- Era pra ser infantil??? o.O
- MENÇÃO HONROSA: A ausência de um táxi (bela sacada do
Idiota)

Pois bem, termino insatisfeito este post, pois falei demais e dei informações de menos. Vou tentar me controlar mais na próxima, mas é muito difícil xD.
Não percam, pois ainda teremos, só nos anos 90.
- Pagode
- Axé
- Funk
- Boy Bands
- Pop
- ELE

Leia também
Anos 90b
Anos 90c

sábado, 26 de janeiro de 2008

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 1 - Anos 80)

Já leu???
Introdução

Ninguém se reprimia... e deu nisso.

Estou até hoje em busca de "culpados" pra década de 80. Minha infrutífera busca me levou a algumas questões. Será que o clima opressor e moralista das décadas anteriores gerou na nova geração um clima de desprendimento de valores, de liberdade irrestrita, ocasionando esse desastre histórico? Será que o capitalismo, em seu afã de derrotar a turma dos vermelhos em todas as frentes, resolveu mostrar ao mundo que o ocidente era mais alegre, mais colorido, mais musical, mais espalhafatoso, mais brega, mais... tudo? Será que a revolução técnico-científica trouxe à cultura uma nova ordem, onde música seria feita em computadores e o vídeo-clipe ditaria os rumos do sucesso? Ou o mundo simplesmente comeu titica???

E o pior, é que as pessoas que cometeram a década de 80, hoje fazem festas para celebrá-la, sem a menor cerimônia e com a maior cara de pau. E o pobre Lerdo, nascido em 1988??? Como fica a mente de uma pessoa ao saber que foi parte disso??? Eu falo disso aí embaixo!!!!

Assim os adolescentes se divertiam. E o nome disso é Roller: patins, pista de dança, e muita "azaração".

Só que estamos aqui pra falar de música, então, eu não vou me estender no assunto "moda e costumes". Se bem que o nível da tortura é o mesmo. Nos anos 80:
Clique nas imagens para ver os vídeos

O Fantástico era famoso por suas aberturas com "alta tecnologia"

Repare:
- No rei e na rainha das águas =P
- Na coreografia e no figurino
- No clima de "Os índios do fantástico dominam o mundo"





Os Clipes do Fantástico também eram nacionalmente conhecidos. Era uma honra para os artistas aparecer no programa. Foi assim com Rosana, nessa pérola:

Repare:
- Na pantera
- Na imitação de "Elvira, a Rainha da Trevas"
- Na cena da ventania, com o vestido esvoaçante



O que seria a década de 80 sem o programa do Chacrinha? E foi no Velho Guerreiro que estrelas como Ritchie fizeram a festa das meninas e dos cantores sertanejos do futuro.

Repare:
- No quão trash é a música
- No jeito sensual que ele tem pra cantar, com aquelas jogadinhas de corpo
- Nas Chacretes, ícones de uma geração


Outros ícones do pop/rock "oitentano"... Dr. Silvana & Cia.

Repare:
- Na malícia
Você é chocolate com licor de cereja
Torta de morango com creme de chantilly
Sorvete especial de sobremesa
Você é a coisa mais gostosa que eu já...
conheci





Surgiram as precursoras das boybands. Menudo e Dominó dominavam o coração das menininhas. Anos depois seus integrantes foram parar em clínicas de desentoxicação ou nas páginas de revistas gays.

Repare:
- No olhar que é puro cristal e no backing vocal em falsete ("uuaahaaahh")
- Na riqueza da letra, da melodia e da coreografia... e do figurino... e do cenário...
- Em como eles eram "fofinhos". =P
* Homenagem à Trambiqueira.


No plano internacional, os heróis do mundo decidiram salvar a áfrica. Mas pra isso, mandaram artilharia pesada contra os nossos ouvidos. "We are the world" é, até hoje, símbolo da luta contra a pobreza. E figura sempre presente nos videokês.

Repare:
- Nos bigodinhos e cabelos style
- Michael Jackson não gravou o clipe junto com os outros



Vamos fechar o post com ele que é acusado de ser o pai do axé. Na pele dele, eu pediria o DNA e processaria por danos morais. Mas o pior é que ele se orgulha. Com vocês, o Sr. Fricote

Repare:
- Que o axé só pode ser filho desse cara. Ou do demo
- Na bênção de Caê
- Se fosse hoje, ele seria preso por racismo.




Próxima parada: Anos 90.
Aos oitentistas: vocês que eram felizes e eu tô com raiva de admitir ¬¬

Leia também:
Anos 90a
Anos 90b
Anos 90c

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

♪ Abaixa o som! ♪ (Introdução)

Uma série com muitos links. Fiquem ligados.

Vai dizer que você nunca ralou ;)

Acho engraçado ver pessoas, ao ouvir o famigerado "Créu", criticarem a forma como a música se apresenta pra juventude. - Ah! O mundo está perdido... Essa juventude não tem o mínimo de cultura! - exclama a pobre dona Marocas, que apesar do nome, é nascida em fins da década de 60, tendo, portanto, idade próxima à dos 40.

O que não sabemos sobre Dona Marocas é que, por trás de suas atitudes conservadoras e suas observações sem compaixão sobre os hábitos dos mancebos e das donzelas desta nova geração, existe um passado sombrio, que merece ser analisado.

Dona Marocas e tantas outras figuras honoráveis pertencentes à sua geração assistiram a verdadeiras pérolas da música pop nacinal e internacional. Obviamente, não venho culpa-los por isso, já que música ruim sempre existiu e sempre existirá na História. O objetivo deste post também não é sair em defesa da minha geração, marcada por mulheres que vão ao baile "de saííííínha, procurar o negão" ou por homens que usam franjinha de mulher, maquiagem de mulher, choram que nem mulher e, muitas vezes, têm as mesmas aptidões sexuais de uma mulher.

Não vou ser condescendente. Vim falar de música ruim. Ponto. Aquela que rompe as barreiras do tempo, não por suas qualidades, mas por seus inesquecíveis e insuportáveis defeitos. E farei com a experiência de quem já escutou muitas delas e que hoje tenta arrancar essa página de sua biografia. Sem sucesso, claro. =P

Só que durante a minha pesquisa - muito divertida, por sinal - ficou claro que o território para abordagens é tão amplo que um post só não seria suficiente. Então, vou começar uma série com quatro posts, este incluso no pacote, que traçará uma linha do tempo das músicas mais marcantes que deveriam ser enterradas junto com seus autores.

No próximo, já falamos sobre os anos 80, uma dádiva em matéria de escrotice.
Peço aos "inúmeros" leitores uma colaboração, com aquilo que vocês consideram indispensáveis para a riqueza do tema. Resumindo: joguem a m*%$#@erda no ventilador, comentando.

Fiquem agora com uma foto do homem que será o patrono deste blog, enquanto o levantamento for feito. Eu disse enquanto.

O Rei. Vida longa ao rei??????????

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