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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Merry Xmas

Ou... o post de A Suicida.

Notícia bombástica aos leitores do blog: somos oito, mas já fomos onze. Nos primórdios do ensino médio, grandes amizades se formaram, se sedimentaram ou se desfizeram. Em alguns casos foram devido a brigas, outros foram por causa de vidas que tomaram rumos diferentes. Em qualquer relação como essa, é grande a chance de que tudo tenha a duração de um pensamento. Mas como qualquer pensamento, é grande também a chance de que tudo fique marcado na memória, como prova de um tempo que pode ter deixado lembranças boas ou ruins. Nunca indiferentes. Pois amizade nenhuma fica só no mais ou menos. Àqueles que têm amigos, um Feliz Natal.

Tudo isso pra informar que o que vocês lerão abaixo são palavras de A Suicida que, junto com A Turista e O Autista, compõe a tríade que carrega consigo a exclusivíssima grife de Ex-Conspirados. Isso não é pouco, não. É prova de que, pelo menos pra nós, eles não são nem nunca serão qualquer coisa.

Bon apetit.


Estou em meu quarto, são 21:16 de uma noite pseudo-chuvosa de quinta-feira. Leio umas tirinhas engraçadas na internet, uns contos eróticos estilizados, ouço as novidades da crise pela televisão e bebo um vinho do qual não gosto, mas que é tão caro que sinto valer a pena degustar. Penso no futuro, em como as coisas serão, em como o mundo se enxergará. Reflito sobre como as pragas da humanidade são tão necessárias para a sobrevivência, gerando um paradoxo tão paradoxal que nem a palavra é capaz de suportar tamanha significação. Penso em como as pessoas se esforçam em fingir ser quem não são para atrair pessoas tão distantes, enquanto se esquecem das que estão bem próximas e que desejam sua companhia exatamente por ela ser aquilo que é. Penso em como as pessoas se envolvem com outras a fim de realizações que somente elas mesmo, através de self-reflection, podem alcançar. Percebo que perdemos muito tempo com pessoas que se dizem nossas amigas enquanto deixamos nossos amigos reais esquecidos em um canto, seja da agenda, do celular, do orkut..ou ainda, num canto da memória, tããão ocupada com coisas mais fúteis. Vejo pessoas se satisfazendo com a morte dos pobres, enquanto lamentam a pouca sorte dos ricos que, pobrezinhos, tem que abrir mão do cruzeiro tão sonhado e se contentar com uma viagem simples para o Hawaii. Penso em como me envolvi com pessoas fúteis, achando que queria ser como eles...e, realmente acreditando que, algum dia, poderia ser exatamente como eles. Mas, não. Felizmente não tenho vocação para idiota. Não sei fingir que não vejo estar sendo traída por minhas próprias escolhas. Mas não me ensinaram como fazer a diferença. E, nesse mundo tão preguiçoso, não sei se estou com saco, ou se dormi o suficiente para aguentar uma revolução. Eu poderia criar uma terceira guerra mundial, criar uma guerrinha de travesseiros, ou não fazer nada. Então, prefiro é continuar bebendo o meu vinho caro, e fingir que o mundo é tão bom e tão macio quanto a minha cama.

Conspiração feita por A Suicida.

Ahhh... Então isso é o Natal

Estava comentando ainda hoje como fico mais chato a cada dia que passa. Será por isso que sou/era O Chato?


Hoje é Natal. Quando era criança era uma das datas mais esperadas por mim. Toda aquela magia do Papai Noel que me encantava era completamente diferente de tudo que acontecia nas outras datas. Tudo era um sonho. Depois da tão esperada hora 00:00 horas, os presentes surgiam embaixo da árvore e, pronto, meu ano estava feito.


(Cuidado ao ler o próximo parágrafo, grandes revelações)


Depois que você vai ficando velho e descobre que Papai Noel não existe (pois é, não existe), ele (o Natal) vai ficando menos importante. Mesmo ganhando presentes, não é a mesma coisa. É só uma ocasião para ganhar presentes. Pelo menos foi sempre como eu encarei, acho que erroneamente.


Existe toda aquela conotação cristã do Natal que eu deixei de acreditar, afinal, sou ateu. E menos importante foi ficando o Natal. Lembro da época em que eu comemorava o Natal com a família por parte de pai. Passávamos a noite ouvindo histórias da família. Adorava aqueles momentos. Não que não fosse legal com a família por parte de mãe. Eram/são diferentes. Eis que uma boa coisa acontecia nesta data: reunião da família.


Bem, a vida nem sempre é justa e minha avó paterna faleceu. Lembro do primeiro natal sem ela. Meu pai fez o discurso antes da ceia que sempre fazíamos. Todos lá se emocionaram devido à falta que ela fazia, mas ainda estávamos reunidos.


No outro ano, já voltei a comemorar o natal com a família por parte de mãe. O pessoal gostava de confraternizar o Natal e a cear com os vizinhos. É até uma idéia legal. Afinal, dizem que é uma época para confraternização. Contudo, eu não sou lá o tipo de pessoa sociável e tão aberto a pessoas estranhas. Mais uma vez, mais um pedaço do Natal foi perdido – a reunião familiar.


Passei a comemorar a virada da véspera na internet com uns conhecidos um amigo em particular. Fui ficando mais velho e passei a não me importar em ganhar presente ou não. Comecei a perceber que achava o dia de hoje como outro qualquer. Isso nos leva a refletir. Sério mesmo. Como as coisas vão se acabando sem que você perceba. É triste por todos os ângulos que vejo.


Por tudo isso, disse que estou ficando mais chato a cada dia que passa. As coisas vão ficando sem graça e sem sentido para mim. Cada vez fica mais difícil me arrancar um sorriso. Por quê? Eu não queria isso. Acho.


Entretanto, acho que a magia do Natal atuou hoje. Pelo menos um pouco. No momento de distribuir os presentes, meu tio fez uma surpresa aos filhos e conseguiu dar todos os presentes que esses queriam. Foi muito legal. Em um momento, todo mundo do lugar caiu em prantos. Bem, eu não, ninguém muda da água pro vinho assim tão rápido xD. Mas eu gostei de ver o sentimento verdadeiro estampado nos rostos, principalmente, dos meus primos. Foi uma experiência nova.


Além disso, meus pais, que estavam em uma briga, desejaram Feliz Natal um ao outro. É incrível o que essa data faz. Mesmo com todos os problemas, por um momento, tudo é esquecido e as pessoas fazem as pazes.


Acho que recuperei parte das motivações para comemorar o Natal. Estranho como as coisas acontecem sem você esperar. Não direi quais são essas motivações, mas acho que dá para entender, né?


Feliz Natal para vocês, leitores ^^

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Até semana passada

Até semana passada eles falavam em casamento. Eu a ouvia idealizando a cerimônia, tão empolgada porque já havia pensado tudo nos mínimos detalhes e o resultado estava como sempre desejou. Se toda a preparação da festa tivesse que começar no instante em que sua voz chegava a mim com a profunda euforia de alguém imensamente feliz e decidida, não haveria indecisão do que preparar para os convidados - que já esperavam, com a mesma certeza do casal, um casório em breve.

Até semana passada eles sabiam onde iam morar. Tinham visto a casa, que parecia ficar bonita. Não estava construída, mas uns sussurros de já dar entrada no patrimônio não era boato. Até vi rolando com um deles um papel de imobiliária. Com qual eu não me lembro, mas isso não faz diferença.

Até semana passada havia amor de verdade. E era de verdade, eu não o sentia por eles, mas posso afirmar com veemência. O sentimento ainda existe, não duvido, mas a questão agora não é essa.

Até semana passada não sabia que o tamanho da tristeza em mim seria grande ao saber dos fatos, até porque esses fatos eram inimagináveis. E cada dia mais eu quero viver tudo que eles viveram, os planos que sonharam juntos e principalmente do sentimento que zelavam pelo o outro. Tudo que anseio para mim está em processo de degradação por eles - e por muitos.

Até semana passada a vida era injusta. E bem, ela continua assim. Feliz Natal.