domingo, 27 de julho de 2008

♪ Abaixa o Som! ♪ (Parte 2b - Anos 90)

Já leu???
Introdução
Anos 80
Anos 90a

A explosão do funk: explosão demográfica, claro.

Adivinhem, caros leitores. Cá estou, com sono. Mas por que não consigo dormir? Ora, por qual outro motivo? Está acontecendo uma festa na minha rua. Tocando justamente nossos estimados "estilos musicais", objetos de estudo desta série.

Pergunte se tocou algo diferente de funk, forró, pagode, sertanejo, axé, calipso. Claro que não. Música ruim serve pra isso mesmo: encher a p%$#örra do saco dos vizinhos.
Tirando isso, ela não serve pra mais nada. É sério.

Imagina agora uma festa (de rua ou de casa mesmo) com Chico Buarque. Não rola, nem na época da ditadura. Quem quer ouvir Chico Buarque faz sozinho, ou com um grupo pequeno de amigos. Porque quer ouvir mesmo, não quer somente um fundo musical pra rebolar, beber ou conversar. Já a música ruim é perfeita, porque ela é tão ruim que ninguém presta atenção. A não ser na hora marcada pra todo mundo dizer "Crééééuuu" ou pra segurar e amarrar o "Tchan, Tchan, Tchan, Tchan, Tchan". Eu já provei desse veneno. Tentei fazer um tracklist com minhas músicas favoritas pra tocar no meu aniversário. A festa ficou parecendo um velório. Não é porque tudo o que tava na lista era bom, não. É por que faltou o melhor do pior. Faltou, claro, funk, axé e pagode. Hoje eu aprendi. Minhas festas não têm mais música.


Aonde eu quero chegar com isso? Ao funk, senhores, pra começar com uma pancada. Um pancadão, pra ser mais preciso. Eu andei pesquisando sobre o funk dos anos 90 (O da década atual vem num próximo post. *OFF: tá tocando Créu agora na festa, velocidade 5 \o/*). Vi uns clipes, relembrei de umas músicas, conheci outras. E, cara, tem coisa muito boa. Sem brincadeira, isso aqui pode não ser muito rico na letra, nem na melodia. Também não posso dizer que concordo inteiramente com a mensagem. Só que é uma canção forte, que faz refletir. E, putz, isso é raro, mesmo na maioria das músicas desses medalhões da MPB. Eu não tô dizendo que toda manifestação musical é obrigada a trazer um sentido, um "algo a dizer", mas o início do funk carioca foi promissor nesse sentido.
Aí eu pergunto: o que deu errado? Resposta: quem disse que alguém quer refletir? O pessoal quer ir até o "Chão, chão, chão" (*tá tocando isso agora*). Certo domingo, DJ Marlboro disse no Faustão (sempre ele) que o funk é a expressão do favelado, é a mensagem do morro pro asfalto, embebida de cultura e significado. Aí a gente entra no site dele e vê a divulgação de uma gaiola das popozudas da vida. Peraí, essa é a expressão do favelado? Essa, da foto aí de cima??? Eu acho que não. Ele também deve achar mas, como não é bobo, fala o que agrada às famílias e aos pseudo-intelectuais e faz o que agrada a quem interessa: quem compra os discos (piratas na maioria) e paga os ingressos do baile (lembrando que as damas são grátis até meia-noite).


O clipe ao lado é um caso exemplar, pois:

- A letra não é idiota nem idiotizante...
- Mas a mulherada só rebola...
- E o Mc só se anima pra valer quando o Silva morre...

- Dá pra entender?


Cara, reparei em como eu fui condescendente com o funk!!! Será que é o pancadão na cabeça?
Bom, preciso de outro estilo pra descontar (*risada cruel no momento*). O escolhido é o segundo elemento do trio das trevas, apelido carinhoso que eu dei para a tríade funk-axé-pagode.

Se no início, o funk flertava com a causa social, o axé já tem a mediocridade no DNA desde antes de nascer. Lembra do fricote?
Como toda evolução que se preze, o axé conseguiu elevar a idiotia um degrau acima. Um ou mais. Seus "vixe, mainha", "ê, danada", " vai réméxendo, vai" conseguiram provar que o ponto alto das letras eram as vogais: "aê, aê, aê, aê, ê, ê, ê, ê, ôôôôôôôôôôô".
Legais mesmo eram as danças, que viraram moda. Estavam em todas as casas e, principalemente, todas as academias. Com roupas insinuantes, as mulheres dançavam sem parar nas famosas aulas de lambaeróbica. (* Caraca, tá tocando Araketu agora xD*). Uma professora de matemática (minha favorita, por sinal ^^) confessou que já tentou fazer essas aulas pra emagrecer. Não ficou muito tempo. E durante o pouco tempo que ficou, se recusava a colocar o dedinho na boca, pois isso lhe faria reduzir uns 10 pontos no Q.I. toda cada vez.

No vídeo, veja:

- Primeiro, o Jacaré... (não consigo imaginar o que escrever)
- Depois, o resto... e tire suas conclusões.
- Minha conclusão: acho difícil alguém descer tão baixo...
- Ainda bem que haviam as bundas, senão as pessoas se dariam conta do absurdo que é esse tal de axé


Só sei que eu tenho um passado não muito feliz com esse estilo, e conheço muitas pessoas que tentam trazê-lo à tona. Saibam que não conseguirão.

Agora, tá tocando pagode (Alexandre Pires ou SPC, sei lá...) na festa da minha rua. Isso quer dizer que ela está próxima do final. Pois toda festa tem seu final anunciado quando começam as músicas de corno. Essas são pros bêbados chorarem (e dormirem), os casais se beijarem (e saírem pra um local mais reservado), e os donos da festa começarem a varrer tudo, tenha gente na festa ou não.
Porque o pagode é um estilo fim-de-festa por natureza. A melodia é lenta, as letras denotam uma dor-de-cotovelo desgraçada e não é preciso estar sóbrio pra entender, porque qualquer pau d'água compreende (e compõe) aquelas maravilhas que rimam "amor" com "dor", "paixão" com "coração" etc. Ou seja, uma roda de pagode já começa desanimada. E não se enganem, os caras podem estar rindo e batucando, mas aquela música não consegue deixá-los felizes. Não é possível.

O pagode tem um lado bom: é que ninguém leva a sério (só os pagodeiros). Por causa disso aparecem pérolas do You Tube como essas:


Baseados na música "Marrom Bombom", do grupo "Os Morenos", temos quatro exemplos do que se pode fazer com o pagode.

- Humor negro
- Humor escrachado
- Humor coletivo
- Humor involuntário

Quase acertei. Depois do pagode ainda rolou um forrozinho rápido. E fim de festa. Pra eles e pra mim.

Até o próximo post, pois ainda não acabou (infelizmente pra vocês).

Leia também:
Anos 90c

10 comentários:

Aline Costa disse...

"Era só mais um Silva que a estrela não brilha/ ele era funkeiro mas era pai de familia"

É, um dia o funk pode ser chamado de musica... confesso que cantava isso. rs
Quanto ao resto, meus típanos tem péssimas lembranças até hoje! rs

A Pscicopata disse...

Naum se pode enterrar o passado Lerdinho!!!

Eu vi em algum lugar(sempre me esqueço das fontes) que os funkeiros da antiga tão programando um retorno. Será que ainda tem chance??

Jujuzita disse...

poxa.. eu ia nessa festa.. mas por circunstancias acabei nao indo..rs.. ainda bem neh...

e qt ao funk e pagode e axé pra mim eh td uma forma d manter o povo alienado as coisas q acontecem... e eles aceitam isso com as portas abertas... enfim...ha algo q possamos fzr???

e como resposta a psicopata.. nao li sobre nao.. eu gostava msm... porem hj nao sei se teria vazão devido a tamanha ignorancia do povo q ouve créu e afins... esperemos entao...

abraco

A Vilã disse...

Bem, essa série está muito bacana, mas minha memória é falha (pelo menos nesse caso é bom) e não lembro muito desses poluidores de ouvidos.:)

E Naum se pode enterrar o passado Lerdinho!!! [2]

Helena disse...

Eu entendo sua dor, meus vizinhos costumam fazer umas festas desse tipo. O que eu não entendo é que antes do meio-dia toca Padre Marcelo, e logo depois toca aqueles funks beeeem descritivos. Não sei como alguém pode erguer as mãos e dar a glória a Deus e logo em seguida dançar Créu até entortar a coluna, mas... Hehehe.
Beijos!

jeff disse...

eu gostei muito desse post. ^^ não falo do conteúdo multimídia, mas foi prazeroso lê-lo.

na época desses funks eu não gostava não, mas hoje eles me pareceram agradáveis. é que a merda atual é grande né? era feliz e não sabia.

no mais, adorava axé [tinha todos os cds do é o tchan e os axé bahia que eram lançados a cada ano] e já mandei anúncio para o jornal o extra para montar um grupo de pagode...

hoje estou salvo. =)

A Vilã disse...

á mandei anúncio para o jornal o extra para montar um grupo de pagode...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Não acredito!!!! :O

Aline Costa disse...

das árvores na parede...
vi entre cascadura e o maracanã. [mas pra cascadura que pro maraca.. rs]

Gladson disse...

Simplesmente o dinheiro compra a midia que não está preocupada com o conteudo, mas o quanto se pode ganhar.. Por que está crescendo o movimento? É claro, se você colocar uma musica que edifica para 10 pessoas na sua casa e 100 por cento gostar, serão 10 pessoas pensando. Daí chega a TV e coloca esses lixos em rede aberta para 180 milhões de pessoas... Se apenas 1(um)por cento aderir nosso trabalho já foi engulido. Infelismente! Sugiro um movimento: desliguem a TV por 1 mês.

Anônimo disse...

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